O governador Jorginho Mello (PL) entrou na disputa pela versão da ocorrência de Jaraguá do Sul na noite deste domingo (13), com um vídeo em que defende os policiais militares e a moradora que chamou a PM, e acusa a esquerda de ter armado uma “armadilha” contra a corporação. “Nesse final de semana, a esquerda tentou montar uma grande armadilha contra a nossa Polícia Militar, mas se deu mal”, diz o governador, candidato à reeleição, na abertura.
O vídeo é uma resposta direta ao dia inteiro de ofensiva do PT após a prisão de Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, no sábado (12). Jorginho lembra que, “durante uma ocorrência em Jaraguá do Sul, já estavam todos os perfis de esquerda, em tempo recorde”, espalhando que a “PM agride candidata suplente de senadora”. “Agora vamos aos fatos”, diz ele, antes de mostrar a mãe da criança autista.
O governador reproduz um trecho da entrevista da moradora contando que o carro com som alto não foi embora, que o filho começou a ficar agitado e que ela bateu no vidro para pedir que abaixassem. Em seguida, coloca no ar o áudio da ligação dela ao 190: “Eu preciso da viatura aqui, tem uma turma chegando fazendo bagunça com som alto, o cara ficou gritando na frente da minha casa, eles estão tudo drogados”. E o trecho decisivo: “Eu pedi pra ele baixar o som, meu filho é autista, ele veio pra cima de mim aqui na rua”.
“Olha o que esse petista responde para uma mulher, ameaçando de ir pra cima dela”, comenta Jorginho. Na sequência, descreve a chegada da guarnição: “Quando a PM chega no local, militantes vão pra cima e tentam tumultuar o trabalho de um policial e uma policial. E tentam tirar a arma da policial”. Como prova, exibe a segunda ligação da moradora ao 190, pedindo reforço: “O pessoal está se revoltando contra os policiais. Manda reforço”.
O governador fecha ligando o caso a um roteiro nacional. “Esse modus operandi da esquerda não é novo, tentaram em São Paulo com o Tarcísio. Lá, como aqui, conseguimos desmascarar rapidamente. Esse é o estilo deles: mentira, agressão à PM, culto à desordem e desobediência. Mas estão no estado errado”. Na legenda, escreveu: “Eles são ardilosos. Mas o catarinense confia na melhor polícia do Brasil!”.
É a primeira manifestação do chefe do Executivo estadual, a quem a PM está subordinada, sobre um caso que a chapa de Décio Lima e Gelson Merisio (PSB) vinha tentando enquadrar como “violência política” e “violência contra a mulher”. Ao longo do domingo, a deputada federal Ana Paula Lima (PT) ligou para o presidente Lula, Merisio acionou o presidente do TRE-SC e Décio publicou um carrossel chamando de “narrativa falsa” a versão da mãe com filho autista e acusando veículos catarinenses de serem “financiados pelo governo de Santa Catarina” para mentir.
O material que o governador usou é o mesmo que desmonta o carrossel do candidato do PT: o áudio do 190, gravado antes de qualquer viatura sair, com a moradora dizendo “meu filho é autista”, e o registro da ocorrência, que cita o diagnóstico no terceiro parágrafo. A mãe, que mora em Jaraguá há seis meses e não tem partido, enviou ao Jornal Razão vídeo ao lado do filho e o laudo médico da criança, assinado por pediatra com registro no CRM-SC.
O vídeo do governador puxou uma fila de aliados nos comentários. O deputado estadual Sargento Lima (PL) escreveu que “a esquerda sempre quis o fim da Polícia Militar, mas não vão conseguir” e prometeu uma moção de aplauso na Assembleia Legislativa “para cada um” dos policiais da ocorrência. O deputado estadual Jessé Lopes (PL) resumiu: “Em petista não se confia! Nossa PMSC é um orgulho!”.
Segundo a versão da PM, a ocorrência começou com a ligação da moradora, passou pela prisão de um homem por desacato depois de ele chamar os policiais de “fascistas”, e escalou quando integrantes da festa avançaram sobre a guarnição. Fernanda Klitzke teria segurado uma policial, dito que era “futura senadora”, ignorado quatro disparos de munição de borracha e tentado tomar a espingarda de um policial. Uma policial saiu ferida no dedo. Três pessoas foram presas por desacato, desobediência e resistência e ficaram à disposição da Polícia Civil.
O outro lado sustenta que a candidata “tentava apaziguar” e foi derrubada, chutada e imobilizada com mata-leão sem ter desacatado ninguém, com base em vídeos de quase 30 minutos gravados no local. A chapa petista pede apuração do TRE e da corregedoria da PM. Com o governador dentro do caso, a briga pela versão de Jaraguá do Sul virou oficialmente disputa de campanha entre os dois principais blocos de Santa Catarina, a três semanas da eleição.























