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Eleições 2026

Plano de governo de João Rodrigues prevê investir R$ 40,5 bilhões em Santa Catarina

O plano de João Rodrigues projeta receita ano a ano e fixa 15% da Receita Corrente Líquida para investimentos, somando R$ 40,5 bilhões até 2030. Segurança e saúde concentram metade das ações, e a infraestrutura não nomeia uma única obra.

Plano de governo de João Rodrigues prevê investir R$ 40,5 bilhões em Santa Catarina
Foto: Reprodução
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Uma tabela de quatro linhas é a parte mais concreta do plano de governo que João Rodrigues entregou à Justiça Eleitoral. Nela, o documento projeta quanto o Estado teria disponível para investir a cada ano do próximo mandato: R$ 9 bilhões em 2027, R$ 9,75 bilhões em 2028, R$ 10,5 bilhões em 2029 e R$ 11,25 bilhões em 2030. Somados, R$ 40,5 bilhões no quadriênio. Leia aqui o PDF original entregue ao TSE.

O número vem de um compromisso declarado no texto: destinar no mínimo 15% da Receita Corrente Líquida do Estado a investimentos. O plano parte da evolução recente da arrecadação, que segundo o documento passou de R$ 41,002 bilhões em 2023 para R$ 50,791 bilhões em 2025, com estimativa de R$ 55 bilhões para 2026, e projeta a receita chegando a R$ 75 bilhões em 2030.

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Os R$ 40,5 bilhões correspondem apenas a recursos próprios do Tesouro estadual. Segundo o plano, esse montante seria complementado por três outras fontes: recursos alocados junto à União, financiamentos junto a instituições de crédito e parcerias com a iniciativa privada, por meio de PPPs ou concessões, “sempre que esses arranjos se mostrarem vantajosos para o interesse público”.

É o compromisso numérico mais detalhado entre os oito planos de governo entregues ao TSE pelas candidaturas ao Governo de Santa Catarina. Nenhum outro apresenta projeção de receita ano a ano: o plano de Jorginho Mello (PL) e o de Gelson Merísio (PSB), por exemplo, listam compromissos sem valor em reais e sem prazo de conclusão.

Quatro vezes prefeito de Chapecó

João Rodrigues tem 59 anos, declarou ocupação de empresário e ensino médio completo. Concorre pelo PSD com o número 55, tem Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice e encabeça a coligação “Santa Catarina Acima de Tudo”, formada por PSD, MDB e a Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP. Declarou R$ 2.122.223 em bens à Justiça Eleitoral. O registro está na situação “aguardando julgamento” no TRE-SC.

É a oitava eleição que disputa. Foi eleito prefeito de Chapecó quatro vezes, em 2004, 2008, 2020 e 2024, e deputado federal em 2010 e 2014. Em 2018, concorreu à Câmara e não se elegeu.

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Um plano sem nome

O documento tem 25 páginas e dez capítulos, e não recebeu batismo: na capa está apenas “Plano de Governo” e a indicação da gestão 2027-2030, sob o nome da coligação. É uma diferença em relação aos adversários, que nomearam seus programas: Jorginho Mello (PL) chamou o seu de “Fé no Trabalho e Pé na Tábua”, Gelson Merísio (PSB) de “Coragem para Mudar”, e Ralf Zimmer (PRD) de “Santa Catarina em Primeiro Lugar”.

As quatro palavras que abrem o plano funcionam como resumo: austeridade, responsabilidade, modernização e inclusão social.

A “Muralha Digital Catarinense”

Segurança pública é o capítulo mais detalhado, com 26 ações distribuídas em cinco frentes. Na de tecnologia, o plano batiza de “Muralha Digital Catarinense” a ampliação do videomonitoramento, com câmeras de reconhecimento facial, leitura de placas, inteligência artificial e alertas em tempo real instaladas em pontos estratégicos do Estado.

A mesma frente prevê implantar barreiras de segurança nas divisas estaduais para identificar e interceptar criminosos, veículos e mercadorias ilegais, adquirir drones para monitoramento ostensivo e apoio em intervenções complexas, expandir o uso de moto-viaturas nos grandes centros e melhorar a estrutura da Polícia Científica.

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“Desenvolver programas estratégicos de compartilhamento de informações com diversos entes da Federação, incluindo o Governo Federal, visando impedir e combater a instalação de células de facções criminosas vindas de outros estados.”

É assim que o plano descreve a frente de inteligência, que também prevê aprimorar a força-tarefa do GAECO, com foco nos ilícitos praticados contra a administração pública e o erário.

Para o efetivo, a proposta é aumentar o contingente pela convocação voluntária de policiais da reserva fisicamente aptos, nomear os aprovados em concursos já realizados e publicar novos editais, além de oferecer acompanhamento psicológico aos profissionais quando necessário.

Uma quarta frente trata de grupos vulneráveis: aparelhar as Delegacias de Proteção à Mulher com casas de acolhimento e acompanhamento psicológico às vítimas, equipar delegacias para crimes cibernéticos, fortalecer a Polícia Militar Ambiental e, em conjunto com os municípios, criar políticas para moradores de rua. A quinta destina viaturas e equipamentos ao Corpo de Bombeiros.

Força-tarefa para zerar a fila de cirurgia

Saúde reúne 23 ações. A mais específica é a criação de uma “Força-Tarefa Médica” para zerar as filas de espera por cirurgias, por meio de convênios com serviços de residências cirúrgicas em múltiplas especialidades. O plano também promete levar os leitos hospitalares, especialmente de UTI, “aos números recomendados pela Organização Mundial da Saúde”, aumentar o número de salas cirúrgicas nos hospitais existentes e ampliar os centros de diagnóstico.

Na atenção básica, o compromisso mais direto é aumentar o número de médicos no interior. Aparecem ainda a ampliação da telemedicina, uma política estadual de atenção à mulher e à criança com rede de pré-natal, parto e recém-nascido, e ações de diagnóstico em saúde mental. Na gestão, o plano propõe permitir que hospitais de pequeno e médio porte realizem mais exames e cirurgias, tornando-os gradualmente autossustentáveis e reduzindo sua dependência de repasses.

“Aperfeiçoar e ajustar” o Universidade Gratuita

No capítulo de educação, uma linha coloca o candidato no meio de uma disputa da campanha. O plano promete “aperfeiçoar e ajustar o Programa Universidade Gratuita”, o programa que o atual governador Jorginho Mello lista como primeira das 22 entregas de sua gestão e que Laís Chaud (UP) propõe suspender em seu programa. São três posições distintas sobre a mesma política, cada uma registrada no respectivo documento entregue ao TSE.

O capítulo prevê ainda priorizar a educação em tempo integral com reforço de Matemática, Português e Inglês no contraturno, universalizar o ensino médio na rede estadual, apoiar financeiramente a ampliação da rede de creches e o que chama de “resgate da UDESC como instituição oficial de ensino superior do Estado”, com recursos para expansão, pesquisa e extensão.

O que o plano não diz

O capítulo de infraestrutura contrasta com o nível de detalhe da segurança e da saúde. Ele trata de rodovias, portos, aeroportos, mobilidade urbana e saneamento em quatro seções curtas, todas em prosa e sem lista de ações. E não nomeia uma única obra: fala em “intervenções de duplicação, implantação de terceiras faixas e manutenção cuidadosa das estruturas existentes”, sem citar qualquer rodovia, porto, aeroporto ou cidade.

O mesmo vale para o saneamento, tratado como “compromisso de civilidade e de saúde pública”, sem meta de cobertura ou prazo de universalização. Ao todo, o documento reúne 104 ações listadas em tópicos, das quais 49 estão em segurança e saúde.

São oito as candidaturas registradas ao Governo de Santa Catarina nestas eleições, e todas entregaram plano de governo ao TSE. Entre os já analisados pelo Jornal Razão estão o plano de Marcelo Brigadeiro (Missão), o mais detalhado em número de propostas, e o plano do PCO, o único que não cita Santa Catarina uma única vez. Todos os registros seguem aguardando julgamento no Tribunal Regional Eleitoral. A ficha completa da candidatura, com trajetória eleitoral e evolução patrimonial, está no especial Eleições 2026 do Jornal Razão, e o plano de governo na íntegra (PDF) está disponível no site do TSE.

Esta é a quinta reportagem de uma série do Jornal Razão sobre os planos de governo das oito candidaturas ao Governo de Santa Catarina. Leia também a primeira, a segunda, a terceira e a quarta reportagens da série.

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