“Primeiro tinha que beijar o pé do rei.” A frase, repetida duas vezes no palco da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), foi a imagem que João Rodrigues (PSD) escolheu para descrever o que, segundo ele, seria a relação do atual governo com deputados e prefeitos catarinenses. No discurso em que foi oficializado candidato ao governo do Estado, neste sábado (1º), em Florianópolis, o ex-prefeito de Chapecó fez a acusação mais dura da convenção: a de que convênios estaduais estariam condicionados à filiação partidária.
“Este governo que aí está priorizou o projeto partidário. Todo dia que ele recebia um deputado, de qualquer partido que fosse, primeiro tinha que beijar o pé do rei, depois uma ficha de filiação na gaveta”, disparou. Na sequência, o candidato afirmou que a liberação do convênio ainda dependeria de o prefeito comparecer pessoalmente ao governo.
A fala não citou nominalmente o governador Jorginho Mello (PL), que disputa a reeleição. Ainda segundo a versão apresentada pelo candidato, a promessa de entrega dos recursos seria empurrada para depois das urnas. “Não é possível que nós possamos aceitar isso”, afirmou.
“Bilhão contra o tostão”
O candidato encerrou o trecho com a frase que definiu como o espírito da disputa. “Nós vamos ganhar essa eleição. A campanha do bilhão contra o tostão”, disse, em referência à diferença de estrutura entre a máquina do governo e a campanha da oposição.
A acusação, que não veio acompanhada de provas durante o discurso, dialoga com um debate que atravessa a política catarinense desde o início do atual mandato. O PL ampliou fortemente sua base de prefeitos em Santa Catarina nos últimos anos, e o suposto uso de emendas e convênios como moeda de filiação já foi levantado por adversários do governo na Assembleia Legislativa. Em maio, o próprio João Rodrigues já havia afirmado, em vídeo, que o governo não pagaria os convênios prometidos aos prefeitos. O governo do Estado não se manifestou sobre as declarações deste sábado até a publicação desta matéria.
Aula de Goiás
No mesmo discurso, o candidato adotou tom de humildade ao falar da própria preparação para o cargo. “Eu não sei tudo, aprendi com a minha experiência de prefeito, mas eu estou buscando experiências melhores”, afirmou, citando visita a Goiás, estado governado pelo PSD até a saída de Ronaldo Caiado para a disputa presidencial. “O secretário de Saúde do governador de Goiás nos deu uma aula de como fazer gestão em saúde pública. Nos mostrou, e nós vamos adotar aqui.”
A chapa
A convenção realizada na Alesc deu a largada oficial na campanha de João Rodrigues pela aliança que reúne PSD, MDB, Progressistas e União Brasil. O deputado federal Carlos Chiodini (MDB) foi confirmado candidato a vice-governador, e a coligação leva ao Senado o senador Esperidião Amin (PP) e o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB).
O evento contou com a presença do candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, e do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, candidato a vice na chapa presidencial. No mesmo dia, na Arena Opus, em São José, o PL homologou a candidatura à reeleição de Jorginho Mello, com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro. A eleição está marcada para outubro.

































