Gean Loureiro afirmou que Santa Catarina vive um apagão de mão de obra qualificada e que a falta de trabalhador preparado já impede empresas instaladas no estado de crescer e afasta quem pensa em investir por aqui. Candidato a deputado estadual pelo União Brasil, o ex-prefeito de Florianópolis apresentou no Estúdio JR a proposta que pretende levar à Assembleia Legislativa: um programa estadual de qualificação profissional montado a partir da vocação econômica de cada região.
A contradição que ele descreve acontece dentro da mesma cidade. “É engraçado que em algumas cidades tu tem desempregados e ao mesmo tempo falta mão de obra pra trabalhar”, disse. Para o candidato, o problema não é falta de gente disponível, é falta de formação dirigida ao que a economia local realmente demanda.
A proposta prevê que o governo do estado conduza o programa em parceria com vários setores, com conteúdo definido pela atividade predominante em cada parte do território. Loureiro cita o agronegócio no Oeste, a indústria metalmecânica no Norte, a indústria madeireira na Serra e a estrutura produtiva do Sul como os eixos que deveriam orientar a formação.
O caso que ele usa como prova do modelo é Chapecó. Loureiro contou que, ao defender um centro de inovação tecnológica no Oeste, foi ridicularizado por um deputado, que dizia que só quem desconhece a região imaginaria alguém querendo trabalhar com informática ali. Hoje a cidade abriga o Centro de Inovação Pólen, tem mais de mil empresas de tecnologia e concentra companhias voltadas à tecnologia do agronegócio que viraram referência.
“A gente tem que sair da caixinha”, afirmou. Para ele, rotular regiões e decidir de antemão o que cada uma pode ou não desenvolver trava o crescimento do estado. “Santa Catarina tem capacidade pra desenvolver em muitas áreas”, completou.
Na base da formação, ele quer repetir no estado o modelo que criou na prefeitura da capital. A Escola do Futuro funciona em período integral, com a criança entrando às sete da manhã e saindo às seis da tarde, e oferece inglês, letramento digital, português, libras, robótica e artes. As primeiras unidades foram abertas na Tapera e em Ratones. Loureiro defende uma escola desse tipo em cada região, voltada à vocação econômica local.
Para bancar o avanço, o candidato assumiu o compromisso de não aumentar impostos e defendeu simplificação tributária com redução de alíquotas. Usou a experiência em Florianópolis como argumento: segundo ele, ao baixar a alíquota, a arrecadação subiu, as empresas passaram a recolher e a sonegação caiu.
Ele também cobra mudança na distribuição do dinheiro público. Afirma que Santa Catarina é o sexto estado que mais arrecada no país e um dos que menos recebem recursos de volta, e defende repartição equitativa entre as regiões, com prioridade de investimento social e atração de empresas para as áreas de menor IDH.
A infraestrutura entra na conta como parte do mesmo gargalo. Loureiro trata a duplicação da BR-282 como a obra mais importante do estado, por ligar o litoral ao Extremo Oeste e escoar a produção do agronegócio e da indústria até os portos. Cita ainda a BR-470, a BR-280 e a ferrovia que precisa chegar a Santa Catarina para garantir o milho e os insumos que abastecem os frigoríficos.
No campo, ele aponta condições básicas que ainda faltam. “Sem energia trifásica, não dá pro pequeno agricultor trabalhar”, disse, e fez a mesma avaliação sobre a internet rural. Defendeu mais estrutura para a Epagri e cooperativas fortes como condição para o estado avançar.
Loureiro diz ter feito oitenta viagens desde janeiro do ano passado e visitado 288 dos 295 municípios catarinenses. É esse percurso que ele apresenta como credencial para um mandato estadual, e não apenas regional: em 2014, quando foi um dos deputados estaduais mais votados, cerca de noventa por cento dos seus votos vieram da Grande Florianópolis.
Cinco vezes vereador, deputado estadual, deputado federal, presidente da Fatma, hoje IMA, e prefeito de Florianópolis por dois mandatos, ele foi candidato ao governo do estado em 2022 e agora disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. “Nós somos o melhor estado do Brasil pra se viver, mas nós não podemos nos acomodar”, disse.
A entrevista integra a cobertura das Eleições 2026 do Jornal Razão. Assista à íntegra:

























