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Mendonça derruba sigilo de mais 39 processos do caso Master e reforça segurança

Ministro do STF atendeu à PGR e abriu apurações sobre Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Cláudio Castro e Jaques Wagner; PF ampliou proteção e relator passou a usar colete à prova de balas, segundo fontes.

Mendonça derruba sigilo de mais 39 processos do caso Master e reforça segurança
Foto: Reprodução
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou na noite desta sexta-feira (11) o sigilo de uma nova leva de documentos do caso Master. Entre os processos abertos estão apurações que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Thiago Miranda.

A decisão atende a um pedido feito horas antes pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão sustentou que liberar só uma parte dos autos poderia criar uma “ideia equivocada de transparência” e afirmou que a lista enviada pelo relator deixava de fora a maior parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Polícia Federal, a Operação Compliance Zero. Mendonça abriu os 18 processos apontados pela PGR e ainda retirou o sigilo de outros 21.

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A frente de maior peso político é a do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A PF apura se Flávio Bolsonaro negociou repasses com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pra financiar a produção. Planilhas apreendidas apontam pedidos na casa de R$ 131 milhões, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido efetivamente pagos por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Nesta semana, Mendonça homologou a delação do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, que confirmou à PGR ter feito sete transferências ao Havengate, somando US$ 12,3 milhões, a pedido de Vorcaro. Flávio nega irregularidade e diz que não há um centavo de dinheiro público na conta.

No caso de Jaques Wagner, a PF identificou 74 ligações entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master, entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando mais de cinco horas e meia de conversa. Segundo os investigadores, Wagner teria atuado no Senado em pautas de interesse do banco e, em troca, teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e R$ 3,5 milhões destinados a empresas de familiares. O senador nega e diz que vai provar inocência.

Sobre Ciro Nogueira, a investigação mira a proximidade com Vorcaro e a suspeita de atuação parlamentar em favor do banco. A apuração sobre Cláudio Castro trata da relação do governador com o ex-banqueiro e vinha sendo mantida em segredo até agora.

O pedido da PGR foi dirigido ao presidente do STF, Edson Fachin, e assinado pelo vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho, que vai atuar no caso junto com o procurador-geral Paulo Gonet.

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Mais cedo, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também enviaram ofícios a Fachin cobrando acesso ampliado ao material. Moraes chamou de “seletiva” a retirada de sigilo feita por Mendonça e disse que 180 documentos e arquivos digitais ficaram fora do conjunto entregue aos ministros. Ele pediu ainda que duas petições sejam julgadas juntas: a das mensagens trocadas com Vorcaro e a que reúne relatórios sobre a atuação do próprio Mendonça.

Enquanto a disputa jurídica escala, a segurança pessoal do relator mudou de patamar. Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, Mendonça passou a usar colete à prova de balas em algumas situações e a circular em veículos blindados, e as medidas foram estendidas à família do ministro. No entorno do magistrado, o receio de uma eventual “queima de arquivo” passou a fazer parte das preocupações, e a própria decisão de derrubar o sigilo teria pesado como forma de autoproteção. A equipe do ministro não detalha o esquema.

A crise começou no dia 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com mensagens atribuídas a Vorcaro, algumas endereçadas a Moraes e com referências a Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Na terça (8), Mendonça afastou Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, alegando “monitoramento sistemático” pela inteligência da PF. Flávio Dino reconduziu os dois no mesmo dia, e Fachin suspendeu as decisões de ambos, mantendo a cúpula da PF no comando.

Na quinta (10), Fachin deu 24 horas pra Mendonça repassar aos demais ministros todos os procedimentos e levantar o sigilo, preservadas apenas diligências em andamento. O relator liberou as principais apurações sobre o Master e Vorcaro, mas manteve fechadas as frentes de Wagner e do “Dark Horse”. Foi esse bloco que caiu agora. Mendonça afirma ter divulgado todo o material possível e nega seletividade. Andrei Rodrigues, por sua vez, nega que a PF tenha monitorado o ministro.

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O plenário tem sessão extraordinária marcada pra terça-feira (15). Até lá, o decano Gilmar Mendes já pediu a Fachin que adie o julgamento e assuma a condução dos processos.

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