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Enquanto Vorcaro oferece delação, Moraes, Gilmar, Zanin e Fachin são flagrados às gargalhadas no STF

Fotógrafo Brenno Carvalho, do jornal O Globo, registrou os quatro ministros rindo juntos após a sessão desta quarta-feira (2), a primeira do tribunal desde que André Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que detalha a proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master. No plenário, nenhum magistrado tocou no assunto.

Quatro ministros do STF rindo em pé em corredor do tribunal
Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin em momento de descontração após a sessão do STF desta quarta-feira (2) — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
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Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin apareceram rindo juntos após a sessão do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira (2), poucas horas depois de o relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master vir a público. A cena foi registrada pelo fotógrafo Brenno Carvalho, do jornal O Globo. A imagem circulou nas redes sociais na mesma noite e virou o retrato de uma crise que o tribunal, em público, escolheu não comentar.

A sessão foi a primeira do Supremo depois da revelação das mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Moraes. Nenhum dos magistrados abordou o tema no plenário. Não houve manifestação pública, e os ministros discutiram sob aparente normalidade dois casos tributários que já estavam pautados para o dia. A crise instalada na Corte depois de André Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF simplesmente não entrou na ordem do dia.

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A normalidade do plenário contrasta com o clima dos bastidores. Um ministro ouvido pelo Globo sob reserva definiu o ambiente na Corte como “tenso” diante dos últimos desdobramentos do caso Master, e avaliou que a tensão era esperada diante da escalada da crise e de seus reflexos internos. Chamou atenção também o reforço na segurança: havia mais policiais judiciais no Salão Branco do que o usual em dias de sessão, e os ministros circularam acompanhados por mais seguranças.

O relatório que abriu a crise

O documento que provocou tudo isso foi produzido pela própria PF por determinação de Mendonça, relator das investigações sobre o Master, a partir da análise do celular de Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero. O relatório reúne diálogos que fazem referência a Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. As mensagens detalham contatos e articulações do banqueiro num momento em que o banco enfrentava pressão de órgãos de investigação e fiscalização.

Uma das conversas de maior repercussão registra Vorcaro afirmando que precisava da “proteção” de “Andrei e Paulo”. A Polícia Federal identificou as referências como sendo ao diretor-geral da corporação e ao procurador-geral da República. Em outra mensagem, de 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão, o banqueiro escreveu ao ministro: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?”.

A revelação chega em meio a um desgaste que já vinha se acumulando entre Mendonça e integrantes da Polícia Federal. Como relator, o ministro adotou uma série de medidas que provocaram incômodo na cúpula da corporação e repercussão entre os próprios colegas do Supremo. Andrei Rodrigues acionou a Advocacia-Geral da União para tentar derrubar determinações que considera interferência na autonomia da PF, iniciativa à qual o advogado-geral Jorge Messias tem resistido.

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PGR quer anular o documento

Mendonça também enviou o material à PGR e deu prazo para que Gonet se manifestasse. Ainda na noite de terça-feira, o procurador-geral respondeu defendendo a anulação do relatório produzido pela PF. Na avaliação do PGR, o ministro extrapolou suas atribuições ao determinar que a corporação aprofundasse a apuração sobre as mensagens envolvendo Moraes sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.

Gonet sustentou que uma eventual investigação envolvendo um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte. Para ele, as determinações de Mendonça e os elementos obtidos a partir delas estariam sujeitos a uma “dupla nulidade”. O procurador-geral defendeu ainda a interrupção das investigações decorrentes dessas ordens.

Mesmo antes da manifestação da PGR, Mendonça sinalizou que pretende levar a discussão ao colegiado. O presidente do STF, Edson Fachin, iniciou conversas individuais com ministros da Corte para medir o ambiente interno antes de decidir o destino do pedido de apuração que envolve Moraes. Segundo interlocutores do tribunal, as consultas ocorrem diante de pressão interna para que Fachin evite tomar sozinho uma decisão sobre uma questão considerada divisiva e submeta o tema ao plenário.

Uma das alternativas discutidas é justamente levar o pedido ao colegiado, ainda que não haja maioria entre os ministros favorável à abertura de uma investigação contra Moraes. Nessa leitura, uma decisão coletiva permitiria ao Supremo dar uma resposta institucional ao episódio e dividir entre os integrantes da Corte o ônus de uma definição sobre o caso.

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Vorcaro tenta transformar o que sabe em moeda

Do outro lado do tabuleiro, o próprio Vorcaro tenta negociar. Preso na Papudinha desde junho, o ex-banqueiro prestou na semana passada um depoimento gravado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, sem a presença da PF, no qual sinalizou disposição de citar Andrei Rodrigues em uma nova proposta de colaboração premiada. Ele acusou a corporação de barrar a delação para proteger o diretor-geral e disse ter sofrido intimidações sob custódia.

A Polícia Federal sustenta que não há “interesse técnico” na proposta porque o material não traz fato novo. Interlocutores de Andrei Rodrigues afirmam que ele e o banqueiro se encontraram uma única vez, casualmente, em um evento em Londres, em abril de 2024. A defesa aguarda há 20 dias uma posição da corporação sobre a terceira proposta de delação.

O caso tem um fio catarinense. Na CPI do Senado, um depoente explicou que o esquema inflava artificialmente o patrimônio das instituições e citou como exemplo a superestimação de ativos sem valor do antigo Banco do Estado de Santa Catarina, o Besc, incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Segundo a investigação, fundos ligados à estrutura de Vorcaro usaram recursos para adquirir certificados de ações do antigo banco catarinense, papel considerado praticamente sem valor no mercado. Com o balanço maquiado, o Master captava mais CDBs e o rombo crescia, buraco hoje estimado em R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, o maior da história do fundo.

Nos próximos dias, três decisões definem o rumo da crise: a resposta de Fachin sobre levar ou não o pedido ao plenário, o desfecho da disputa entre Mendonça e a PGR sobre a validade do relatório da PF, e o posicionamento da Polícia Federal sobre a terceira proposta de delação de Vorcaro. Procurado, o advogado do ex-banqueiro, Daniel Bialsky, disse que não vai se manifestar.

Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

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