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Eleições 2026

“Mães estão morrendo no SUS”: candidata a deputada federal, Paulinha defende mudanças na saúde pública

Em entrevista ao Jornal Razão, a deputada estadual Paulinha (Podemos), candidata a deputada federal em 2026, defende a lei das 39 semanas, cobra a concessionária da BR-101 por mais de 500 descumprimentos e rebate o que chama de preconceito contra Santa Catarina.

“Mães estão morrendo no SUS”: candidata a deputada federal, Paulinha defende mudanças na saúde pública
Foto: Reprodução
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Deputada estadual e duas vezes prefeita de Bombinhas, Ana Paula da Silva, a Paulinha (Podemos), deu entrevista ao Jornal Razão, ao diretor Lorran Barentin, para falar da candidatura a deputada federal em 2026. Ela afirma que gestantes do SUS em trabalho de parto são mandadas de volta para casa antes das 41 semanas, defende que a mulher tenha o direito de escolher a cesariana como quem paga, cobra a concessionária da BR-101 por mais de 500 descumprimentos contratuais já levados à Justiça e diz que Santa Catarina sofre um “preconceito imerecido” que levou o Estado a ser vaiado em congresso nacional de prefeitos.

“Uma mulher de obsessões”

Ana Paula, conhecida como Paulinha, abriu a entrevista ao Jornal Razão recusando a autobiografia fácil. Disse que nunca sonhou em ser política e que entrou na vida pública sem prever, empurrada pelas causas que passou a defender. “Hoje eu me vejo como uma mulher de obsessões”, afirmou, ao explicar que persegue o que pode ser entregue em curto prazo. Aos 51 anos, contou que está na vida pública desde os 13 e que hoje preside o Podemos em Santa Catarina, partido pelo qual disputa uma vaga na Câmara dos Deputados.

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Ela também cobrou de si e do meio político uma postura menos silenciosa diante do que considera injusto. “Tenho problemas com o silêncio que ronda as injustiças, que eu acho que é tão danoso quanto aquele que prega a injustiça”, disse. Sobre o mandato na Assembleia Legislativa, resumiu o balanço em duas metades: “me sinto satisfeita pelo que a gente conseguiu construir e extremamente insatisfeita pelo que ainda falta fazer”.

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O balanço do mandato: 260 projetos e a lei do antigranizo

Segundo Paulinha, o mandato dela foi “o mais positivo da história do parlamento catarinense”, com mais de 260 projetos de lei apresentados e, na conta dela, entre 30 e 40 aprovados. Entre as normas que cita como resultado estão a lei do antigranizo, o Pix na travessia de ferry-boat entre Navegantes e Itajaí, a lei da cannabis medicinal, a lei da violência obstétrica e a Lei Melissa. O Jornal Razão questionou se essas leis saíram do papel, e a entrevistada respondeu que “algumas delas com toda certeza”, ponderando que a aplicação depende do Executivo e de reuniões de bastidor que “não aparecem na rede social”.

O programa antigranizo, explicou, funciona com a emissão de uma fumaça que sobe à atmosfera e dissolve ou reduz as pedras antes que atinjam a lavoura, protegendo também casas e veículos. De acordo com ela, o Estado financia hoje a ação, com mais de R$ 20 milhões previstos para este ano. A iniciativa nasceu em Caçador, a partir do trabalho iniciado em 2014 por um então vereador da cidade, e chegou às mãos dela em 2020, já como deputada. Paulinha afirma que a política foi transformada em programa estadual porque nem agricultores nem municípios tinham mais fôlego para bancar o custo.

O entrevistador provocou lembrando que o Pix no ferry-boat só virou realidade por lei, em pleno 2026. Ela concordou com a crítica, “o óbvio tem que ser dito e tem que ser feito”, e acrescentou que o primeiro programa estadual de apoio à pesca catarinense também saiu do gabinete dela.

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“O SUS está matando mulheres”: a acusação sobre o parto

A fala mais dura da entrevista é sobre obstetrícia. Questionada sobre a declaração de que o SUS estaria matando mulheres, Paulinha sustentou que o problema não é de dinheiro, mas de processo: “erra não por falta de financiamento, mas por falta de processo e protocolo”. Na versão dela, o erro no protocolo de atenção à gestante pode condenar mãe e bebê à morte ou deixar a criança com deficiência incapacitante, e o país, disse, não tem esses números.

Ela relatou que a gestante com 39 semanas, mesmo em trabalho de parto, é mandada de volta para casa quando a dilatação ainda é pequena, para retornar só com 41 semanas completas, cálculo que classifica como impreciso. “Está errado, mas eles fazem isso”, afirmou. A bandeira que chama de questão de honra é a lei das 39 semanas: a partir dessa marca, segundo ela, a mãe do SUS deveria ter o mesmo direito de quem paga, o de levantar a mão e dizer que não aguenta mais, por razões físicas, emocionais ou psicológicas. Hoje, afirma, “a discricionalidade do parto depende da orientação médica”, e a mulher que entra pela porta do SUS não escolhe.

Paulinha descreveu o que considera a rotina do erro: exames de toque repetidos, monitoramento apenas por cardiotocografia, ausência de um ultrassom barato que revelaria, por exemplo, que o bebê não vai sair daquela posição, e mães que passam seis a oito horas sem visita de obstetra, sob responsabilidade de técnicas de enfermagem sobrecarregadas. Acrescentou que cesarianas privadas programadas ocupam a sala de parto e empurram a gestante do SUS para uma espera que “não é no tempo que o corpo da mãe e do bebê precisam”. O entrevistador ponderou que a enfermeira, além daquela mãe, cuida de dezenas de casos ao mesmo tempo; ela concordou e falou em subdimensionamento de equipes.

O Jornal Razão questionou o custo da proposta para o Estado, já que uma cesárea particular pode custar R$ 10 mil. Ela rebateu que a cesariana pelo SUS custa muito menos, porque o médico, a enfermeira e a técnica são contratados por salário e não recebem por parto, e a sala já existe. Ressalvou, mais de uma vez, que “quando a mulher pode ter o parto normal, é sempre muito melhor”, e disse concordar que o índice de 57% de cesarianas no país é alto.

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Para explicar por que nada muda, apontou dois fatores: falta de empatia e de diálogo com quem usa o serviço, e a lógica estatística. Uma taxa de nascidos mortos de 3% a 4% é considerada admissível pela OMS, observou, mas se esses 3% significam 20 ou 30 bebês em Santa Catarina, “para a estatística da construção da política não importa; mas para aquelas 30 famílias importa”.

A história por trás da Lei Melissa

Leia também: Pai virou caminhoneiro para chorar sozinho pela filha que morreu no parto: caso inspirou a Lei Melissa em SC

A entrevistada contou o caso que originou a Lei Melissa. Segundo ela, Raquel, a mulher que levou a pauta ao gabinete, perdeu a filha, um bebê de 4,2 kg, durante a pandemia, há cinco anos, quase morreu e perdeu o útero. Enquanto a equipe tentava salvar a vida da mãe, o pai foi sozinho ao enterro da filha. Depois, mudou de profissão e virou motorista de caminhão em viagens longas, no relato dela, para poder chorar longe de casa, onde precisava ser forte pela mulher e pelos outros filhos.

“Ele não se perdoa por não ter feito um escândalo, não ter chamado a polícia, não ter tirado a Raquel dali”, disse. Paulinha fez questão de registrar a contrapartida: “eu não acredito que nem um hospital, nem um médico, nem uma enfermeira quer devolver um filho morto pra mãe”. Afirmou que o projeto foi redesenhado com ajuda da atual presidente do CRM catarinense, médica obstetra, ouvindo prós, contras e categorias, mas cobrou: “o CRM não pode também ser protecionista”. Sem admitir a falha e sem números, argumenta, não há como corrigir.

Ela também defendeu mudanças no pré-natal. Muitas gestantes, disse, nunca consultam com médico, só com a equipe de enfermagem. A proposta é que pelo menos a última consulta seja feita por um médico, ainda que clínico geral, e que dela saia uma carta ao hospital sinalizando comorbidades, como diabetes, hipertensão, pré-eclâmpsia e cirurgias prévias, e o risco de uma espera longa pelo parto normal. “Essa carta nunca chega. Não tem uma relação de diálogo”, afirmou.

“O SUS é o melhor plano de saúde do mundo”, e o que falta

Confrontada com a frase corrente de que “o SUS é uma merda”, Paulinha discordou frontalmente: “o SUS é o melhor plano de saúde do mundo”. Comparou com os Estados Unidos, onde, segundo ela, um atendimento hospitalar custa valores impagáveis para o brasileiro médio. Para ela, a diferença não está no sistema, e sim na execução: “por que que o SUS é ruim numa cidade e é bom na outra? É o mesmo SUS, é o mesmo recurso; aí é a capacidade do gestor”.

Ela apresentou Santa Catarina como caso à parte pela capilaridade hospitalar: são 295 municípios e mais de 180 hospitais, a maioria comunitários, herança das comunidades formadas por imigrantes que erguiam praça, hospital e igreja. Apenas cerca de 19 ou 20 seriam públicos, municipais ou estaduais, número que ela mesma ressalvou poder variar. Foi essa rede, na avaliação dela, que fez o Estado entrar e sair antes da pandemia de covid-19.

Sobre o financiamento, afirmou que a tabela SUS está defasada e que o valor pago por uma cirurgia de coluna é “tão ridículo que não tem como ser atraente”. Santa Catarina, disse, criou uma política complementar de recursos que remunera o hospital conforme a produção e o nível de complexidade dos serviços, modelo iniciado no governo Moisés e aprimorado pelo atual secretário estadual de Saúde, mantido no cargo pelo governador Jorginho Mello (PL). A entrevistada afirmou que a Secretaria da Saúde foi pedida por partidos da base para manter a aliança, e que a decisão de manter um nome técnico foi um acerto. Ao ser lembrada pelo entrevistador de que quem manda na pasta “consegue ajudar muita gente”, respondeu: “mas ela tem que funcionar o melhor possível pra todos, e não só pra alguns”.

Bombinhas: a fila de madrugada e a “fadinha do dente”

Como exemplo de gestão, Paulinha recorreu ao período em que foi prefeita de Bombinhas. Contou que, ao assumir, encontrou moradores na fila às três e quatro da manhã atrás de uma ficha com o clínico geral. No terceiro mês, fechou as unidades de saúde, manteve os plantões e reuniu todos os servidores num auditório às quatro da tarde, de agente comunitário a médico. Abriu a reunião com uma frase: “quem tá morrendo lá fora são os nossos pais, são os nossos avós; e, honestamente, se vocês não me ajudarem, eu não sei o que fazer”. Daquele dia em diante, afirma, ninguém mais buscou ficha de madrugada no município.

Ela atribui ao método o resultado que reivindica: por quatro anos, segundo ela, Bombinhas teve a saúde mais premiada do Brasil entre municípios de até 25 mil habitantes. Um dos gargalos era a meta federal de atendimento odontológico infantil, nunca batida, e cujo descumprimento reduz repasses. A solução veio de uma dentista da rede, que propôs trocar um turno da manhã por um atendimento noturno, de forma voluntária, sem adicional. O programa ganhou nome e foi anunciado por ela própria no rádio, a pedido da prefeita. “Fazer gestão é permitir que as pessoas mostrem pra sociedade o trabalho delas também”, disse. A meta, afirma, foi batida, e todas as demais também.

Paulinha creditou parte do desempenho ao trabalho conjunto com Paulinho, que foi secretário de Saúde por cinco anos, e à fé. “Ninguém faz porra nenhuma nesse mundo sozinho”, resumiu. Ela também apontou um problema do outro lado do balcão: cerca de 30% das pessoas marcam consulta e não comparecem. O Jornal Razão ponderou que parte disso decorre da demora no agendamento; ela concordou em parte, mas atribuiu o problema principalmente ao método e à perda de confiança.

BR-101: 500 descumprimentos e multa de R$ 9 milhões

Paulinha afirmou acompanhar a BR-101 com profundidade técnica desde 2013 e disse que a concessionária acumula mais de 500 descumprimentos contratuais, com concessão que ainda se estenderá por cerca de sete a oito anos a partir de 2025. Segundo ela, a mobilização começou em 2022, quando Paulinho presidia a Amfri, e reuniu municípios da região numa ação judicial, com apoio logístico do gabinete dela.

Quatro anos depois, contou, saiu a decisão: a Justiça Federal condenou a concessionária a pagar R$ 9 milhões por danos morais aos moradores, divididos entre dez municípios. Para ela, o dinheiro é o que menos importa. “Me interessa que a outra penalidade é obrigação de fazer”: em 30 dias, a empresa teria de apresentar, junto ao órgão regulador, um plano efetivo de melhorias, sob pena de multa diária de R$ 9 mil. A apresentação estava marcada para o dia da gravação. Ela citou como exemplo de obra viável a conexão das marginais em Itajaí, capaz, na avaliação dela, de melhorar o tráfego em 30%.

O entrevistador confrontou a proporcionalidade da punição: comparou com o devedor de pensão alimentícia, que vai preso, e questionou se R$ 9 milhões e R$ 9 mil de multa diária não seriam “troquinho” diante do que a concessionária arrecada em pedágio. Paulinha não defendeu a empresa. “Esse país tá uma palhaçada, porque vale a pena ser bandido; quem é bandido mesmo tem mais vantagem do que o honesto”, respondeu, e emendou que o problema central é a política que faz reunião e não entrega obra: “quem faz isso na política? Quase ninguém”.

Prisão perpétua sim, pena de morte não

Questionada diretamente sobre como votaria em Brasília, Paulinha disse ser favorável à prisão perpétua para estupradores. Já a pena de morte, descartou por convicção religiosa: “pena de morte é contra os meus princípios religiosos, não consigo. Sou cristã”, ainda que admita, como mãe, a vontade de reagir diante de crimes contra crianças. Defendeu que o condenado trabalhe e citou o sistema prisional catarinense, com unidades que ofertam atividade laboral, como referência.

Ela criticou a remição de pena aplicada sem critério e narrou o caso, que apresentou como real, de um condenado por estupro beneficiado por saída temporária que teria voltado a cometer crimes graves. “A ressocialização tem que ser levada a sério, mas não pra qualquer crime, não pra qualquer um e não de qualquer jeito”, afirmou. O entrevistador ponderou que, em ano eleitoral, o tema costuma render demagogia.

Pacto federativo: “recebemos 12,5% do que entregamos”

A candidata defendeu a revisão do pacto federativo, com margem para políticas distintas conforme a realidade regional, e citou como exemplo a estrutura climática das escolas, que não pode ser a mesma no Nordeste e no Sul. Fez a ressalva de que é contra qualquer fracionamento do país: “eu sou brasileira, esse país não pode ser fracionado; nunca concordei com esse discurso”.

No campo fiscal, apresentou números que considera injustos: segundo ela, Rio Grande do Sul e Paraná recebem de volta 27,5% do que entregam em impostos, enquanto Santa Catarina fica com 12,5%. Ela também reconheceu os limites do cargo que disputa: “eu não consigo dizer pras pessoas que eu vou mudar isso ou aquilo sabendo que eu vou ser um voto de 513”, afirmando que pretende articular com parlamentares de outros partidos e estados.

“Nosso Estado foi vaiado”: o preconceito contra Santa Catarina

Um dos trechos mais longos da conversa tratou da imagem do Estado. Paulinha afirmou que Santa Catarina está sob um “preconceito imerecido” e relatou que, no último congresso de municípios, foi a primeira vez na história que o nome do Estado foi vaiado. Citou ainda a repercussão do episódio das cotas no fim do ano passado e comentários de pessoas dizendo que não voltariam ao litoral catarinense.

Ela atribuiu parte do problema a parlamentares presos a pauta ideológica. Sem personalizar, disse que Santa Catarina tem dois deputados federais do PT, uma bancada do PL que classificou como radical, e um contingente de moderados silenciado. “Não tem ninguém que levanta e diz: essa voz aí representa 200 mil catarinenses; nós somos 8 milhões”, afirmou. Lembrou também que Bolsonaro venceu em outros estados e fez mais votos em outros lugares, questionando por que só os catarinenses “apanham como se todos os preconceituosos do mundo morassem em Santa Catarina”. Reconheceu que há gente racista no Estado, “muitos lugares têm”, mas negou que isso defina a população.

Lorran Barentin trouxe a leitura do jornalismo: contou que uma atleta catarinense que correu mais de 800 quilômetros em sete dias foi noticiada por grande portal apenas como “brasileira”, enquanto atletas de outros estados costumam ser identificados pelo gentílico. Relatou também a enxurrada de críticas quando o Jornal Razão publica a origem de um criminoso catarinense. Paulinha respondeu que não tinha percebido esse recorte e concordou com o diagnóstico: “é como se quisessem nos tirar o direito de ter orgulho do que somos”.

Ataques a escolas, telas e a “rede de proteção masculina”

A entrevistada disse manter há quatro anos um comitê dedicado à prevenção de ataques em escolas, formado não só por polícias e educação, mas por pessoas que viveram a dor. Citou o crescimento de 360% no número de notícias de ataques a escolas de 2023 para cá e afirmou que o resultado catarinense se deve a um trabalho invisível, que não pode ser detalhado publicamente. Lembrou os casos de Blumenau e Saudades, e a comoção de ver a escola, para ela o lugar mais sagrado da sociedade, virar alvo.

Ela associou parte da crise ao ambiente familiar e ao uso de telas por crianças, propondo lançar um programa chamado Escola de Pais, com podcasts curtos, de 8 a 15 minutos, para pais ouvirem no deslocamento ao trabalho. Apontou o adoecimento precoce, com ansiedade, depressão e síndrome do pânico em crianças de 5 e 6 anos, e a automutilação entre meninas como sinais de uma geração fragilizada. Afirmou ainda que professor é hoje a profissão com maior número de afastamentos por depressão no país, e cobrou os pais: “a escola não pode resolver a educação do teu filho”.

No mês do Agosto Lilás, contou o caso de uma vereadora de Indaial, sua amiga, que se separou de um ex-prefeito hoje candidato a deputado estadual. Segundo ela, a mulher obteve medida protetiva e segue sofrendo pressão psicológica e descredibilização meses após o fim do casamento. Paulinha optou por não revelar o nome dele, reconheceu, inclusive, que “foi um baita prefeito”, e disse que o alvo do texto que pretende publicar é outro: “a rede de proteção masculina, um tema que a gente não quer tocar”. No entorno do agressor, argumenta, ninguém chama o parente no canto para dizer que aquilo está errado. Ressalvou também que denunciação caluniosa “acaba com a vida de alguém” e precisa ser corrigida.

Perguntada se o mundo está melhor ou pior, respondeu que está melhor: as mulheres passaram a ter coragem de romper relacionamentos ruins e há hoje quem se revolte com o que antes acontecia em silêncio. “Tudo isso acontecia e não era noticiado”, disse.

A candidatura: “não é a mais legal, é a mais necessária”

Paulinha afirmou que a candidatura federal é mais dura do que seria repetir a disputa estadual, e que a decisão veio junto com a presidência do partido, que diz ter aceitado a contragosto. Contou que, às vésperas da convenção de 1º de agosto, o meio político apostava que ela não teria chapa, e que o grupo fechou chapa completa de estadual e federal. “Eu não tô aí pra ser usada por grupo político nenhum mais”, afirmou, lembrando que o PDT, seu primeiro partido, a expulsou.

Ela rejeitou tanto o voto por região quanto o voto por gênero. Observou que o último deputado federal eleito na região foi Leonel Pavan, há 32 anos, e que a ausência de representação pesou na discussão da BR-101, mas emendou que não é por isso que quer votos, citando como exemplo uma emenda de R$ 600 mil destinada a um posto aduaneiro em Paraíso, no extremo oeste, para construir banheiro para turistas. Sobre mulheres na política, foi direta: são poucas e precisam ser mais, “mas eu não acho que ninguém deve ser votado só porque é mulher”.

Ao fim, resumiu o método que diz aplicar às mais de 60 pautas do gabinete: estudar cada uma a fundo e ouvir. “Eu falo bastante, mas eu faço uma coisa em escala: eu ouço mais”. E definiu a disputa de 2026 nos próprios termos: “ser deputada estadual era um passeio ao lado de casa. Não é a coisa mais legal do mundo ser deputada federal pra mim, mas é a mais necessária pro meu estado”.

As melhores frases

“Quando a gente erra no protocolo de atenção a uma grávida, a gente acaba condenando uma mãe e um bebê perfeito à morte”

“A mãe com 39 semanas, se ela está em trabalho de parto, mesmo assim ela é mandada para casa, para voltar com 41 semanas completas”

“Tu entrou pela porta do SUS? Tu não pode escolher”

“Para a estatística da construção da política não importa. Mas para aquelas 30 famílias importa”

“Está tudo errado quando um cidadão precisa recorrer a um parlamentar para ter o seu direito assistido na porta de um hospital”

“O CRM não pode também ser protecionista. Quando morre um bebê, se foi falha do hospital, essa falha tem que ser assumida”

“O SUS é o melhor plano de saúde do mundo. É o mesmo recurso: aí é a capacidade do gestor”

“Quem tá morrendo lá fora são os nossos pais, são os nossos avós. Se vocês não me ajudarem, eu não sei o que fazer”

“A gente não muda política sem escuta. Primeiro, tu tem que escutar quem opera a política”

“Esse país tá uma palhaçada, porque vale a pena ser bandido: quem é bandido mesmo tem mais vantagem do que o honesto”

“Foi a primeira vez na história que, quando se falou o nome de Santa Catarina, o nosso estado foi vaiado”

“Eu não consigo dizer que vou mudar isso ou aquilo sabendo que eu vou ser um voto de 513”

“Ninguém faz porra nenhuma nesse mundo sozinho. E isso não pode ser discurso clichê, tem que ser prática”

“Não é a coisa mais legal do mundo ser deputada federal pra mim, mas é a mais necessária pro meu estado”

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