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Eleições 2026

“O feminismo é diabólico”: vereador mais votado de SC detalha processos e disputa a Alesc

Pré-candidato a deputado estadual, William Tonelli (PL) fala ao Jornal Razão sobre os processos que responde por falas contra o feminismo, a cassação de um colega na Câmara de Joinville e o aditivo de quase R$ 100 milhões na ponte municipal.

“O feminismo é diabólico”: vereador mais votado de SC detalha processos e disputa a Alesc
Foto: Reprodução
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Vereador mais votado de Santa Catarina nas últimas eleições municipais, com 9.323 votos em Joinville, o engenheiro civil William Tonelli (PL) recebeu o Jornal Razão para uma conversa sem filtro sobre sua pré-candidatura a deputado estadual. Na entrevista, ele defendeu falas contra o feminismo que lhe renderam representação no Conselho de Ética, dois depoimentos à Polícia Federal e uma ação da federação do PT no TSE, todos, segundo ele, arquivados ou em curso sem materialidade. Também criticou a cassação de um colega na Câmara, cobrou explicações sobre o aditivo de quase R$ 100 milhões na ponte de Joinville e disse que a prefeita deveria demitir a secretária de Assistência Social.

De 1.787 a 9.323 votos: a trajetória e o diagnóstico da região

William Tonelli estreou na política em 2020, quando foi eleito vereador de Joinville com 1.787 votos. Na reeleição, saltou para 9.323, votação que o transformou no vereador mais votado de Santa Catarina. “É uma votação maior do que a maioria dos prefeitos do estado de Santa Catarina”, comparou. O entrevistador ponderou que o desempenho também se explica pelo porte do município, o maior do estado em população.

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Apesar do resultado pessoal, Tonelli afirma que a região vive um déficit de representatividade. Segundo ele, as entidades locais, associações comerciais e representativas, iniciaram um movimento chamado “Todo Voto Conta” justamente para conscientizar a população. “Não é nem eu que tô falando, as próprias entidades dizem que a nossa representatividade da cidade está baixa”, disse.

Ele apresentou os números que sustentam a versão: a região tem apenas um deputado federal e quatro estaduais, enquanto, na comparação que fez, só a cidade de Criciúma, no Sul do estado, elegeu três federais. “Olha o tamanho do nosso colégio eleitoral, olha a importância econômica que tem a nossa região pra ter apenas um deputado federal”, questionou. Para o vereador, parte da culpa é interna: “uma parte disso é pela qualidade daqueles que alçaram o seu nome na política”. O entrevistador lembrou a aritmética eleitoral, já que convencer só Joinville bastaria para chegar à Assembleia. “Já seria o suficiente”, concordou.

Assista à entrevista completa

https://youtu.be/rljAD7uflpY

Segurança nas escolas: 164 unidades visitadas e o teste do botão de pânico

Questionado sobre sua principal bandeira, Tonelli respondeu que são “os meus valores” e se define como vereador conservador e de direita. Ele diz ter feito votos em todos os bairros de Joinville atuando em pautas distintas: a UPA Leste na zona Leste, infraestrutura na zona Sul e, na área rural, a oposição ao que chamou de “aquele parque nacional maluco que o governo federal quer fazer”.

O trabalho que ele elege como principal nasceu depois do ataque a uma escola em Blumenau. Segundo o vereador, enquanto Assembleia, câmaras e Congresso anunciavam audiências públicas, ele foi a uma dessas audiências em Joinville e concluiu que ninguém queria resolver o problema. “Tão fazendo um monte de elucubrações. É óbvio que isso pode ser uma frente, mas a gente precisa atuar na segurança real, porque uma coisa é você ter sensação de segurança, a outra é você dar segurança real”, afirmou.

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À época, conta, a prefeitura anunciava botões de pânico nas escolas como resposta. A pergunta dele foi outra: “E se o botão de pânico não funcionar?”. Tonelli propôs então visitar todas as 164 unidades escolares do município. Foi criada uma comissão especial temporária na Câmara, e ele pediu para ser o relator. “O pessoal me chamou de doido: ‘William, como é que nós vamos visitar 164 unidades escolares em 60 dias?’”. O entrevistador fez a conta ao vivo: 19 vereadores multiplicados pelos assessores dariam quase 180 pessoas para 164 escolas, o que daria para fazer em um dia. Tonelli visitou todas as unidades e entregou um relatório com medidas de curto, médio e longo prazo.

Na versão dele, o botão não funcionou. E, mesmo funcionando, o acionamento passaria pela central da empresa de vigilância, que só então avaliaria as câmeras e talvez chamaria uma viatura. “Só que até lá, meu amigo, já morreu uma quantidade enorme de pessoas”. Entre as falhas apontadas, ele destacou a ausência de treinamento de emergência: “Pegou fogo na escola, faz o quê? Você chega num CEI que tem 50 profissionais, 48 são mulheres. Elas receberam treinamento pra operar o extintor? Se precisar desenrolar a mangueira do hidrante, sabem como fazer?”. O entrevistador admitiu que também não saberia.

O contraditório da esquerda e a presença armada nas escolas

O entrevistador registrou o outro lado da discussão, lembrando entrevista anterior com um vereador do PSOL de Florianópolis, que defende uma sociedade sem armas e sustenta que quanto mais policiais nas ruas, mais insegura está a sociedade. “De certa forma, ele não tá errado, porque se a gente tem que ter um policial na frente de uma escola, é porque obviamente a sociedade não tá segura”, ponderou o jornalista, antes de contrapor o caso da mulher que não tem como reagir a um estupro: “Tá, mas a mulher morreu. O que que a gente faz? ‘Ah, vamo fazer uma audiência pública’”.

Tonelli disse ter testado na prática o argumento de que a presença de agentes armados intimidaria crianças. Segundo ele, as visitas foram feitas com a Guarda Municipal, com arma de fogo à cintura, e o efeito observado foi o oposto: “A Guarda Municipal entrava, as crianças iam abraçar o guarda municipal, ele não conseguia andar na escola”. Quanto menor a faixa etária, afirma, maior a aceitação. “Pode ser que nesse meio do caminho esse jovem vai ficando mais velho e vai entendendo que a polícia não é tão boa. Quem será que faz isso?”, provocou.

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Ambos fizeram a ressalva de que não se trata de banalizar armamento: a criança não vê um traficante com fuzil, mas “uma pessoa que tá claramente representando segurança”, um agente da lei. O entrevistador também relativizou a solução, sem hipocrisia: nem toda cidade terá botão de pânico com cinco policiais armados ao lado, esperando algo acontecer.

O trabalho virou o projeto Escola Segura, aprovado em 2024, e Tonelli afirma ter sido convidado a apresentá-lo no grupo de trabalho sobre segurança nas escolas do Congresso Nacional. Lá, segundo ele, o deputado federal Paulo Bilynskyj assistiu à exposição e comentou: “William, esse é o melhor trabalho sobre segurança nas escolas que eu já vi até agora”. O próprio vereador minimiza o feito: “Eu fiz um trabalho que a gente aprende na iniciativa privada: vamos estudar o problema e apresentar uma solução. Eu não inventei a roda”. “Na verdade, tu fizeste o básico”, resumiu o entrevistador. “Exatamente.”

“Um cartório de homologação”: a Câmara, a cassação e os dois pesos

Provocado sobre se Joinville é democrática, pergunta que o entrevistador classificou como capciosa, já que o vereador é do PL e a gestão municipal é do Novo, Tonelli respondeu apontando o caso recente de um colega cassado. “Onde um vereador foi cassado sem ter de fato agredido alguém, a gente pode dizer que não é tão democrática assim. A opinião de um dói, a de outro ele pode fazer o que ele quiser”, afirmou, referindo-se ao vereador Cleiton.

Como contraponto, ele citou o caso da vereadora Liliane da Frada, que, na versão de Tonelli, disse na tribuna que era bom que caçadores morressem, depois de um javali atacar um caçador. Ele afirma ter protocolado processo para levá-la ao Conselho de Ética, rejeitado pelos colegas. Perguntado sobre o motivo, respondeu: “Porque não quiseram. E aí o que ele fez lá incomodou e resolveram que era melhor calar a voz dele”.

Na votação da cassação, segundo o vereador, só ele e mais um votaram contra, e outros se abstiveram, inclusive o presidente da Casa. Cleiton perdeu o mandato. Ele detalhou a matemática: são 19 vereadores e maioria qualificada de dois terços, ou seja, 13 votos. “Se ele tivesse tido uma abstenção a mais ou um voto contra a mais, ele teria continuado. É uma pena”. O entrevistador concordou: “Pra democracia é saudável ter oposição”.

Para Tonelli, o problema é estrutural. “Na maioria da nossa Câmara representa o interesse da gestão. Não interessa se tá votando alguma coisa, se a gestão falar que é pra votar daquele jeito. E aí a Câmara acaba se tornando um cartório de homologação da prefeitura”. Questionado sobre o que fez contra isso, disse ter mantido atuação independente nos dois mandatos, votando conforme a convicção e denunciando o que considerava errado. Cita como exemplo a luta para revogar o aumento da taxa de lixo, que, segundo ele, chegou a 200% em alguns locais e veio por decreto quando deveria ter vindo por projeto de lei. Seu decreto legislativo para derrubar a medida foi rejeitado pelos colegas, mesmo com o que descreve como forte pressão popular.

“Perseguição”: do Conselho de Ética à PF e ao TSE

Ao afirmar que foi perseguido, Tonelli foi cobrado pelo entrevistador a dizer por quem. Ele situou a origem num debate sobre feminismo na tribuna. Segundo o vereador, ele contestou a tese de que a conquista do voto feminino foi obra do feminismo, citando Celina Guimarães Viana, primeira eleitora do Brasil, cujo título teria sido providenciado pelo marido. “Tem uma declaração de Celina dizendo: ‘o meu título de eleitor, meu voto não foi uma conquista minha, foi o meu marido que conseguiu pra mim’”, relatou. Vereadoras se sentiram ofendidas e, na leitura dele, “eu falei do feminismo, elas se identificaram como feministas e disseram: ‘não, o William tá me batendo’”.

Ele não recuou do restante do que disse, e repetiu na entrevista: “Eu disse que o feminismo é abortista, que é um movimento assassino, que quem defende o feminismo tá defendendo o assassinato de bebês, que o feminismo é uma coisa diabólica”. Perguntado sobre por que classifica assim, respondeu com um silogismo: “É porque é. O feminismo promove o aborto, o aborto é uma coisa diabólica, então o feminismo é diabólico”.

O desdobramento, na versão dele, foi uma representação de uma vereadora do partido que ele chama de “Partido das Trevas”, aprovada por dez votos para abertura de processo no Conselho de Ética, depois arquivado, com a Câmara concluindo que não houve agressão. A mesma peça, afirma, foi levada ao Ministério Público Estadual, migrou para a esfera eleitoral e chegou à Procuradoria-Geral da República. Tonelli diz ter prestado dois depoimentos à Polícia Federal, acusado de violência de gênero e misoginia por supostamente impedir as colegas de exercerem o mandato. Segundo ele, o procurador registrou: “Em momento algum o vereador impediu as vereadoras de exercerem o seu mandato, tanto que elas continuaram indo na Câmara”. O Ministério Público entendeu que as condutas eram ideológicas, e os dois processos foram arquivados sem chegar ao Judiciário.

Ele cita ainda uma vereadora que teria alegado problemas psicológicos por causa de sua atuação na tribuna. “Eu até pego um pouco mais leve com as mulheres do que com os homens em determinadas discussões, justamente pra ninguém vim me acusar de alguma coisa”, disse. E acrescenta um caso em curso: uma postagem sua no Carnaval, criticando um desfile que, segundo ele, retratou a família conservadora brasileira “numa lata” enquanto homenageava Luiz Inácio Lula da Silva, motivou ação da federação do PT no TSE. Daí a conclusão que faz: “A esquerda utiliza, sim, dessa ferramenta, que é o sistema judiciário brasileiro, pra perseguir pessoas. Os caras vão te perseguindo no Judiciário e tu fica gastando energia e tempo pra poder se defender”. Por isso, diz, evita acusações precipitadas: “Se eu não vi os autos, não vi materialidade, eu prefiro me abster”.

A ponte de R$ 400 milhões e o aditivo de quase R$ 100 milhões

Sobre a gestão de Joinville, Tonelli reconhece acertos e aponta erros de prioridade, como requalificações de asfalto que, segundo ele, poderiam ter dado lugar a outras obras. O caso mais concreto é a ponte municipal. A licitação foi vencida por R$ 296 milhões, mas, com aditivos, o custo já beira R$ 400 milhões. “Esses R$ 400 milhões, se fossem utilizados em outras obras de mobilidade, teriam muito mais efetividade”, avaliou, ressalvando que “não tô dizendo que a ponte não seja importante, ela é importante”.

Engenheiro civil, o vereador conta que analisou o edital e concluiu que a obra não poderia ser executada como previsto. Duas das quatro frentes de serviço dependeriam de balsa com guindaste para cravar estacas, mas o ponto ficava a 40 metros da margem do rio Cachoeira. “A balsa não ia conseguir chegar nunca no ponto de cravação, e 40 metros não tem nenhum tipo de equipamento que consiga lançar a partir de uma balsa”. Ao chamar os técnicos da prefeitura, diz ter ouvido que seria executado conforme o edital: “Ó, gente, desculpa, cês tão mentindo. Não vai executar conforme tá no edital”.

A ponte deveria ter sido inaugurada em maio deste ano. Em abril saiu a prorrogação, e o novo prazo de conclusão é outubro de 2027. A prorrogação, explica, obriga aditivos de custos fixos, como gerenciamento de obra, equipe de campo, energia e aluguel de equipamentos, despesas que correm executando ou não. O entrevistador cobrou a lógica do contrato: se a empresa assinou dizendo ter capacidade operacional, por que o cidadão de Joinville teria de arcar com quase R$ 100 milhões a mais? Tonelli concordou com a crítica: “A prefeitura deveria ter cobrado: ‘você afirmou que faria dessa forma, faça. Ou então, se for fazer diferente, eu não vou te pagar a mais’. Eles deveriam ter feito isso”. Não foi o que aconteceu.

O vereador afirma não saber como se deu a tramitação interna entre empresa e prefeitura e diz ter protocolado requerimento na semana anterior à entrevista pedindo toda a documentação, “pra gente entender quem é que decidiu o quê e por que que isso aconteceu”. Também pediu o cronograma detalhado, ainda não enviado. Perguntado se aposta que a obra termina no novo prazo, foi direto, “não acredito”, mas emendou a ressalva: “Não quero fazer aqui um pré-julgamento. Quero olhar a documentação e ver se aquilo condiz com a realidade”.

Provocado com a comparação com a ponte de Laguna, obra de custo exorbitante que já apresenta problemas, Tonelli recusou o rótulo de superfaturamento. Para ele, o que houve foi erro de projeto não corrigido antes do edital: “Você ia descobrir que a obra não ia custar 296, ia custar 350. Mas aí você já iniciaria a obra sabendo disso”. Explicou que a lei permite aditivar contratos em até 25%, e até 50% em reformas, porque intercorrências existem, como uma estaca projetada para 20 metros que precisa chegar a 25. “Não dá pra dizer que toda obra pública isso acontece. Tudo tem que ser investigado, tudo tem que ser fiscalizado”. Daí sua definição de mandato: “O nosso papel como parlamentar, seja vereador, seja deputado, seja senador, é a fiscalização do Executivo”.

Escola, sexualidade e a denúncia que ele decidiu não publicar

Tonelli usou um caso recente para defender que apuração vem antes de post. Ele recebeu a denúncia de um pai revoltado, dizendo que uma escola municipal estava dando orientação sexual à filha. Em vez de publicar, foi até a unidade e conversou com a diretora. O que encontrou era outra coisa: segundo ele, o posto de saúde havia alertado a escola de que “os alunos da sua escola estão vindo aqui com caso de DST. Está um índice altíssimo de crianças dessa escola com DST”.

O entrevistador cobrou posição direta sobre educação sexual, descartando de saída a “teoria da conspiração” de que alguém iria à escola “ensinar a criança a ser trans”. Relatou a própria experiência, aos 14 ou 15 anos, com uma palestra em que se ensinou a colocar preservativo: “Eu não vi nada demais na época, hoje também vejo da mesma forma. Acho que é muito mistificado isso e acaba sendo nocivo”. E lembrou casos de crianças de 14 anos estupradas que sequer sabiam o que estava acontecendo.

Tonelli respondeu que sua exigência é procedimental: comunicar previamente os pais, informar o conteúdo e permitir que decidam. “Eu sentiria à vontade se a escola falasse: ‘isso aqui que nós vamos apresentar pra sua filha’. Eu ia olhar o conteúdo e falar: ‘isso aí pra mim tá tranquilo’”. Traçou um limite claro para abordagens explícitas e concordou com a ressalva do entrevistador de que é preciso racionalidade na abordagem, sem repetir episódios como o do vídeo de palestra escolar que viralizou no Rio de Janeiro.

Ele transformou a posição em lei: aprovou projeto que obriga a comunicação prévia aos pais sobre qualquer material fora do currículo escolar em Joinville, para dar segurança moral, religiosa e sexual a cada família. O fato que apurou, diz, ocorreu antes da lei, e a diretora já havia adotado a prática por conta própria. Por isso respondeu ao denunciante que não levaria adiante. “Eu não digo que eu faço sensacionalismo. Eu digo que eu exponho a realidade dos fatos”.

O entrevistador ponderou o limite do modelo: há pais e pais, e boa parte negligencia não só a sexualidade dos filhos como a própria escolarização. Os dois convergiram que o mundo ideal seria aquele em que não se precisa ensinar isso a uma criança de 11 anos na escola. Para Tonelli, quando um posto de saúde precisa alertar sobre DST entre alunos, “não é a escola que errou, é a família que errou”. O jornalista discordou do tom pessimista sobre o alerta: “Eu acho que é um grito de desespero da saúde e, de certa forma, é bem positivo que a saúde tá monitorando isso”.

Moradores de rua, a secretária e o apoio a Jorginho Mello

A crítica mais dura de Tonelli à gestão municipal foi endereçada à Secretaria de Assistência Social, que ele descreve como “uma multiplicação de moradores de rua”. Segundo o vereador, a cidade saiu de cem para quase 1.500 moradores de rua mapeados. “A secretária que tá lá é péssima, está fazendo um péssimo trabalho, eu acho que a prefeita deveria demiti-la”, afirmou, citando o nome de Samuela. Ele enumerou os serviços ofertados, entre eles café, almoço, janta, roupa lavada, banho e casas de passagem espalhadas pela cidade, e questionou: “O problema só aumenta. Não tinha que ter diminuído o problema?”.

Ele também atacou o relatório de uma comissão especial da Câmara sobre o tema, que classificou de enrolação. “O relatório disse que Joinville estava de parabéns porque estava aplicando todos os programas do governo federal. Como é que os caras tão se orgulhando de Joinville estar fazendo todos os programas do PT pra morador de rua?”. O entrevistador registrou o contraponto de que, na visão da esquerda, acolhimento com comida, água e roupa lavada é exatamente a política defendida. Tonelli diz ter levado o alerta ao então prefeito Adriano Silva e ouvido que a gestão estava analisando e daria uma satisfação adiante. “Depois disso eu nunca mais tratei desse assunto com ele”.

Justamente Adriano Silva, que renunciou à prefeitura, é hoje pré-candidato a vice-governador na chapa que Tonelli apoia. Confrontado sobre o desconforto, ele inverteu a leitura: “Eu estava com o governador Jorginho Mello desde o primeiro turno em 2022. O Adriano veio agora pro nosso projeto. Então é ele que tá junto conosco”. Para reforçar a tese de que só há um campo de direita no estado, citou declaração de um pré-candidato a deputado federal do MDB de sua cidade, segundo quem, em um eventual segundo turno, todos os votos do PT e da esquerda iriam para João Rodrigues. “Se os votos da esquerda vão pro cara, então é um projeto de esquerda”, concluiu.

Pré-candidato a deputado estadual, cargo que o entrevistador definiu como “o vereador do Estado”, Tonelli foi cobrado sobre o risco de trocar a independência pela base governista, num estado em que parlamentares que eram leões no governo Carlos Moisés viraram dóceis depois. Ele garantiu que manterá a fiscalização, ainda que mude o tom: “É óbvio que eu vou fazer esse papel de fiscalização, porque senão o meu eleitor vai cobrar. Pode ter uma diferença na questão da comunicação: tô vindo aqui fiscalizar, resolvemos o problema, tá aqui a resolução”. O jornalista defendeu método parecido, contando que às vezes resolve um problema, como a falta de ar-condicionado numa escola estadual vizinha à redação, com três mensagens no mesmo dia, em vez de uma matéria de denúncia: “O objetivo final tem que ser esse. Não só fazer polêmica”.

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