Um vídeo publicado às vésperas do Dia dos Pais virou cobrança pública dentro do PL de Santa Catarina. No sábado (8), a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) divulgou nas redes sociais uma gravação feita ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presidenciável do partido, com uma mensagem sobre a pauta feminina e a conciliação entre homens e mulheres na política. Na manhã deste domingo (9), foi o próprio Flávio quem apareceu na área de comentários da publicação para condicionar o uso da própria imagem, e da de Jair Bolsonaro, à gravação de um vídeo de apoio ao irmão dele, Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado por Santa Catarina.
No comentário, o senador afirma que a gravação com Campagnolo foi feita meses atrás, como gesto de busca por unidade, e pede reciprocidade em relação ao nome escolhido por Jair Bolsonaro para a disputa catarinense.
Prezada @anacampagnolo, gravamos este vídeo há alguns meses, em mais um gesto de minha parte para buscarmos unidade contra o mal maior, que é o PT. Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de @jairmessiasbolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão @carlosbolsonaro. Preciso dele e da @carolinedetoni no Senado em 2027. Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir pra não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro. Posso contar com você?
Flávio Bolsonaro, em comentário na publicação de Ana Campagnolo

Conforme Campagnolo, o vídeo foi gravado em maio e integra o material produzido pelo PL para divulgação das ações do partido e de suas lideranças. Na peça, Flávio abre dizendo que “o Brasil precisa se espelhar em Santa Catarina” e convida a deputada para “bater um papo”. Na sequência, a gravação trata da agenda feminina da sigla, com a defesa de que “defender a mulher não é atacar os homens, não é sectarismo, não é divisão” e de que “o PL sabe que cuidar das mulheres é cuidar do Brasil”.
A resposta da deputada
Campagnolo respondeu ao senador na própria publicação, cerca de duas horas depois. Disse que recebeu o material apenas recentemente, que não havia orientação ou condição atrelada à divulgação e que programou a publicação para a véspera do Dia dos Pais pelo teor da mensagem e pelo fato de Flávio ser pai de duas meninas.
Sobre a candidatura de Carlos Bolsonaro, a deputada não gravou o compromisso pedido pelo senador, mas disse que segue trabalhando pelos objetivos definidos pelo partido no estado e que está disponível para ações de campanha da chapa majoritária.
Quanto à candidatura de seu irmão Carlos ao Senado, seguirei trabalhando para concretizar os objetivos definidos pelo nosso partido em Santa Catarina, como venho fazendo ao longo dos últimos anos e como tenho afirmado publicamente sempre que sou questionada sobre o assunto em entrevistas e podcasts. Estou à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha que possam fortalecer o projeto do PL. Até o momento, não recebi mais nenhuma solicitação nesse sentido, mas sigo à disposição.
Ana Campagnolo, em resposta ao comentário do senador
O episódio de Itajaí
A cobrança de Flávio ocorre dias depois de um episódio registrado em Itajaí, no Litoral Catarinense. Em vídeo obtido pelo Jornal Razão, Campagnolo aparece ao lado da deputada federal Caroline de Toni (PL) e do vice-prefeito Rubens Angioletti (PL) durante a gravação de material político do partido. Quando Angioletti cita o nome de Carlos Bolsonaro no pedido de voto, a deputada estadual faz um gesto com a mão e sai do enquadramento da câmera.
Procurados pela reportagem na ocasião, Caroline de Toni e Angioletti confirmaram o episódio. A deputada federal reconheceu que o momento gerou constrangimento entre os presentes e afirmou que o embate interno deve ser superado, porque o adversário do grupo em 2026 é o presidente Lula (PT).
Nove meses de atrito
O desconforto entre Campagnolo e o entorno de Jair Bolsonaro se arrasta desde o fim de 2025, quando o ex-presidente indicou o filho Carlos, então vereador no Rio de Janeiro, para disputar uma das duas vagas catarinenses no Senado. A deputada passou a tratá-lo como “candidato que veio de fora”, e a disputa escalou em episódios públicos ao longo do ano, incluindo o texto em que Carlos acusou um “grupelho” de tentar aniquilar sua liderança no estado, em abril.
Houve também tentativas de trégua. No mesmo mês, os dois se cumprimentaram no “Almoço de Ideias 2026”, em Governador Celso Ramos, e em maio uma reunião convocada pelo governador Jorginho Mello (PL) terminou com pedido público de desculpas de Carlos Bolsonaro à deputada, gesto tratado por aliados como o selo da paz no PL catarinense.
O armistício não resistiu à convenção estadual. No dia 1º de agosto, o partido homologou as candidaturas de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado, e Campagnolo à reeleição na Assembleia Legislativa. Na primeira entrevista após o encontro, a deputada chamou o senador Jorge Seif (PL) de “o senador mais incompetente do Estado” e afirmou que Jair Bolsonaro “escolheu o filho errado” ao enviá-lo ao Senado por Santa Catarina, sem cravar apoio ao candidato do partido. Seif respondeu no dia seguinte chamando a colega de “traíra” e de “Joice Catarinense”.
Santa Catarina elege dois senadores em outubro. Até a publicação desta reportagem, Carlos Bolsonaro não havia se manifestado publicamente sobre a troca de mensagens entre o irmão e a deputada.














































