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Moradora conta episódio inusitado com celular esquecido e mostra por que Brusque é a cidade mais segura do país

A moradora deixou o aparelho em um banco no Centro de Brusque por volta do meio-dia e o encontrou intacto uma hora e meia depois. O município lidera o ranking nacional de cidades mais seguras, com 1,43 morte a cada 100 mil habitantes.

Moradora conta episódio inusitado com celular esquecido e mostra por que Brusque é a cidade mais segura do país
Foto: Reprodução
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O celular ficou ali, sozinho, num banco no Centro de Brusque, a poucos metros de uma escola. Era mais ou menos meio-dia. A dona do aparelho seguiu a rotina sem perceber nada: buscou os filhos na saída da aula e foi almoçar com a família. Só na mesa do almoço a ficha caiu.

“Eu almoçando, eu falei: esqueci meu celular, eu acho que lá no banco”, contou a moradora, empresária que vive na cidade, no vídeo que ela mesma publicou nas redes sociais.

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O relógio já marcava por volta de uma e meia da tarde quando ela voltou ao ponto exato onde tinha sentado. Uma hora e meia depois, numa rua movimentada do Centro, em horário de saída de escola e de almoço, o aparelho continuava lá. Ninguém tinha levado.

Agora é uma e meia da tarde. Eu vim aqui pegar meu celular. Adivinha? Tava ali.

A empresária abriu o vídeo com uma frase que resume o que veio depois: “a tranquilidade que é morar em Santa Catarina”. E encerrou com um elogio direto à cidade onde mora: “ai, como eu amo aqui”.

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O caso é pequeno, cotidiano e não gerou boletim de ocorrência. Mas encaixa em um dado que colocou Brusque no topo do país.

O que os números dizem

Brusque conquistou o título de cidade mais segura do Brasil segundo o Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil, levantamento da consultoria MySide feito com base em dados do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa registrada pelo município foi de 1,43 morte a cada 100 mil habitantes, a menor do país.

O salto foi expressivo. No levantamento anterior, o índice de Brusque era de 4,0 e a cidade ocupava a 13ª posição no ranking nacional. Em uma edição, o município subiu doze posições e cortou o indicador em quase dois terços.

O estudo considera apenas municípios brasileiros com 100 mil habitantes ou mais, porque cidades menores ficam mais sujeitas a distorções no indicador de assassinatos. A classificação de mortalidade segue o padrão CID-10, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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O pódio inteiro é catarinense. Brusque, Jaraguá do Sul e Tubarão formam o top 3 nacional, com índices de 1,4, 2,2 e 2,8 homicídios a cada 100 mil habitantes, respectivamente. Blumenau aparece em 12º, Palhoça em 22º e Criciúma em 29º. Florianópolis foi apontada como a capital mais segura do Brasil.

O estado puxa o índice

O desempenho de Brusque não é um ponto fora da curva dentro de Santa Catarina. O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, colocou o estado na liderança nacional com taxa de 8,8 homicídios estimados por 100 mil habitantes, à frente do Distrito Federal (10,8) e de São Paulo (12,8). A média brasileira ficou em 23,4.

Os indicadores mensais reforçam o cenário. Santa Catarina registrou 22 homicídios em maio de 2026, o menor número para o mês desde o início da série histórica, em 2008. O resultado representa uma redução de 42,1% em relação a maio de 2025, quando foram contabilizados 38 casos. Na comparação com maio de 2017, quando o estado somou 90 registros, a queda chega a 75,6%.

O mapa da violência letal também encolheu. Em março de 2026, 264 das 295 cidades catarinenses não registraram nenhum homicídio, cerca de 90% dos municípios do estado.

Os crimes contra o patrimônio seguem a mesma linha. O indicador de roubo caiu 27,1% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, passando de 512 para 373 ocorrências. Frente a janeiro de 2017, a redução chega a 77%.

A cidade por trás do dado

Brusque fica às margens do Rio Itajaí-Mirim, no Vale do Itajaí, tem cerca de 141 mil habitantes e carrega o título de Berço da Fiação Catarinense. A vocação têxtil e o comércio de atacado sustentam a economia local e atraem visitantes o ano inteiro.

O indicador social acompanha o de segurança. Conforme a Prefeitura de Brusque, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município chegou a 0,805 em 2023, acima da média catarinense, de 0,781, e da média nacional, de 0,727.

É esse conjunto que transforma um celular esquecido num banco de rua em assunto de vídeo. Em boa parte do país, a história terminaria com um registro de furto. Em Brusque, terminou com a dona do aparelho filmando o próprio alívio.

O secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Flávio Graff, afirmou que os resultados apontam para um primeiro semestre de 2026 com números inéditos na redução da violência letal em Santa Catarina. Os dados consolidados do período seguem em divulgação pelo governo do estado.

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