A dona de uma farmácia no bairro Cordeiros, em Itajaí, reclama da postura da organização de um bandeiraço da candidata Anna Carolina (Republicanos), realizado no começo da noite de segunda-feira (14) na Rua Estefano José Vanolli, no antigo Vassourão. Segundo ela, o uso insistente de apitos pelas apoiadoras em frente ao estabelecimento atrapalhou o atendimento, e o pedido para que o barulho parasse terminou com provocação e uma bandeira esfregada no rosto dela.
O grupo de apoiadoras se posicionou na calçada em frente à farmácia, com bandeiras e apitos. A farmacêutica, que é uma das proprietárias do comércio, conta que o barulho começou a atrapalhar o trabalho dentro da loja. “A gente não tava conseguindo atender, tava atrapalhando os clientes”, relatou ao Jornal Razão.
Imagens gravadas dentro da farmácia mostram o movimento no balcão enquanto o som dos apitos domina o ambiente. Ela explica que decidiu divulgar o registro justamente para mostrar o quanto o barulho interferia no atendimento.
Diante da situação, a farmacêutica saiu para conversar com o responsável pelo ato. Ali descobriu que quem coordenava o bandeiraço era João, pai da candidata. “Eu pedi pra ele que parasse com os apitos, pedi com bastante educação. Não falei com as meninas, porque elas não têm culpa, fazem o que mandam”, contou.
Ela argumentou que a farmácia é um estabelecimento de saúde e que o barulho prejudicava quem estava sendo atendido. “Já estavam lá na frente, já atrapalha, mas até aí tudo bem. Mas os apitos, como você vai ver no vídeo, é insuportável”, disse.
A resposta, segundo ela, piorou a situação. A farmacêutica afirma que João teria dito que ela devia dar graças por não haver também uma caixa de som no local. “Quando terminei de conversar com ele e saí, ele muvucou mais ainda, fez elas apitarem mais ainda”, relatou.
Foi nesse momento, conforme o relato publicado por ela nas redes sociais, que uma bandeira foi esfregada em seu rosto. A cena, segundo a comerciante, aparece no fim do segundo vídeo que ela divulgou, gravado na calçada e mostrando a movimentação do grupo na via.
A farmacêutica diz que a reclamação não tem motivação política. “Eu não tenho interesse político nenhum. Primeiro que eu nem voto aqui”, afirmou. Segundo ela, a preocupação é com quem procura a farmácia com dor ou pressão alta e precisa de orientação no balcão. “O apito tira muita paz das pessoas.”
Ela ressalta que não se opõe a manifestações em frente ao comércio. Conta que, depois do episódio, eleitores e até deputados entraram em contato perguntando se poderiam fazer atos no local, e que respondeu que sim. Um deputado estadual, segundo ela, chegou a procurá-la preocupado em saber se o grupo envolvido era dele, garantindo que não permitiria algo parecido.
O que mais a revoltou, diz, foi a falta de retorno da campanha. Segundo a farmacêutica, nem a candidata nem o pai a procuraram para resolver a situação, e ela afirma ter passado a ser atacada nas redes sociais depois de expor o caso. “Um candidato, independente de quem for, se viu uma situação assim que incomodou, vai lá, conversa com os proprietários da loja e resolve”, defendeu.
Para ela, o episódio expõe falta de organização e de limites por parte de quem conduz esse tipo de ato. “Sabemos e respeitamos a manifestação, desde que haja um limite”, escreveu na publicação em que divulgou as imagens.
O Jornal Razão deixa o espaço aberto para manifestação da campanha de Anna Carolina sobre o caso.






















