A deputada federal Júlia Zanatta (PL), a mais votada de Santa Catarina na eleição de 2026, chamou de “golpe” o voto distrital misto que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, querem votar ainda este ano. A crítica está num vídeo que ela publicou nas redes sociais nesta quinta-feira (29).
Motta reuniu presidentes de partidos nesta quarta-feira (28), na residência oficial da presidência da Câmara, em Brasília, para discutir a mudança. Kassab e a presidente do Podemos, Renata Abreu, estavam no encontro. Depois da reunião, Kassab escreveu que será encaminhado um projeto para que o modelo seja adotado nas eleições de 2034, com uma transição em 2030.
No voto distrital misto, o eleitor vota duas vezes na eleição para deputado e vereador. Um voto vai para um candidato do distrito onde ele mora. O outro vai para o partido, que define a ordem da lista de eleitos. Hoje, o voto é proporcional: cada eleitor vota uma vez, num candidato ou na legenda, e as cadeiras são divididas pelo total de votos de cada partido no estado.
Para Júlia, a proposta é uma reação ao resultado do PL, que elegeu a maior bancada da Câmara em outubro, e aos chamados puxadores de voto. A deputada citou o colega Nikolas Ferreira (PL-MG) e a própria votação, de 560 mil votos em Santa Catarina. “Isso aqui é um golpe pra acabar com aquele político que tem conexão direta com o povo”, disse no vídeo.

A deputada afirma que a lista fechada deixa o parlamentar submisso ao partido. “Se você não obedecer o partido, na próxima você não entra na lista”, disse. Para ela, o estado já funciona como o distrito do deputado. “Eu represento Santa Catarina em Brasília, apesar de votar leis para o Brasil inteiro.”
Júlia também criticou o plano de Motta de votar, ainda este ano, regras para a propaganda eleitoral nas redes sociais.
Kassab diz que o PSD fechou questão a favor do distrital misto e que vai expulsar os filiados que forem contra. Segundo ele, a medida busca melhorar a representação política e aproximar o eleitor do seu representante. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que o partido defende o voto em lista, mas aceita negociar o distrital misto.
Para valer, a mudança precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
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