Uma frase dita em uma reunião do governo federal em Brasília bastou para colocar policiais civis de todo o país contra o presidente. Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que muitos brasileiros têm “medo” de ir a uma delegacia devolver um celular roubado porque não sabem que tipo de policial vão encontrar, e a declaração rendeu uma sequência de notas de repúdio de associações de delegados e a reação do ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
A declaração foi dada na quarta-feira, 10 de junho, durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado “Conselhão”. Na ocasião, Lula apresentava um programa do governo federal para estimular a devolução de aparelhos roubados ou furtados, com o envio de notificações ao portador informando a origem ilícita do celular e a possibilidade de devolução em agências dos Correios.
Ao explicar por que preferia os Correios às delegacias, o presidente fez a afirmação que viralizou.
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Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial.
Na mesma fala, Lula ainda associou a compra de aparelhos roubados à população de baixa renda. Ele afirmou que “rico não compra telefone roubado”, mas que “os pobres compram”, e completou que “quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata”.
A reação dos delegados
A repercussão veio nos dias seguintes. Nesta segunda-feira, 15 de junho, a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, a Adepol, classificou a declaração como “inadequada, injusta e descontextualizada” e afirmou que a fala transmite à sociedade uma percepção equivocada sobre o trabalho realizado nas delegacias.
A entidade lembrou que a apreensão, a custódia e a análise de celulares usados em investigações seguem procedimentos rigorosos previstos em lei e submetidos à fiscalização do Poder Judiciário e do Ministério Público. Para a associação, a generalização feita pelo presidente pode enfraquecer a confiança da sociedade nas instituições policiais.
A reação não ficou restrita a uma única entidade. A Frente Parlamentar da Segurança Pública, presidida pelo deputado Alberto Fraga, classificou as declarações como ataques injustificados à honra e à credibilidade de milhares de policiais civis. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, o Sindpesp, e associações de delegados de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul também publicaram notas, afirmando que a fala desacredita as delegacias e os profissionais da Polícia Civil.
A resposta de Ulisses Gabriel
Em Santa Catarina, a reação mais direta veio do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ulisses Gabriel, que comandou a corporação entre janeiro de 2023 e março de 2026 e hoje é pré-candidato a deputado estadual. Nas redes sociais, ele rebateu o presidente com uma pergunta.
Que bandido que gosta de polícia?
Ulisses Gabriel afirmou ainda que as polícias são “a última barreira contra o caos social” e citou que a Polícia Civil é a instituição que mais inspira confiança entre os brasileiros, segundo levantamento recente.
Todo bandido e todo apoiador de bandido vive atacando as polícias. Só que elas são a última barreira contra o caos social.
Até a última atualização, o governo federal mantinha o programa de devolução de celulares pelos Correios e não havia recuado da proposta. As entidades policiais cobravam uma retratação pública do presidente.
































