Em 1981, uma pequena confecção montada na garagem de uma casa em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, começava a costurar as primeiras peças. Quarenta e cinco anos depois, o dono daquele negócio declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 613.221.298 e disputa uma das duas vagas de Santa Catarina no Senado.
Filho de agricultores e trabalhador da roça antes de empreender, Antídio Lunelli é candidato pelo MDB e concorre com o número 155. A declaração de bens entregue para as eleições deste ano coloca o empresário entre os patrimônios mais altos em disputa no país.
Da garagem ao grupo
A confecção de 1981 deu origem à Lunender e, depois, ao Grupo Lunelli. O conglomerado reúne marcas como Lez a Lez, Lunender e Hangar 33, mantém unidades no Brasil e no Paraguai e emprega mais de 5,2 mil pessoas.
Os negócios também avançaram para o agronegócio. Lunelli tem propriedades rurais, criação de bovinos e suínos e investimentos no setor frigorífico.
A curva do patrimônio
Os registros da Justiça Eleitoral permitem acompanhar a evolução do patrimônio a cada disputa. Em 2016, quando concorreu à prefeitura de Jaraguá do Sul, o empresário declarou R$ 280.449.036. Em 2020, na reeleição, o valor subiu para R$ 351.032.532. Em 2022, ao disputar a Assembleia Legislativa, chegou a R$ 390.033.569. Agora, na campanha ao Senado, informou R$ 613.221.298, uma variação nominal de 119% em dez anos.

O patrimônio já havia rendido destaque em levantamentos nacionais em 2022, quando ele apareceu entre os candidatos mais ricos do Brasil. Entre os bens declarados está um helicóptero avaliado em cerca de R$ 32 milhões.
Prefeitura e Assembleia
A entrada na política veio depois de a vida empresarial estar consolidada. Lunelli foi eleito prefeito de Jaraguá do Sul em 2016 e reeleito em 2020 com 70,66% dos votos, uma das votações mais expressivas do Norte catarinense naquele ano.
A gestão ficou marcada pelo controle de gastos, pela redução do peso da folha de pagamento no orçamento, pela ampliação dos investimentos e pela adoção de metas e indicadores na administração municipal, modelo que ele mesmo transportou da empresa para a prefeitura.
Em 2022, deixou o cargo antes do fim do segundo mandato para disputar a Assembleia Legislativa. Foi eleito deputado estadual com 74,5 mil votos, a terceira maior votação entre os eleitos em Santa Catarina.
A disputa pelo Senado
A candidatura foi confirmada na convenção do MDB, em chapa que apoia João Rodrigues ao Governo de Santa Catarina. A bandeira que o empresário diz querer levar a Brasília é a redução da carga de impostos e encargos sobre quem trabalha, tema que já vinha defendendo como deputado.
Eu quero ajudar a contribuir que esses R$ 10.000, no caso, vá para o operário e não fique só no governo
As duas vagas catarinenses no Senado serão decididas nas eleições de outubro. A declaração de bens de todos os candidatos permanece disponível para consulta pública no sistema da Justiça Eleitoral.
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