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Eleições 2026

Candidato a deputado em SC recebe R$ 2 milhões de “fundão” e bate recorde ao contratar 86 “militantes de rua”

Levantamento do Jornal Razão na base do TSE mostra que Darci de Matos (Republicanos) já contratou 146 pessoas físicas por R$ 1,04 milhão e concentra 87% de toda a militância paga declarada em Santa Catarina até agora.

Montagem com duas fotos do deputado federal Darci de Matos
Darci de Matos (Republicanos) tenta voltar à Câmara dos Deputados | — Foto: Reprodução/Redes sociais
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O candidato a deputado federal Darci de Matos (Republicanos) montou a maior folha de pagamento de campanha de Santa Catarina. Ele já declarou à Justiça Eleitoral 146 contratos com pessoas físicas, que somam R$ 1.047.500, e só na rubrica de “atividades de militância e mobilização de rua” são 86 contratados, a maioria por exatos R$ 5 mil cada. Os R$ 431 mil declarados nessa categoria equivalem a 87% de tudo o que os candidatos catarinenses registraram em militância paga até agora. O segundo colocado do estado, Mário Pinto da Motta Junior, declarou R$ 31.940, treze vezes menos.

A operação é bancada quase inteiramente por dinheiro público. A campanha arrecadou R$ 2.049.500, dos quais R$ 2 milhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundão, repassados pela Direção Nacional do Republicanos em 27 de agosto, em duas remessas no mesmo dia, uma de R$ 1,3 milhão e outra de R$ 700 mil. Um dia antes de o dinheiro entrar, em 26 de agosto, a campanha havia assinado 114 dos 146 contratos. As doações de pessoas físicas somam R$ 49,5 mil, de dez doadores. Os dados constam da prestação de contas divulgada pelo TSE e foram levantados pelo Jornal Razão na base oficial do tribunal, atualizada nesta quinta-feira (3).

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Um organograma com salário tabelado

Os contratos declarados desenham uma estrutura com cargos e valores definidos, semelhante à folha de uma empresa. No topo estão oito coordenadores regionais, com contratos de R$ 10 mil a R$ 20 mil. O teto da folha é o de Ederson Giovani Gava, contratado como coordenador regional de Joinville, reduto eleitoral do candidato, seguido por Lindomar Lindner, com R$ 17 mil.

Abaixo vêm 12 coordenadores locais, com contratos de R$ 7 mil a R$ 16 mil, num total de R$ 156 mil. A camada mais numerosa da chefia é a dos supervisores: são 25 contratos, de R$ 5 mil a R$ 12 mil, sendo que 19 deles estão em valores de R$ 10 mil redondos. A rubrica soma R$ 238 mil.

Completam a estrutura seis supervisores de panfletagem, de R$ 5 mil a R$ 9 mil, três panfleteiros e o pessoal de escritório: Antonio Carlos Schiavo como administrador financeiro, por R$ 14 mil, Vanessa Vanderlinde para atividades de marketing, por outros R$ 14 mil, além de dois auxiliares administrativos, uma secretária e serviços gerais. Somada, essa folha de “despesas com pessoal” custa R$ 616,5 mil em 60 contratos, mais de quatro vezes o que declarou o segundo colocado do estado na rubrica, o deputado Pedro Uczai, com R$ 145 mil.

Na base da operação estão os 86 militantes de rua. Desses, 83 têm contratos de exatos R$ 5 mil, dois de R$ 6 mil e um de R$ 4 mil. Todos os 146 contratos foram declarados como “contrato de prestação de serviço”, formato previsto na legislação para a contratação de pessoas físicas em campanha e que dispensa nota fiscal. A comprovação de que cada serviço existiu é exigida pela Justiça Eleitoral no julgamento das contas, que ocorre depois da eleição. O extrato completo com todos os contratos está disponível no portal do Jornal Razão.

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R$ 82 mil repassados a candidato do próprio partido

Parte do dinheiro que entrou pelo fundo eleitoral saiu da campanha em forma de doação. Em 2 de setembro, Darci declarou o repasse de R$ 82 mil a Eduardo Cesconetto de Souza, candidato a deputado estadual pelo Republicanos, que concorre com o número 10220, o mesmo do federal com um zero a mais, combinação usada em campanhas casadas entre candidatos das duas disputas. É a maior despesa que a prestação de contas registra como efetivamente paga.

Fora a folha de pessoal, os maiores gastos declarados são R$ 70 mil em produção de vídeo e marketing digital, R$ 24 mil em impulsionamento de conteúdo em redes sociais, R$ 29,6 mil em material impresso e R$ 9 mil no aluguel do comitê. O total das despesas contratadas chega a R$ 1.278.961, o terceiro maior de Santa Catarina, atrás do governador Jorginho Mello, que disputa a reeleição, e da deputada Caroline de Toni.

Contratado não é o mesmo que pago

Há uma distância grande entre o que a campanha declara ter contratado e o que declara ter pago. Do R$ 1,27 milhão em despesas contratadas, R$ 285.961 aparecem na base do TSE como quitados. Na folha de pessoal, os pagamentos registrados somam R$ 58,5 mil. Na militância de rua, a maior rubrica de todas, apenas R$ 5 mil constam como pagos até o momento. O descompasso entre contratação e pagamento é comum nas campanhas catarinenses nesta fase, como mostra o painel de contas de campanha do Jornal Razão, mas em nenhuma outra envolve tanto dinheiro.

Os registros também trazem inconsistências pontuais. Um contrato de supervisão de panfletagem, de R$ 5 mil, aparece datado de 8 de setembro, cinco dias à frente da data em que a base foi consultada. Em 32 dos 146 contratos, o nome digitado pela campanha não coincide exatamente com o cadastro do CPF na Receita Federal, o que na maior parte dos casos indica erro de digitação.

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Do PSD ao Republicanos

O investimento pesado do partido marca uma nova fase na carreira do político. Depois de cinco eleições seguidas pelo PSD, entre 2014 e 2022, Darci de Matos disputa 2026 pelo Republicanos, sigla que despejou os R$ 2 milhões do fundo na candidatura dele. Antes do PSD, passou pelo DEM, em 2008 e 2010, e pelo PFL, em 2004 e 2006, quando começou como vereador em Joinville. A ficha completa do candidato, com bens declarados e histórico eleitoral, está no especial de eleições do Jornal Razão.

Aos 64 anos, economista, natural de Cafelândia, no Paraná, ele construiu a carreira em Joinville, onde disputou três vezes a prefeitura e chegou duas vezes ao segundo turno, em 2008 e em 2020. Foi deputado estadual, elegeu-se deputado federal em 2018 e ficou na suplência em 2022. Agora tenta voltar à Câmara com o número 1022, candidatura deferida e patrimônio declarado de R$ 2,57 milhões.

Prestação de contas ainda está em curso

Todos os valores desta reportagem são os declarados pela própria campanha até esta quinta-feira (3). A prestação de contas segue aberta e é alimentada diariamente pelas campanhas até depois da eleição de outubro. Muitos candidatos ainda declararam pouco ou nada, e os números de Darci de Matos podem ser superados nas próximas semanas, conforme os adversários lançarem suas despesas. O retrato de agora mostra quem saiu na frente na contratação de militância, não o resultado final.

Contratar cabos eleitorais e pagar militância com recursos do fundo é permitido pela legislação eleitoral, desde que os serviços existam e sejam comprovados. A Justiça Eleitoral só julga as contas, com a comprovação de cada serviço, depois do pleito. Todos os números por candidato podem ser consultados no especial Eleições 2026 do Jornal Razão.

Especial Eleições 2026 em SCCandidatos com dados do TSE, sabatinas, pesquisas e calendário — cobertura completa
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