Uma confusão dentro de um apartamento em Florianópolis virou, em poucos dias, um dos casos mais comentados das redes em Santa Catarina, com três versões opostas sobre a mesma noite e um desfecho ainda em aberto. A repercussão nacional veio pelo perfil dos envolvidos: Vinícius Martins é advogado e figura conhecida do setor de cannabis medicinal, com perfil verificado e público formado nessa área. Ninguém foi preso em flagrante e o caso deverá ser apurado pela Polícia Civil de Santa Catarina.
A primeira versão a circular foi a de Camila Moser. Em vídeo publicado no próprio perfil, com o rosto ensanguentado e o curativo da cirurgia plástica que havia feito dias antes, ela afirmou ter sido agredida pelo ex-marido quando foi até o apartamento dele cobrar pensão atrasada. “Isso aqui é o que acontece com uma mulher no Brasil quando vai cobrar pensão que tá atrasada”, disse na gravação, antes de fazer um apelo para que outras mulheres não normalizem os primeiros sinais de violência.
Respondendo a seguidoras nos dias seguintes, Camila detalhou a própria versão. Afirmou que os primeiros golpes atingiram o nariz recém-operado, que precisou refazer o procedimento e que passou por exame de corpo de delito. Sustentou que a pensão do filho estava atrasada e que esse foi o motivo da ida ao apartamento. Negou qualquer arrombamento: “Não tem porta quebrada. Eu entrei pelo portão e foi aberto.” Admitiu ter reagido, mas insistiu na ordem dos fatos: “Cada ação tem uma reação. Obviamente, após ele me bater eu fui pra cima dele, mas o intuito de ir até o local foi cobrar.”
VEJA O VÍDEO DE CAMILA MOSER
A versão do advogado
Vinícius Martins gravou um vídeo com a versão oposta. Diz que o casal está divorciado há tempo, que a guarda do filho é alternada semana a semana e que aquela era a semana dele com a criança. Segundo o advogado, Camila entrou no condomínio e no apartamento sem autorização, vasculhou o imóvel, encontrou um preservativo usado no lixo do banheiro e partiu para cima dele. Afirma que é solteiro e não devia satisfação a ninguém, e que a confusão terminou com objetos quebrados na sala e marcas de unha no pescoço e nas costas dele.
Sobre o sangue que aparece nas imagens dela, o advogado apresentou outra explicação. Sustenta que o tampão da rinoplastia recente caiu durante o entrevero e que o nariz voltou a sangrar por causa disso, não por socos. Diz que retirou a ex-mulher do apartamento à força, deixou o filho com uma vizinha e acionou a polícia. “A polícia veio, viu os fatos, nos levou pra delegacia”, afirmou, sustentando que a autoridade policial não viu motivos para mantê-lo preso.
A mãe grava um vídeo contra a filha
O elemento que mudou o rumo da repercussão veio depois. Inês, mãe de Camila, gravou e publicou um vídeo se posicionando contra a própria filha. Ela confirma que a filha foi ao apartamento na segunda-feira para cobrar a pensão do mês de agosto e que encontrou o preservativo no banheiro, mas afirma que foi Camila quem avançou primeiro. “Não houve agressão no nariz dela, houve mais ferimento devido à força que ela fez”, disse.
No mesmo pronunciamento, Inês afirma que houve agressões entre os dois ao longo dos anos e que, na avaliação dela, a maioria partiu da filha. Diz ainda que ela mesma e uma vizinha prestaram depoimento na delegacia e que o ex-genro respondeu em liberdade por isso. Pede o fim das ameaças que ele vem recebendo e faz um apelo direto: “Eu amo a Camila, não vou deixar de amar por causa disso, mas o que ela está fazendo está completamente errado.”
Camila, por sua vez, publicou capturas de mensagens que atribui ao ex-marido, datadas de dezembro do ano passado. Nos prints, o autor diz querer prejudicá-la de todas as formas, ameaça marcar o rosto dela e afirma esperar que ela morra ou que alguém a mate. As imagens não passaram por verificação independente. Ela também afirma ter recebido novas ameaças depois de tornar o caso público e diz que tomou as medidas cabíveis por meio de advogada.
Sócios, advogados e julgamento nas redes
A disputa extrapolou o ex-casal. Eduardo Amado Júnior, sócio de Vinícius na empresa Green Club Card, se posicionou em mensagens privadas depois divulgadas por uma influenciadora. Nas mensagens, afirma conhecer Camila há mais de 15 anos, diz que ela entrou quebrando tudo no apartamento e que ela mesma se feriu, e sustenta que existem imagens do prédio, depoimento de vizinha e inquéritos que contrariam a versão dela. O empresário também avisou que reagiria a qualquer calúnia contra a companhia. Do outro lado, um advogado que afirma representar Camila publicou que o caso vai “até o final”.
Nos comentários, o julgamento popular se dividiu em dois blocos. Parte do público apontou diferenças de roupa, calçado e curativo entre os vídeos publicados por ela para questionar a cronologia dos fatos. Outra parte rebateu que detalhe de vestuário não desmente lesão e cobrou explicação sobre os prints de ameaça. O próprio Vinícius entrou na discussão para dizer que divulgaria mais material: “Vou postar as ameaças que ela faz e as violências que ela já praticou. O processo legal vai provar, não a opinião popular ouvindo só um lado da história.”
Também nos comentários, mulheres relataram episódios anteriores envolvendo Camila, enquanto outras seguidoras defenderam que a existência de histórico não invalida uma denúncia de agressão. Uma pergunta se repetiu em vários perfis sem resposta pública dos envolvidos: se a pensão estava mesmo atrasada e se foi esse o motivo da ida ao apartamento naquela noite.
Até o momento, nenhum dos lados apresentou documento oficial que sustente sua versão — nem laudo do exame de corpo de delito, nem boletim de ocorrência, nem decisão judicial. O caso deverá ser apurado pela Polícia Civil, e é no inquérito que os depoimentos de Camila, de Vinícius, de Inês e da vizinha serão confrontados. O Jornal Razão segue acompanhando os desdobramentos.















