Uma segunda moradora da rua onde Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio Lima (PT) ao Senado, foi presa na noite de sábado (12) em Jaraguá do Sul chamou a Polícia Militar no domingo (13). Não é a mãe da criança autista que acionou a PM por causa do som alto. É a vizinha cuja câmera de segurança, apontada para a rua, gravou a confusão entre o grupo da festa e a guarnição.
Ela entregou as imagens à Polícia Militar e saiu em defesa dos policiais no Facebook, em comentários em posts sobre o caso. “Eu sou vizinha de onde o fato ocorreu”, escreveu. Perguntada sobre o que Fernanda tinha feito, respondeu: “Bateu na policial e foi presa por desacato”. A quem criticava a ação, rebateu: “Como você pode julgar se você não estava presente? Ela atacou a policial e resistiu à ordem da policial para ser conduzida como desacato”. E completou: “Não sou a vizinha que chamou a polícia, mas eles infelizmente fizeram o correto, não teve excesso, porque a mulher bateu e xingou a policial e resistiu a ser levada para a delegacia”.
Num dos comentários, avisou que tem material: “As provas são as câmeras das casas e aqui tem bastante, então agora eu vou ser a testemunha só para defender alguém que estava fazendo seu trabalho”. Foi a partir daí que o tom contra ela mudou.
“Tem que apanhar, né? Apoia que mate também?”, respondeu um usuário. Outra escreveu: “Espalhar mentira é crime. Vou te denunciar. Assim tu e os policiais covardes vão responder criminalmente. Prisão é pouco”. Um terceiro mandou que ela procurasse “um bom psiquiatra”. “Eu publiquei isso, depois vieram ameaças”, disse a moradora ao Jornal Razão. Os prints foram anexados ao registro policial.
Por volta das 17h de domingo, segundo o relato dela à PM, um grupo apareceu em frente à casa perguntando para quem ela tinha passado as imagens da câmera. Segundo a moradora, havia pessoas envolvidas na confusão da véspera, entre elas a própria Fernanda Klitzke. Ela respondeu que as gravações já estavam com a Polícia Militar. Um homem do grupo pediu que ela entregasse as imagens também a eles. Ela se recusou. Na sequência, esse homem e outros dois passaram a filmar o carro dela, a placa e a residência.
“Falei que não passaria para eles, que nem sei quem eles são. Aí o repórter começou a filmar a placa do meu carro. Eu falei que ele não tinha direito de me colocar em risco filmando a casa e o meu carro, pois recebi ameaça do partido do PT”, contou ao Jornal Razão. “Como chamei a polícia, fiz um BO contra me coagir e filmar a placa”. No Facebook, resumiu: “Hoje algumas pessoas envolvidas foram até a porta da minha casa para perguntar para quem eu havia passado as imagens das câmeras. Um homem filmou a placa do meu carro. Diante da situação, acionei a polícia. Quando os policiais chegaram, as pessoas deixaram o local”.
Quando a viatura chegou, ainda havia gente na rua: um homem com câmera profissional filmava a via, inclusive a chegada dos policiais, e havia carros com adesivos de candidatos da eleição deste ano. Abordado, o homem se identificou como jornalista e disse aos policiais que trabalha para Décio Lima e para Gelson Merisio, candidato a governador da mesma chapa, e que tinha vindo de Florianópolis com a equipe para fazer imagens da rua. Negou ter ameaçado alguém e afirmou que “não teria sequer dirigido o olhar” à moradora.
A vizinha disse aos policiais que se sentiu constrangida e coagida e que teme por ela e pela família. Os dois assinaram a ocorrência de ameaça, foram orientados e liberados. A apuração fica com a Polícia Civil.
É a segunda mulher da mesma rua a chamar a PM contra o mesmo grupo em 24 horas. A primeira foi a mãe da criança autista que pediu para abaixarem o som do carro no sábado, foi xingada de “mentirosa”, “safada” e “pobre de direita”, teve o número da casa exposto em live e, no domingo, foi chamada de “narrativa falsa” por Décio Lima e de “suposta denunciante” pela página do estrategista da campanha, até mandar ao Jornal Razão o vídeo com o filho e o laudo de autismo. A vizinha da câmera é quem tem as imagens do que aconteceu na calçada.
Essas imagens importam porque o PT sustenta, no pedido de investigação protocolado na Polícia Federal e nos posts de Décio, que os militantes “nunca” avançaram sobre os policiais e que “nenhuma imagem consegue comprovar” o contrário. A câmera da moradora estava ligada durante toda a ocorrência. As gravações estão com a Polícia Militar. O grupo que apareceu na porta dela no domingo queria uma cópia.
Décio Lima, Gelson Merisio e Fernanda Klitzke não se manifestaram sobre a ida da equipe à casa da moradora. A ocorrência de sábado segue registrada como desacato, desobediência e resistência, com Fernanda e outras duas pessoas conduzidas à delegacia e liberadas à disposição da Justiça. As duas mulheres que chamaram a polícia naquela rua dizem ter medo.




















