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Ex-prefeita que distribuiu ivermectina em Itapema, Nilza Simas peita críticos após silêncio de Fauci

Candidata a deputada estadual pelo PL, Nilza Simas voltou às redes para defender o Kit Covid que implantou em Itapema e relembrar o embate com uma advogada do PSOL. A fala vem depois de Anthony Fauci se recusar a responder aos senadores dos Estados Unidos.

Ex-prefeita que distribuiu ivermectina em Itapema, Nilza Simas peita críticos após silêncio de Fauci
Foto: Reprodução
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Ela distribuiu ivermectina de porta em porta em Itapema, foi chamada de tudo e nunca recuou. Agora, com o imunologista americano Anthony Fauci se recusando a responder aos senadores dos Estados Unidos, a ex-prefeita catarinense Nilza Simas, hoje candidata a deputada estadual pelo PL, voltou às redes sociais para dizer que o tempo lhe deu razão.

“Em 2021, médicos foram caçados e o presidente Bolsonaro foi acusado de assassino por defender o uso da cloroquina e da ivermectina no tratamento precoce contra a Covid. Só que o tempo passa e a verdade vem à tona”, afirmou no vídeo publicado em seu perfil.

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Como enfermeira e na época prefeita de Itapema, eu não me omiti. Implantei o protocolo Kit Covid, onde todo itapemense, quando recebia o atendimento, saía do centro de triagem já com a receita e a ivermectina na mão. E hoje eu tenho a certeza de que agi certo diante da crise.

A viagem a Manaus

Enquanto o país discutia protocolo, a então prefeita pegou um avião. Foi pessoalmente até Manaus buscar as chamadas cápsulas Vanessa, câmaras de ventilação desenvolvidas pelo grupo amazonense Samel para proteger médicos e enfermeiros e evitar que pacientes fossem intubados. Itapema se tornou a primeira cidade do sul do país a usar o equipamento. Foram 50 unidades trazidas, das quais 30 ficaram no município e 20 foram repassadas a cidades vizinhas.

ASSISTA AO VÍDEO

O registro da própria prefeitura confirma a rotina descrita por ela. Em 2020, o centro de atendimento à Covid-19 de Itapema entregava prednisona, azitromicina, ivermectina e oseltamivir a pacientes que chegassem com um único sintoma, além de cloroquina após avaliação da equipe médica.

O embate com o PSOL

Não foi a única briga que ela comprou. Em fevereiro de 2024, ainda no comando de Itapema, Nilza Simas enfrentou publicamente uma advogada do PSOL que havia entrado no Tribunal de Justiça com uma liminar para obrigar prefeitos catarinenses a exigir a vacina da Covid-19 no ato da matrícula escolar.

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“A advogada do PSOL pode entrar com mandado de segurança contra mim, não tem problema nenhum. E não iremos cobrar mesmo”, respondeu na ocasião. Na sequência, devolveu a provocação sugerindo que a advogada acionasse a Justiça também por outras pautas: “Quem sabe ela entra com o mandado de segurança fazendo que o governo federal mantenha o salário e a educação. O nosso baixou 2 milhões e meio este ano.”

A ex-prefeita citou ainda a manutenção das escolas cívico-militares e a robótica retirada da rede pública. “Esse tipo de ação você não está interessada, advogada do PSOL. O objetivo teu é só vacina. Melhorar a educação, manter o Fundeb, isso não é importante para vocês?”, questionou.

O silêncio no Senado

O episódio que reacendeu o debate aconteceu em 29 de julho, diante do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado americano. Convocado pelo senador republicano Rand Paul, Fauci fez uma declaração inicial e depois invocou mais de cem vezes a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante o direito de não produzir provas contra si mesmo. O senador Ron Johnson levou centenas de páginas de estudos clínicos para sustentar que evidências sobre ivermectina e hidroxicloroquina teriam sido ignoradas.

Fauci alegou seguir orientação de seus advogados diante do que classificou como uma “cruzada pública” contra ele. Rand Paul anunciou votação para decidir se o silêncio configura desacato ao Congresso. Do lado da ciência, os grandes ensaios clínicos randomizados, entre eles o Together Trial, conduzido em 22 localidades do Brasil e publicado no New England Journal of Medicine, não encontraram eficácia da ivermectina contra a doença.

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Ano eleitoral

A postagem se soma a uma onda de manifestações de políticos ligados ao PL. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo no domingo (2) usando a audiência para defender Jair Bolsonaro, e a deputada catarinense Caroline de Toni (PL-SC) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também repercutiram os diários de Fauci, mais de mil páginas de anotações e e-mails do período entre 2019 e 2022 divulgadas nos Estados Unidos.

Enfermeira de formação, Nilza Simas foi vereadora de Itapema por dois mandatos, entre 2008 e 2016, e prefeita da cidade de 2017 a 2024, além de ter passado pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Filiou-se ao PL a convite do governador Jorginho Mello e com aval de Bolsonaro, e lançou a caminhada rumo à Assembleia Legislativa em 20 de maio, em evento na cidade.

Em abril, ela passou a responder a processo ético no Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina após denúncia da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas por um vídeo contra o tratamento hormonal em crianças. À época, manteve a posição: “Perseguir uma profissional de saúde por defender que crianças devem ser protegidas é um absurdo.” Agora, com a candidatura oficializada pelo partido, ela chega ao pleito de outubro sem abrir mão do discurso que a colocou no centro da polêmica.

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