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Eleições 2026

PT aciona PF contra a PMSC, exige investigação e fala em 24 minutos de “espancamento” contra petista

Partido registrou pedido na PF em Jaraguá do Sul como crime eleitoral e diz que o governo de Santa Catarina "instrumentaliza as forças policiais" contra a esquerda. Décio Lima chamou o vídeo do governador de discurso que "beira a psicopatia" e disse que militantes "nunca" avançaram sobre a PM. O post abriu espaço a comentários contra os moradores de Jaraguá.

PT aciona PF contra a PMSC, exige investigação e fala em 24 minutos de “espancamento” contra petista
Foto: Reprodução
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O PT levou o caso de Jaraguá do Sul para a Polícia Federal. O partido protocolou neste domingo (13) um pedido de investigação na plataforma da PF, encaminhado à delegacia do município, sobre a prisão de Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, durante a ocorrência de sábado (12). O registro foi classificado na área de crimes eleitorais e contra o Estado Democrático de Direito.

Na petição, o partido sustenta que o caso exige uma apuração “totalmente independente”, fora do alcance das forças de segurança estaduais, porque o governo de Santa Catarina teria “uma postura extremamente violenta e odiosa para com partidos de oposição” e teria “instrumentalizado as forças policiais contra grupos ligados à esquerda”. Para o PT, a abordagem contra uma candidata em campanha “ultrapassa a esfera comum” e configura violação de direitos políticos.

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Horas antes, Décio Lima tinha subido o tom nas redes contra o governador Jorginho Mello (PL), que publicou vídeo defendendo os policiais e a moradora que chamou a PM. Num post assinado como propaganda eleitoral da coligação Coragem para Mudar, o candidato escreveu que, “mesmo com mais de 24 minutos de imagens mostrando policiais militares espancando Fernanda Klitzke com socos, chutes e disparos de bala de borracha à queima-roupa”, o governador “decidiu ignorar a agressão policial” e tratar o caso como “armadilha da esquerda”.

“Em um discurso que beira a psicopatia, Jorginho sugere que todo o caso foi uma armação para tentar prejudicar a imagem da Polícia Militar e do seu governo”, diz o post. Décio afirma ainda que o governador “justificou” as agressões “dizendo que os militantes partiram para cima da polícia, algo que nunca aconteceu e que nenhuma imagem consegue comprovar”. E fecha: “Jorginho Mello cruzou a linha do extremismo e agora não consegue mais voltar atrás. O governador demonstrou que está disposto a ir até o fim, mesmo que isso custe a vida e a integridade das mulheres catarinenses”.

Os 24 minutos existem, mas o confronto ocupa cerca de um minuto deles: é o trecho em que a candidata avança e tenta pegar a arma do policial, sendo contida pela guarnição em seguida. O restante das gravações registra discussões, gritaria e a condução dos presos. Já a afirmação de que ninguém avançou sobre os policiais contraria o áudio da segunda ligação da moradora ao 190, gravado durante a confusão e ao qual o Jornal Razão teve acesso, em que ela pede reforço porque “o pessoal está se revoltando contra os policiais”. Contraria também o registro da ocorrência, segundo o qual duas mulheres seguraram uma policial, tiraram uma presa da contenção e Fernanda tentou tomar a espingarda de um policial, que saiu ferido no dedo. A própria moradora afirma ter visto “um de três tirando a arma dele”.

O que o candidato não cita chama tanta atenção quanto o que cita. Depois de classificar como “narrativa falsa” a versão da mãe da criança autista e ser desmentido pelo áudio do 190, pelo registro da ocorrência e pelo laudo médico enviado pela moradora ao Jornal Razão, Décio não voltou a tocar no assunto. Também não menciona o trecho do vídeo em que uma das pessoas ao lado da suplente diz que “tem que matar tudo esses militar”, nem os xingamentos contra a moradora, chamada de “mentirosa”, “safada” e “pobre de direita” pelo grupo, com o número da casa dela exposto em live.

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No novo post, a mulher que fez o chamado virou “suposta denunciante”, que segundo Décio “aparece xingando os militantes de comunistas” em imagens. O candidato mirou também o jornalista William Fritzke, que entrevistou a moradora, dizendo que ele “recebeu R$ 96 mil em publicidades do governo de Santa Catarina” desde abril, sem apresentar contratos. É a segunda vez em um dia que Décio acusa quem ouviu a mãe da criança autista de ser pago pelo governo estadual, depois de ter incluído o Jornal Razão num card sobre “canais financiados pelo governo”.

A narrativa de que a moradora é parte de uma armação abriu espaço, nos comentários do próprio Décio, a ataques contra a cidade. Um seguidor escreveu que o governador deu “voz a uma típica cidadã jaraguaense, intolerante e amargurada” e, questionado por outro usuário sobre o que seria uma “típica cidadã jaraguaense”, respondeu que “esse é o padrão da cidade” e que “existe um forte padrão na cidade, é inegável”. O comentário seguia no ar até a publicação desta reportagem, sem resposta do candidato.

Fernanda Klitzke deu entrevista ao ND Mais neste domingo e disse que foi derrubada ao chão e atingida por disparos de bala de borracha e chutes enquanto tentava apaziguar a situação “na qualidade de advogada”. A chapa petista também acionou o presidente do TRE-SC, por meio do candidato a governador Gelson Merisio (PSB), e a deputada federal Ana Paula Lima (PT), mulher de Décio, gravou ligação ao presidente Lula pedindo apoio.

A Polícia Militar registrou a ocorrência como desacato, desobediência e resistência. Pela versão dos policiais, tudo começou com a ligação de uma mãe incomodada com som alto que agitou o filho autista, e escalou depois que integrantes da festa avançaram sobre a guarnição. Três pessoas foram presas e ficaram à disposição da Polícia Civil. O governo do estado foi procurado pelo ND Mais sobre as acusações do PT e não respondeu até a publicação.

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Com o pedido na PF, o caso de Jaraguá do Sul passa a ter três frentes de apuração abertas pelo mesmo lado: TRE, corregedoria da PM e Polícia Federal. Do outro lado, o governador tratou o episódio como “armadilha” e deputados aliados prometeram moção de aplauso aos policiais. A três semanas da eleição, a briga deixou de ser sobre o que aconteceu numa rua e virou o principal embate da campanha catarinense.

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