O microfone do prefeito ainda estava aberto quando o presidente da Câmara de Celso Ramos, no Planalto Sul catarinense, avisou que podia encerrar a fala a qualquer momento. “Quem manda na casa sou eu. Quem manda aqui sou eu”, repetiu o vereador Tiago Maravai (PSD). Da tribuna, o prefeito Alecsandro Pelozatto, o Kinho (União Brasil), devolveu no mesmo tom: “Tem medo da verdade?”
A cena aconteceu na noite de segunda-feira (3), durante a sessão do Legislativo municipal. O prefeito estava na tribuna para responder a questionamentos sobre os investimentos da administração, tema que havia sido cobrado antes pelo próprio presidente da Câmara. Enquanto Kinho falava, o vereador interrompeu, e o desentendimento tomou conta do plenário.
A pergunta que estava na mesa era direta: qual obra a gestão começou e terminou. O pano de fundo, levantado no Legislativo, é a acusação de que a prefeitura estaria segurando dinheiro em caixa em vez de executar as obras prometidas.
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A lista de obras
Kinho respondeu com uma enumeração. Citou uma escola concluída, a pavimentação da rua que desce em direção ao Demeneque e a compra do terreno do parque que está em execução, as duas últimas, segundo ele, com recurso próprio do município. “A compra do terreno do parque que está sendo executado, recurso próprio, 320 mil reais“, afirmou.
Em seguida, cobrou o tratamento que diz ter recebido ao pedir espaço na Casa. Segundo o prefeito, o pedido para usar a tribuna ficou um mês sem resposta. “Eu pedi a palavra aqui nessa casa, você não mandou o ofício dizendo pra mim nem se sim nem que não. Agora me mandou depois de 30 dias”, disse. “Você tem medo de eu vir aqui falar a verdade pro povo?”
O presidente da Câmara negou. “Negativo. Eu tenho prova do advogado que você não quis falar”, rebateu.
As diárias de Brasília
Foi então que o prefeito inverteu a cobrança e mirou nas viagens do presidente do Legislativo à capital federal. “Você foi três vezes para Brasília, o que você trouxe de Brasília? Gastou 9 mil e pouco, quase 10 mil reais de diária, 25 mil no ano de 2025”, afirmou, dirigindo-se ao vereador.
Estou revelando para a população que você gastou mais de R$ 25 mil.
Tiago Maravai contestou os números e desafiou o prefeito a levar o caso adiante. “Se o senhor acha, prefeito, que eu estou irregular, denuncie no Ministério Público”, respondeu. Na sequência, devolveu a pergunta: “E o senhor tem quanto de diária, prefeito?”
Kinho não informou o valor. “Tira lá o extrato, você vai saber”, respondeu. E emendou: “Eu não sou que nem vocês que denunciam por qualquer coisa. Eu só estou esclarecendo.”
A discussão ainda passou pela relação entre Executivo e Legislativo. Questionado sobre quantas reuniões marcou com os vereadores desde que assumiu, o prefeito respondeu “três, quatro reuniões com vocês”, o que provocou nova réplica do presidente da Câmara: “Ah, em tudo esse tempo?”
A saída da tribuna
Perto do fim, o prefeito agradeceu o espaço e repetiu que a prefeitura está acessível. “As portas do executivo estão abertas, qualquer dúvida pode chegar ali. Eu nunca neguei as portas do executivo pra ninguém”, declarou, antes de anunciar que precisava sair por causa de um compromisso marcado.
O presidente da Câmara insistiu para que ele permanecesse e respondesse às perguntas dos vereadores. “Se o senhor não quer responder é porque o senhor tem medo”, disse. “Fique para responder o pessoal.” Kinho ainda replicou que não teme a verdade, mas deixou o plenário.
A sessão terminou sem que qualquer medida formal fosse anunciada a partir do desentendimento, e as imagens da discussão passaram a circular nas redes sociais da região.












































