A decisão da Prefeitura de Blumenau de assumir diretamente a segurança das escolas municipais ganhou um pano de fundo nesta semana, depois que o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Heintje Heerdt, relatou na Câmara de Vereadores uma série de falhas na atuação dos vigilantes armados terceirizados que atuavam nas unidades de ensino.
Durante reunião da Comissão de Segurança nas Escolas, o oficial descreveu situações que, segundo ele, expõem a fragilidade do modelo que vinha sendo usado. Em uma das escolas, conta o comandante, um vigilante não soube responder o que faria diante de um possível ataque. Em outra unidade, que tinha dois vigilantes, um deles foi encontrado dormindo durante o expediente. Heerdt afirmou ainda que a Polícia Militar atendeu ocorrências com armas de fogo e munições encontradas dentro de escolas, e que tomou conhecimento desses casos porque a própria PM foi acionada para atender as ocorrências.
Treinamento deficitário
Para o comandante, o ponto central é o treinamento. Ele classificou como deficitária a capacitação que a empresa contratada oferecia aos vigilantes.
A primeira pergunta que eu fiz para um vigia foi: se entrar alguém aqui nessa escola, o que você vai fazer? E ele respondeu que não sabia.
Na avaliação dele, contratar um profissional armado sem que ele saiba como agir diante de uma ameaça não entrega o que a comunidade espera.
Responsabilidade do contratante
Heerdt atribuiu responsabilidade à empresa que prestava o serviço, mas também ao poder público que a contratou. “O erro de quem tem é do contratante, que deveria fiscalizar para que essa empresa fizesse o serviço correto”, afirmou, ao comparar a situação com a forma como a própria corporação responde por falhas de seus integrantes, com processo administrativo e correção de conduta. Mais do que o vigilante armado, o comandante defendeu o controle de acesso como a medida mais eficaz para proteger alunos e professores.
A nova secretaria
No campo administrativo, a prefeitura já havia anunciado a transformação da Secretaria de Gestão Governamental em Secretaria de Segurança Pública, que assume imediatamente a coordenação da segurança nas escolas. A medida foi tomada diante do encerramento do contrato com a empresa que fazia a vigilância escolar, alvo de operações do Gaeco e sem possibilidade de renovação. A nova pasta também servirá de base para a futura Guarda Municipal armada e para a chamada Muralha Digital.
Para o comando da secretaria, o prefeito Delegado Egidio Ferrari nomeou Alexandre de Vargas, que deixa a presidência do Samae. Policial civil, graduado em Direito e especialista em gerenciamento de crises e investigações criminais, Vargas afirmou que o foco da pasta é aplicar protocolos rigorosos e conduzir a transição nas escolas com controle, além de implantar a muralha digital e estruturar a guarda armada própria do município.
O debate sobre o futuro da segurança nas escolas continua na Câmara Municipal e deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas. Na próxima etapa, a prefeitura inicia os trâmites administrativos para formalizar as mudanças e dá sequência ao planejamento operacional voltado à vigilância das unidades de ensino e à estruturação da Guarda Municipal.











































