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Eleições 2026

Líder do PT na Câmara, deputado de SC diz que Mendonça age como cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro

Em vídeo e em nota oficial da bancada, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) classificou como inconstitucional a decisão de André Mendonça que tirou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal e afirmou que o ministro age para favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições. Parte das afirmações, porém, esbarra no andamento dos próprios processos.

Líder do PT na Câmara, deputado de SC diz que Mendonça age como cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução
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O deputado federal Pedro Uczai, do PT de Santa Catarina, assumiu nesta terça-feira (8) a linha de frente da reação do partido à decisão que tirou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Líder da bancada petista na Câmara no biênio 2026/2027, o parlamentar de Chapecó gravou um vídeo e assinou a nota oficial do partido contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

“Absurdo! A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é inconstitucional e arbitrária. É uma tentativa clara de favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições”, afirmou Uczai no vídeo publicado nas redes sociais.

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O deputado sustentou que o governo Lula deu autonomia para a corporação investigar sem interferência política o escândalo do Banco Master e o esquema de descontos no INSS. “Justamente quando as investigações começaram a atingir o clã bolsonarista, André Mendonça, indicado de Bolsonaro, age claramente como cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, afastando justamente quem está investigando”, disse.

Uczai citou ainda o filme sobre Jair Bolsonaro financiado com dinheiro ligado a Daniel Vorcaro. “Enquanto isso, a investigação sobre o Dark Horse, filme sobre o Bolsonaro, que recebeu milhões de Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro do país, segue parada. É uma tentativa ilegal para interferir no processo eleitoral, e nós não vamos aceitar”, concluiu.

Na nota da bancada, assinada por ele, o PT classificou a medida como intervenção grave e ilegal na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal. O texto lembra que o diretor-geral da corporação é nomeado pelo presidente da República e afirma que a decisão invade atribuições do Executivo com fins político-eleitorais. “A Polícia Federal não pode ser colocada sob intervenção para proteger a família Bolsonaro”, diz o documento.

O partido também levanta questionamento sobre a imparcialidade do ministro. Como Mendonça afirma ter sido vítima de monitoramento da PF e usou essa circunstância para fundamentar as medidas contra os dirigentes da corporação, a bancada sustenta que ele estaria ao mesmo tempo entre os atingidos pelos fatos e responsável por decidir sobre eles.

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Onde a fala esbarra nos processos

O andamento do caso do Dark Horse não confirma a afirmação de que a apuração esteja parada. O inquérito foi aberto no Supremo em julho, a partir de notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O relator é o próprio Mendonça, que encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República em 30 de junho. Paulo Gonet se manifestou favoravelmente, e a investigação tramita sob sigilo de nível 3, classificação usada para resguardar diligências em andamento. O alvo é o rastro de cerca de R$ 61 milhões que saíram do círculo de Vorcaro rumo a um fundo sediado no Texas.

O sigilo desse inquérito é justamente o que o PT, o PSOL, o PCdoB e a Rede pedem ao Supremo que seja derrubado. É um pedido em aberto, não uma investigação sem andamento.

A afirmação de que Mendonça estaria blindando o entorno de Vorcaro também encontra resistência no histórico do caso Master. Foi ele quem determinou, em 4 de março deste ano, a segunda prisão do ex-banqueiro, na terceira fase da Operação Compliance Zero, contrariando a PGR, que havia pedido mais prazo e sustentado não haver urgência para medidas cautelares. Em 25 de junho, o mesmo ministro negou o pedido da defesa para trocar a preventiva por prisão domiciliar e mandou transferir Vorcaro para o 19º Batalhão da PM do Distrito Federal.

O ponto central da nota petista, esse sim, é a disputa jurídica que o governo vai levar ao Supremo: a Lei 9.266/1996 atribui ao presidente da República a nomeação e a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal. A Advocacia-Geral da União, comandada por Jorge Messias, informou que vai recorrer com esse argumento.

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A decisão de Mendonça afastou por 90 dias Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, e se baseia em seis relatórios de inteligência produzidos pela PF entre 3 e 31 de agosto e encaminhados a Alexandre de Moraes. O ministro afirma ter sido alvo de monitoramento sistemático por mais de 30 dias e comparou o quadro à distopia “1984”, de George Orwell. A Segunda Turma formou maioria para manter a medida, e Gilmar Mendes pediu vista.

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