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Eleições 2026

“Sentimento de ser órfão de um pai vivo”, diz Carlos Bolsonaro após Moraes vetar visita no Dia dos Pais

Um dia depois de Moraes julgar prejudicado o pedido de visita, Carlos Bolsonaro gravou mensagem em que fala da filha, da doença do pai e da proibição de vê-lo.

“Sentimento de ser órfão de um pai vivo”, diz Carlos Bolsonaro após Moraes vetar visita no Dia dos Pais
Foto: Reprodução
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Ele aparece de camiseta clara, leva a mão ao peito e demora alguns segundos até conseguir formular a frase. No vídeo publicado neste domingo (9), Dia dos Pais, Carlos Bolsonaro fala da filha de três anos e meio e do pai que está proibido de visitar. “É uma data que me faz sentir um turbilhão aqui dentro”, diz o ex-vereador, um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes negar o pedido para que ele e os irmãos vissem Jair Bolsonaro na casa em Brasília onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.

A gravação é construída sobre dois sentimentos opostos. De um lado, ele se diz feliz por passar a data com a filha, que descreve como “a razão da minha esperança no futuro”. De outro, aparece a restrição judicial: “a tristeza de um filho que sabe que o pai está doente, passando por um período dificílimo, mas está proibido de vê-lo”.

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A dor que rasga o peito

“É uma dor que não para e não passa. Ela rasga o meu peito”, afirma no vídeo. Em seguida vem a frase que virou o centro da publicação e se espalhou pelas redes ao longo da manhã.

“É um sentimento de ser órfão de um pai vivo. Não desejo isso para ninguém.”

No trecho final, o ex-vereador se dirige diretamente ao pai. “Pai, meu herói e meu farol. Aguenta firme”, diz, antes de afirmar que a família segue captando as energias de quem apoia o ex-presidente e devolvendo essa energia a ele. “Teu exemplo nos inspira. Eu te amo.” A gravação termina com uma mensagem registrada pela menina.

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A publicação recebeu comentários de parlamentares e de apoiadores, que trataram a restrição como injustiça e enviaram mensagens de apoio ao ex-vereador e ao pai.

Por que a visita foi negada

Em despacho assinado no sábado (8), Moraes julgou prejudicado o pedido apresentado pela defesa na quarta-feira (5) para que Flávio, Carlos e Jair Renan visitassem o ex-presidente na data. O ministro apontou que uma decisão anterior, de 17 de julho, já havia suspendido por 30 dias todas as visitas, com exceção de atendimentos médicos, sessões de fisioterapia e encontros com advogados regularmente constituídos. Como o prazo não expirou, não houve exceção. Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, não foi incluído no pedido.

Os advogados haviam argumentado que o encontro teria finalidade humanitária e familiar, com o objetivo de preservar o vínculo entre pai e filhos, e que a visita poderia ocorrer nas condições que o próprio ministro estabelecesse.

Entenda o caso

A suspensão das visitas foi decretada depois que Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai, chamada de “Carta aos Brasileiros”, em que o ex-presidente trata do cenário eleitoral e declara apoio à candidatura presidencial do senador. Uma das medidas cautelares em vigor proíbe que manifestações de Bolsonaro sejam divulgadas em redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Na mesma decisão, Moraes vedou visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026, suspendeu por 90 dias especificamente as visitas de Flávio e encaminhou ao Ministério Público Eleitoral a determinação para apurar possível propaganda eleitoral antecipada envolvendo o senador. Relembre a decisão que barrou o encontro em Moraes nega pedido da defesa e Bolsonaro não poderá receber os filhos no Dia dos Pais em Brasília.

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No sábado, logo após o despacho, Flávio também usou as redes para criticar a decisão. “Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos”, escreveu o senador, que é pré-candidato à Presidência da República.

Como Bolsonaro chegou até aqui

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília desde março, quando a medida foi concedida por razões de saúde após um quadro de broncopneumonia que o levou à terapia intensiva. Antes disso, ele esteve preso na Superintendência da Polícia Federal e, a partir de janeiro, na prisão do Batalhão da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda. O regime domiciliar foi mantido por Moraes diante da evolução do estado de saúde.

A condenação já transitou em julgado. São 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

Onde o caso está

A defesa apresentou pedido de reconsideração das restrições, sob o argumento de que seriam desproporcionais, e na terça-feira (4) Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse. Não há decisão sobre esse ponto, e o prazo de 30 dias fixado em 17 de julho continua correndo. Fora do período de suspensão, os filhos mantêm autorização de visita às quartas-feiras e aos sábados, em janelas de horário previamente definidas, de duas horas cada.

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