Lucas Esmeraldino, ex-secretário do governo Carlos Moisés, confirmou ao Jornal Razão nesta quinta-feira (3) que aceitou entrar de última hora na nominata de candidatos a deputado estadual do Avante em Santa Catarina a pedido do próprio candidato a presidente do partido, o escritor e psiquiatra Augusto Cury. Em conversa por telefone, ele resumiu a decisão em três palavras: “Entrei para ajudar”.
Segundo Esmeraldino, foi a direção nacional do partido quem pediu a inclusão do nome dele na disputa. A função central dele na campanha, porém, não será a própria candidatura: ele afirmou que vai coordenar as “Casas Cury” em Santa Catarina, uma espécie de rede de comitês que a campanha do escritor começou a instalar pelo país.
A estrutura que ele vai comandar no Estado é a aposta física da campanha. A primeira “Casa Cury” do país foi aberta em Belo Horizonte, em 1º de setembro, com a função de servir como comitê e ponto de encontro com apoiadores, lideranças e eleitores. A coordenação da campanha anunciou a intenção de repetir o modelo em outros pontos do Brasil. A segunda foi anunciada em Rio Branco, no Acre. Santa Catarina entra agora nessa fila, com Esmeraldino na articulação.
A inclusão dele foi decidida em reunião na quarta-feira (2) e a ata já está disponível no sistema da Justiça Eleitoral. O Avante ainda tinha vagas remanescentes na lista para deputado estadual e pode preencher nomes até esta sexta-feira (4), um mês antes da votação. Esmeraldino já estava filiado ao partido dentro do prazo legal de seis meses, mas não estava entre os nove candidatos homologados na convenção do início de agosto.
O movimento acontece no dia seguinte ao resultado que reorganizou a corrida presidencial. Cury alcançou 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2), depois de registrar 2% na rodada anterior, assumindo o terceiro lugar isolado, atrás de Lula, com 37% e de Flávio Bolsonaro, com 30%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07065/2026.
O desempenho mais forte apareceu justamente na fatia do eleitorado que não se identifica com nenhum dos dois campos. Entre os independentes, que representam 32% do eleitorado, Cury tem 24% das intenções de voto, à frente de Lula, com 21%, e de Flávio Bolsonaro, com 9%. Ao mesmo tempo, 65% desses eleitores independentes afirmam não conhecer o candidato. Em simulação de segundo turno contra Lula, ele registra 34%, contra 40% do petista. O Índice de Popularidade Digital da própria Quaest mostra o salto: de 32,9 pontos na semana encerrada em 16 de agosto para 54,5 na semana que terminou no domingo (30).
O secretário-geral do partido em Santa Catarina, Bruno Lopes de Almeida, confirmou a inclusão de Esmeraldino entre os candidatos e explicou a lógica: a ascensão relâmpago de Cury pode puxar votos de legenda e aumentar a chance de o partido eleger um representante na Alesc ou na Câmara dos Deputados. Ainda segundo ele, o crescimento do escritor fez disparar os pedidos por material de campanha em cidades catarinenses. Com a mudança, o partido passa a ter 18 candidatos a deputado federal e 10 a deputado estadual no Estado.
Quem entra na lista é um nome com quilometragem na política catarinense. Natural de Tubarão, no Sul do Estado, Esmeraldino é empresário e cirurgião-dentista, foi eleito o vereador mais votado da cidade em 2012 e voltou à Câmara Municipal em 2016. Em março de 2018, sete meses antes da eleição, foi convidado para assumir o comando do PSL em Santa Catarina, depois que nomes tradicionais recusaram a tarefa.
Aquele ano foi o ponto mais alto da trajetória eleitoral dele. Candidato ao Senado pelo PSL, Esmeraldino recebeu mais de um milhão de votos e ficou em terceiro lugar, a menos de 20 mil votos da segunda vaga em disputa. Quem levou a cadeira foi Jorginho Mello, por uma diferença de cerca de 18 mil votos. Hoje Jorginho é governador de Santa Catarina e disputa a reeleição.
Com a vitória de Carlos Moisés, também do PSL, Esmeraldino foi para o primeiro escalão. Assumiu a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo em janeiro de 2019 e, em maio de 2020, passou à Secretaria Executiva de Articulação Nacional, em Brasília. Em 6 de novembro daquele ano, foi exonerado em definitivo pela então governadora interina Daniela Reinehr, depois de acumular desgastes com indicações políticas e de parentes para cargos técnicos. Na época, ele afirmou que as indicações que fez observaram critérios técnicos.
Em 2022, Esmeraldino tentou a Câmara dos Deputados pelo Republicanos, obteve 24 mil votos e não se elegeu. Agora volta às urnas pela legenda de um candidato a presidente que, quatro semanas atrás, não figurava entre os favoritos.
Augusto Cury tem 67 anos, é natural de Colina, no interior de São Paulo, e construiu carreira como médico, psiquiatra e escritor, com livros que passaram de 30 milhões de exemplares vendidos no país. A campanha dele se apresenta como alternativa capaz de tirar o Brasil da guerra política entre direita e esquerda, discurso que já rendeu apoio de fora do Avante em Santa Catarina. Nesta semana, o candidato ao governo do Estado Ralf Zimmer (PRD) declarou apoio à candidatura de Cury à Presidência. Zimmer é advogado e ex-defensor público-geral e ganhou projeção ao assinar o primeiro pedido de impeachment contra Carlos Moisés e a vice Daniela Reinehr, o mesmo governo em que Esmeraldino foi um dos nomes mais influentes. Os dois estão agora do mesmo lado da campanha presidencial.
O prazo para o Avante completar a nominata termina nesta sexta-feira (4). Depois disso, os registros passam pela análise da Justiça Eleitoral, que decide quem está apto a concorrer. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.























