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Eleições 2026

Bruno Souza chama alunos de longa permanência na UFSC de “parasitas”

Em entrevista ao Jornal Razão, o ex-deputado estadual e candidato a deputado estadual pelo PL rebateu o apelido de "inimigo número um da UFSC", falou em cerca de 70 notificados na moradia estudantil com até 12 anos de permanência, cobrou autonomia dos estados e deu notas aos políticos catarinenses.

Bruno Souza chama alunos de longa permanência na UFSC de “parasitas”
Foto: Reprodução
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Em entrevista ao Jornal Razão, o ex-deputado estadual Bruno Souza (PL, nº 22722), candidato a deputado estadual em 2026, rebateu o apelido de “inimigo número um da UFSC” e disse que ataca não a universidade, mas “parasitas” que fizeram dela meio de vida, citando cerca de 70 notificados na moradia estudantil, alguns com 10 a 12 anos de permanência. Ele cobrou autonomia dos estados contra o que chamou de tutela de Brasília e do STF, atacou a deputada federal Erika Hilton pelo patrimônio declarado de R$ 15 mil e, no fim, deu notas: 9 para Jorginho Mello, 2 para Topázio Neto e menos 10 para o governo Lula.

UFSC na mira

Apresentado pelo diretor do Jornal Razão, Lorran Barentin, como “o inimigo número um da Universidade Federal de Santa Catarina”, Bruno Souza recusou o rótulo, mas não amenizou o discurso. “Sou o inimigo dos esquerdistas, dos grupos militantes e que usam a Universidade Federal para seus fins políticos, ao invés de estudar”, afirmou. Segundo ele, trata-se de “parasitas que, na verdade, ao invés de estudar, eles vivem, fizeram da própria universidade um meio de vida”.

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O caso que o ex-deputado apresenta como prova é a moradia estudantil da instituição. Segundo Souza, há “cerca de 70 notificados dentro da morada estudantil”, entre eles estudantes que estariam no local “há 10, 12 anos”, pessoas que, na versão dele, transformaram a universidade em sustento em vez de “uma etapa da sua vida”. Os números e a situação da moradia são apresentados pelo entrevistado e não foram confirmados de forma independente na conversa.

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Capa do vídeo do YouTube

Barentin questionou se o catarinense vê com bons olhos as investidas contra a federal. Souza respondeu que a crítica não é à instituição, e sim a quem usa “de forma inapropriada uma estrutura governamental, paga pelo pagador de impostos”. Para dimensionar o custo, disse que a UFSC, se fosse uma cidade, teria o quinto maior orçamento de Santa Catarina. “É uma estrutura caríssima e, infelizmente, grande parte das vezes o que faz é entregar militantes”, afirmou, sustentando que parte desses formados vira “promotores, juízes, desembargadores” que passam a “agir com ideologia ao invés de bom senso e razão”. A conclusão dele: “nós temos, sim, que cobrar a Universidade Federal para que entregue o resultado que a sociedade merece pelo caro que ela paga”.

“Não sou convidado pro amigo secreto”

O entrevistador lembrou o histórico de embates do ex-deputado, inclusive um registro em que ele deixa uma convenção do PL no meio do evento, e pediu uma autodefinição. Souza se descreveu como “alguém que tem convicção naquilo que representa” e disse que a política lhe custa mais do que entrega: “me entrega a satisfação, mas me custa muito caro”, com custo “pessoal e financeiro”. E resumiu: “se não for pra fazer do jeito que eu acredito, pra falar a verdade que eu vejo, eu não faço”.

Barentin mencionou que havia “aposta rolando” de que ele não seria candidato neste ano. O próprio diretor do JR contou ter ligado para o político dias antes da convenção para saber se a candidatura havia sido homologada. Souza confirmou o clima: “vontade de alguns que eu não fosse candidato não faltou”. E admitiu o isolamento no meio político com ironia: “não sou convidado pro amigo secreto no final do ano da turma da política”. Também se declarou “um péssimo estrategista”, dizendo que age por convicção, não por jogo político.

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Educação domiciliar e o STF

Ao explicar o que defende de concreto, Souza colocou a educação domiciliar no centro. Ele citou o caso de uma família moradora de Itajaí que, segundo ele, foi condenada por um juiz de Blumenau por educar os filhos em casa. “Os filhos deles falam latim, dão aula de inglês, eles são atletas, eles têm um desempenho ótimo, mas os pais foram condenados”, afirmou. A versão é do entrevistado e não foi confirmada na entrevista; a família e o magistrado não são identificados na conversa.

O ex-deputado afirma ter proposto e aprovado “a primeira lei brasileira que regulamenta a educação domiciliar nos estados”, com base no argumento de que a Constituição autoriza os estados a legislar sobre educação na ausência de lei federal. Barentin contrapôs perguntando por que, então, a lei catarinense das cotas não permaneceu válida. Souza atribuiu a derrota ao Supremo: “hoje nós temos uma corte suprema de pessoas iluminadas que estão acima do bem e do mal, que se acham donas do Brasil e que decidem o que é verdade e o que não é verdade”. Segundo ele, mesmo com a letra da lei expressa, “depende do que a cabeça de um Alexandre de Moraes vai pensar”.

Sobre a lei estadual de educação domiciliar, disse que a norma foi aprovada na Assembleia Legislativa e derrubada por decisão de ministro da Suprema Corte: “o que nós tivemos foi o ministro da Suprema Corte dizendo que não pode. Mas a Constituição fala que pode”. O entrevistador ponderou que “faz tempo que a Constituição não deixou de mandar alguma coisa e ser alguma diretriz válida no Brasil” e pressionou: na prática, a contribuição de um deputado estadual se resume a levantar debate?

PEC dos estados

A resposta de Souza à cobrança foi apresentar o mecanismo pelo qual, segundo ele, os estados podem propor emenda à Constituição Federal: com aprovação em 14 assembleias legislativas, o texto tramita no Congresso Nacional. Ele afirma ter formulado uma proposta de emenda para redistribuir competências hoje ditas compartilhadas entre União e estados, levou oito meses para aprová-la na Assembleia catarinense e depois passou a rodar o país para convencer deputados de outros estados, “com o meu dinheiro, nada pago pela Assembleia”. O placar que apresenta: “hoje nós temos aprovados em 12 estados”. Faltariam dois para acionar o Congresso.

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Barentin perguntou, “de leigo mesmo”, se ao chegar a 14 o processo é automático, e o próprio ex-deputado reconheceu que, depois disso, entra o jogo do Congresso. Souza defendeu que o caminho precisa ser das partes para o todo: “se nós estamos pregando descentralização e autonomia dos estados, tem que sair das partes para o todo”, do contrário seria mais uma medida “top down” feita sem os estados.

Ele sustenta que o federalismo brasileiro é apenas formal. “Nós temos um federalismo jurídico, na carta, constitucional, mas nós não temos um federalismo de fato, cultural. Basicamente, quem manda hoje é Brasília”, disse. Segundo os números que apresentou, a Constituição reservou cerca de 100 competências exclusivas da União, enquanto as competências exclusivas dos estados caberiam praticamente no artigo 25: criar regiões metropolitanas, que “não servem para quase nada”, e cuidar da exploração de gás canalizado. Na prática, avaliou, os estados hoje “administram direito federal, votam orçamento e decidem sobre aumento de alíquota de ICMS”.

“Pagamos a conta, mas não podemos opinar”

O argumento central do ex-deputado é que estados com culturas e prioridades diferentes são obrigados a viver sob a mesma legislação. Ele afirmou que, se propusesse em Santa Catarina “uma lei dura para criminosos, dura mesmo”, teria apoio popular, mas não pode, porque a lei penal precisa ser a mesma da Bahia e do Pará, onde, na avaliação dele, seriam “mais coniventes com a bandidagem”.

Os estados pagam, administram, mas não opinam. Nós pagamos a conta, mas não podemos opinar.

Citando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Souza disse que os estados pagam cerca de 80% da despesa com segurança pública no país, embora só a União possa votar legislação penal. Ele contrastou com os Estados Unidos, onde a diferença entre legislações estaduais chega ao ponto de haver pena de morte em um estado e não em outro, e defendeu que a diversidade legal criaria “um excelente laboratório de inovações”. Sem isso, na frase dele, “hoje nós erramos todos juntos. Somos solidários no erro”.

A crítica se estendeu a outras áreas: o mesmo Estatuto das Cidades para o Maranhão e para Santa Catarina, a mesma legislação ambiental para um estado de pequenas propriedades e para o Pará dos “grandes campos abertos”, e a mesma legislação de armas. Sobre esse último ponto, afirmou que Santa Catarina tem “algumas das cidades que têm mais armas por habitantes” e também “as cidades mais seguras”, concluindo: “armas não matam. Quem mata é o homem”.

Referendo do desarmamento

Perguntado sobre o referendo do desarmamento, Souza resumiu sua leitura de forma direta: “a população brasileira disse não ao desarmamento, o PT olhou e disse: não gostei do resultado. Estatuto do desarmamento neles”. Questionado se, na época, ninguém classificou a manobra como antidemocrática, respondeu que era “óbvio” que era, mas que o país vivia o que chamou de “onda vermelha”.

Para ilustrar o clima, contou uma cena pessoal: em 2002, num show em Santa Catarina, o vocalista de uma banda nacional perguntou quem votaria no então candidato do PT e, segundo ele, “todo mundo levantou a mão e eu não”. A sensação, disse, era de estar “sozinho no mundo”. Ele acusa parte da imprensa e artistas de terem formado “um consórcio de apoio àquele governo” e feito campanha pelo desarmamento, inclusive com jingles como o “se você andar armado, não te quero mais”. “Resultado: nas urnas a população disse não”.

Provocado sobre um cenário hipotético, um novo plebiscito com 70% de apoio popular e um veto presidencial, Souza disse que não haveria consequência: “nós descobrimos nos últimos anos que existe um lado do espectro político que pode fazer absolutamente qualquer coisa”. Segundo ele, “se formos nós fazendo, é crime; somos sancionados”. Daí, na avaliação dele, o peso da eleição deste ano: “nós não podemos permitir que essa quadrilha continue no poder, porque eles irão indicar mais quatro ministros do STF”.

Economia e pleno emprego

Barentin registrou o contraditório na própria entrevista: o Jornal Razão ouviu recentemente políticos do campo da esquerda, entre eles Paulo Essel e Afrânio, de Florianópolis, que afirmaram que o Brasil vive pleno emprego, com vagas sobrando, e que a economia “está voando” sob o governo Lula. O entrevistador perguntou se ele concorda.

“Obviamente não”, respondeu Souza, que atacou o interlocutor citado. Segundo ele, “o Afrânio realmente tem pleno emprego porque faz três décadas que ele vive do Estado”, afirmação de responsabilidade do entrevistado. Empresário, disse falar “com quem não tem um carguinho público para ficar encostado”. Nos números que apresentou, 85% da população das faixas C, D e E estaria endividada, o país bateria recordes de empresas fechadas e, mantida a dinâmica fiscal, chegaria ao fim do próximo mandato com dívida pública em 100% do PIB, patamar que, segundo ele, o Brasil nunca alcançou e que significaria “moeda fraca”.

Souza reconheceu que falta mão de obra em alguns setores, mas atribuiu isso a desincentivo ao trabalho formal. Citou o Bolsa Família, R$ 600 por mês na conta dele, com concessão que descreveu como autodeclaratória, e sustentou que quase 60 milhões de pessoas vivem de benefícios do Estado. “Está faltando o primeiro emprego: o caixa de supermercado, o atendente na lanchonete”, disse, prevendo aumento da informalidade e da “pejotização”. O custo da folha entra no argumento: um funcionário que recebe R$ 2 mil custaria R$ 3,5 mil ao empregador. “Quem ganha com o trabalho do funcionário no Brasil não é o patrão, é o Estado”, afirmou.

Erika Hilton no alvo

Provocado sobre um vídeo em que a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) diz que o empresário “suga o trabalhador”, Souza foi duro: “ela é uma ignorante, é uma pessoa que obviamente não tem a mínima ideia do que fala”, alguém que “provavelmente confunde faturamento com lucro” e “nunca sentiu o peso do imposto”. Para ele, a parlamentar é “uma recebedora líquida de impostos”.

Barentin lembrou a declaração de patrimônio de R$ 15 mil atribuída à deputada. Souza reagiu: “ou ela está sonegando ou ela é a pior autogestora de finanças pessoais da história”, e citou um cálculo que teria visto na véspera segundo o qual só os salários dela na política já somariam mais de R$ 2,5 milhões, número apresentado por ele, sem fonte identificada na conversa.

A crítica avançou para a assiduidade. Segundo Souza, a deputada é “uma das mais faltantes da Câmara Federal” e faltou a uma votação sobre marco temporal, tema que ele descreve como sensível para a esquerda, para estar no aniversário de 10 anos de uma grife de luxo de bolsas, informação que ele diz ter visto no relato de um ex-assessor dela e que também é versão do entrevistado. “É o velho socialismo para os outros, capitalismo para eles”, resumiu o entrevistador, que ponderou que a pauta defendida pela parlamentar, como o fim da escala 6×1, é legítima, porque “de fato o trabalhador merece descansar, merece ganhar um salário maior”.

Barentin também expôs a cobrança que o próprio jornal recebe: quando publica patrimônio declarado de Carlos Bolsonaro (PL, nº 222), candidato a senador, é chamado de esquerdista; quando publica dados do PT, de direitista. “Uma informação imparcial, ela tem lado”, disse. Souza respondeu que, no país, há “um lado que pode tudo” e que a direita não conta com a boa vontade de grande parte da imprensa, chamando o JR de “uma feliz exceção a essa triste regra”. Ele também comparou o tratamento dado à deputada federal Julia Zanatta (PL, nº 2233), candidata à reeleição, citada pelo entrevistador como parlamentar que discursa em plenário e participa de comissões, mas é mais atacada.

“Não tenho contas bloqueadas”

Confrontado diretamente sobre boatos de que teria contas bloqueadas na Justiça, Souza negou: “não, não tenho”, e disse já estar processando “umas três pessoas” por causa da acusação. Ele atribuiu a origem do rumor a uma disputa familiar. Segundo ele, um parente tentou por diversas vezes provar na Justiça “teses absurdas”, perdeu tudo por mais de uma década e passou a buscar nas redes sociais o que não obteve no processo. “Ele vai lá e faz denúncias contra mim e vai para as redes sociais: ‘Bruno Souza foi denunciado por tal coisa’. Pô, ele que fez a denúncia”, afirmou. A versão é do entrevistado; o parente não é identificado na conversa.

O tema abriu espaço para o entrevistador contar um caso do próprio jornal: o Jornal Razão foi condenado, segundo Barentin, por publicar informação verdadeira sobre um enfermeiro que, num perfil identificado, disse que deixaria Bolsonaro morrer e afirmou que a mãe havia morrido de covid, quando havia postagem anterior à pandemia lamentando a morte dela. “O condenado somos nós por falar a verdade, aí alguém mente sobre a gente e a gente perde, porque mentir tá livre”, resumiu a dupla. Souza classificou o quadro como “distópico”.

“A apatia é tudo que o sistema quer”

A conversa derivou para o risco de o eleitor se acostumar com o abuso. Barentin usou a imagem do chicote: quem é chicoteado todos os dias já não reage a duas chicotadas. “Nós não podemos perder a capacidade de se indignar”, disse o diretor do JR, alertando que a apatia é “tudo que o sistema quer”.

Souza concordou e emendou que a falta de importância dada a temas relevantes o preocupa: “nós precisamos ter fé, vontade, coragem, porque senão eles dominam”. Na frase dele, se a sociedade baixar a guarda, “os Alexandre de Moraes da vida, os contratos de 129 milhões de reais, os Lulas da vida vão se perpetuar no poder”. O valor citado é atribuído por ele, sem detalhamento na entrevista.

O que promete na Assembleia

Perguntado sobre o que se propõe a fazer se eleito, o ex-deputado respondeu com um compromisso negativo: “acima de tudo, eu me proponho a não ser omisso”. Ele criticou candidatos que se apresentam “cheios de morais e valores” e, ao chegar lá, esquecem tudo “por conveniência política, pra não magoar um parceiro, um colega, um aliado político, um prefeito que é amigo”. E acrescentou: “não vou perdoar os ímpios, os injustos; vou fazer o que eu sempre fiz, vou denunciar”.

A menção bíblica levou Barentin a contar que leu a Bíblia algumas vezes quando estava preso e que, segundo a esposa, recitou um salmo sobre aflição de madrugada, ao vê-la com dor. Sobre o histórico partidário, Souza confirmou que se elegeu pelo PSB, não pelo PSDB, e lembrou que o partido em Santa Catarina, liderado por dissidentes do PFL, foi o primeiro do estado a apoiar o impeachment de Dilma Rousseff, período em que ele subia “em cima dos caminhões” pedindo o impeachment.

PL, Jorginho e “homens fracos”

O entrevistador cobrou coerência: no PL, com o governador Jorginho Mello (PL, nº 22) candidato à reeleição e favorito nas pesquisas, e num partido que “não era obrigado a deixar” a candidatura sair, ele teria coragem de criticar o próprio governo? Souza disse que sim e argumentou que dentro do partido tem mais canais: “eu tenho mais voz também pra discordar, pra falar nas reuniões, liderança, pra falar com o próprio governador”. Comparou com o mandato anterior, no governo Carlos Moisés, quando, segundo ele, esse caminho não existia e “a crítica era direto na tribuna”, embora sua oposição, ressaltou, não fosse sistemática.

Barentin trouxe avaliação dada em outra entrevista ao JR, de Gerson Lopes, de que o governo Moisés foi excelente do ponto de vista técnico nos dois primeiros anos e “medonho” nos dois últimos, quando a política se sobrepôs à técnica. Souza disse não saber precisar as datas, mas confirmou que houve grande expectativa inicial rapidamente desfeita. Para ele, o problema de fundo é outro: “o Brasil carece de lideranças com convicção. Nossas lideranças hoje são lideranças que lideram com pesquisa de opinião”. E defendeu que “a credibilidade no longo prazo é mais importante do que a popularidade no curto prazo”.

Questionado se falta pragmatismo à política, respondeu o inverso: “falta convicção; sobra pragmatismo”. Segundo ele, “99% dos políticos não têm capacidade de pensar além do curto prazo”, calculando tudo pelo dividendo eleitoral da próxima eleição. “A política brasileira tá cheia de homens fracos”, disse.

Carlos Bolsonaro e o “estranhamento” com Manu Vieira

Sobre a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL, nº 222) ao Senado por Santa Catarina, Souza foi favorável quanto à legitimidade partidária: “candidatura extremamente legítima”. O argumento é de gratidão política, “antes do Bolsonaro, o PL não tinha a mínima expressão perto do que tem hoje”, e ele acrescentou que a discussão sobre se Carlos deve ou não ser senador cabe ao eleitor catarinense, sem que se condene um partido por seguir a orientação de Jair Bolsonaro.

Já sobre Ana Campanholo, apontada pelo entrevistador como a principal voz contra a candidatura de Carlos em Santa Catarina, Souza se esquivou: disse não falar com ela há meses e não ter ideia do que ela pensa, alertando que “muitas vezes os gestos são interpretados, não são os fatos”. Pressionado sobre se ela está certa, respondeu: “eu vou defender o meu partido. Cada um responde pelas suas atitudes”, resposta que Barentin classificou, na hora, como “uma esquivada boa”. Ainda assim, elogiou o trabalho dela por ter tornado a pauta do combate ao feminismo conhecida no país.

O tom mudou quando o assunto foi Manu Vieira (PL, nº 2248), candidata a deputada federal, apoiada por Campanholo e ex-aliada do entrevistado. Souza falou em “certo estranhamento”, disse que as convicções das duas são “bem diferentes” e ironizou: “não sei se a Manu tenha pego também a estrada para Damasco e visto a luz no meio do caminho”. Segundo ele, as opiniões de Manu sobre Ana não eram positivas quando ela ainda era vereadora em Florianópolis. A versão é do entrevistado.

Ele afirmou que a ex-aliada abandonou o que ambos defendiam no Novo: “mudaram o Brasil, mudaram a política, independência, isso tudo foi esquecido”. E revelou uma cobrança que dizia receber dela: “a Manu cansou de dizer pra mim que eu precisava amadurecer na política. Eu fico pensando: o que é amadurecer na política? É ser conivente com os erros? É não assinar uma CPI numa situação onde obviamente existem coisas erradas para proteger aliados políticos?”. A conclusão: “eu não quero amadurecer assim; se o eleitor não me quiser desse meu jeito, tudo bem, eu vou pra casa”.

As notas

No bloco final, o Jornal Razão pediu notas de 0 a 10. Sobre Jorginho Mello (PL, nº 22), Souza titubeou, “ninguém é 10”, mas afirmou que é “o melhor governador que eu acompanhei ao longo da minha jornada” e fechou em 9, ressalvando que discorda em pautas como estatais: “eu sou um defensor radical da liberdade econômica, então eu não acredito em empresas públicas”. Antes de responder, brincou com o próprio risco político: “eu quase não fui homologado candidato”.

Para o governo Lula, a nota foi menos 10. Segundo ele, “ele faz um mal ao Brasil que nós vamos levar muitas gerações pra desfazer”. A avaliação mais dura entre os catarinenses foi para o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Republicanos), que recebeu 2. Souza disse ter ido trabalhar com ele “acreditando nos vídeos de TikTok” e ter encontrado “um homem sem convicção absoluta pra nada, que é extremamente envaidecido e apaixonado pela autoimagem”, à frente de uma cidade “hiper complexa de administrar”. “Ele vê alguém reclamando de alguma coisa, ele já muda de ideia”, afirmou.

Sobre o senador Jorge Seif (PL), disse não conhecer o trabalho dele no Senado a fundo, mas relatou que foi recebido de forma atenciosa na tramitação do projeto de educação domiciliar, hoje no Senado: “recebeu o nosso pleito de mais liberdade para as famílias educadoras”. Para si mesmo, deu 8, dizendo-se “o maior crítico de mim mesmo”. Ele afirmou já ter sido ameaçado, atacado e agredido, e ter precisado andar escoltado, mas destacou o que considera seu patrimônio político: “tenho muito orgulho de nunca ter me curvado, nunca ter silenciado diante de uma injustiça”. Ao encerrar, Barentin lembrou que o período de campanha ainda não começou, ou seja, não se pode pedir voto, e convidou o candidato a uma entrevista mais aprofundada adiante.

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