Daniel Rasec, que era chefe de divisão do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Camboriú, foi exonerado um dia depois de publicar um vídeo contra o aumento do vale-alimentação dos vereadores. Em entrevista ao Jornal Razão, ele afirmou que a exoneração foi um pedido dos 15 vereadores da cidade.
Segundo Daniel, o vídeo foi publicado na sexta-feira (30). Depois disso, ele diz ter recebido “uma série de ligações” de pessoas do alto escalão do governo, em nível de secretariado, pedindo que apagasse a publicação. Ele afirma que se recusou e que, no sábado (31), recebeu do secretário de Administração a portaria com a exoneração, sem justificativa. Daniel contou que um vereador entrou em contato com ele, mas não para pedir a retirada do vídeo.
“Esse problema é com os vereadores, que foi quem pediu a minha cabeça, os quinze”, afirmou. Para ele, os parlamentares reagiram porque o vídeo mostrou à população “o absurdo que eles querem passar na canetada e às escuras da sociedade”. Daniel chamou a atitude de covardia e de “jogo sujo”.
O Projeto de Lei Complementar nº 05/2026 foi apresentado pela Mesa Diretora da Câmara em 20 de outubro. O texto eleva o vale-alimentação dos vereadores de R$ 896,93 para R$ 1.103,26 por mês, alta de 23%. A justificativa do projeto não cita o aumento e diz que as mudanças “visam apenas aperfeiçoar a legislação vigente e adequá-la à forma de pagamento atualmente adotada”.
Em 27 de outubro, a Comissão de Finanças e Orçamento apresentou uma emenda que cria uma parcela extra em dezembro, “à semelhança do critério aplicado à gratificação natalina”. Com ela, cada vereador receberia R$ 2.206,52 no mês. A emenda é assinada pelo presidente em exercício da comissão, Ewerson Umbelino (PL), e pelo relator, Amilton Bianchet (MDB). Até a sessão desta terça-feira (3), o projeto não tinha sido votado.
Para os servidores da Câmara, o vale passa de R$ 626 para os mesmos R$ 1.103,26, alta de 76%. O salário de vereador em Camboriú é de R$ 11.480. Na Prefeitura, o vale do servidor efetivo é de R$ 445,60.
Daniel diz que defende o reajuste dos servidores, mas não o dos vereadores. “Não há justificativa que ampare que o aumento dos servidores necessariamente precisa com que fosse feito o aumento dos vereadores”, afirmou. Na avaliação dele, “vereadores que recebem mais de doze mil reais não podem e não devem nem receber vale-alimentação”.
O vale-alimentação foi criado na Câmara em março de 2024, só para os servidores, e excluía os vereadores de forma expressa. Em junho de 2025, a Câmara aprovou a inclusão dos parlamentares, com dez votos a favor e nenhum contra.
Daniel isenta o prefeito Leonel Pavan. Segundo ele, o prefeito estava viajando quando a exoneração saiu e “alguma outra pessoa pode acabar tendo cedido a essa pressão”. Perguntado se a exoneração foi moeda de troca com os vereadores, ele respondeu que não acredita nisso. Daniel disse que pretende conversar com Pavan nos próximos dias.
Daniel também afirmou que “na política, às vezes, o jogo de interesse se sobrepõe à vontade popular” e que isso acontece em toda cidade, porque “faz parte do processo político”. Ele disse que vai continuar criticando o aumento: “Se eles acreditavam que eu era um problema dentro da administração, fora dela, eu sou e serei um problema muito maior”.
O Jornal Razão procurou a Prefeitura de Camboriú, mas não teve resposta. O espaço segue aberto para a Prefeitura e para a Câmara.
Leia também: Vereadores de Camboriú querem aumentar o próprio vale-alimentação para R$ 1,1 mil e receber em dobro em dezembro
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/vereadores-pedem-cabeca-prefeito-exonera-diretor-denuncia-camboriu
























