No palco da convenção estadual do Partido Liberal que o oficializou candidato ao Senado por Santa Catarina, neste sábado (1º), em Florianópolis, Carlos Bolsonaro recorreu à morte como argumento para tentar trazer de volta às urnas quem deixou de votar na última eleição.
“Todo mundo quando morrer vai pro mesmo buraco e vai cheirar do mesmo jeito”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, diante dos filiados.
A frase veio ao citar o contingente de brasileiros que se absteve nas últimas eleições. “Foram trinta e dois milhões de pessoas que deixaram de votar”, afirmou, pedindo que a militância convença esses eleitores a comparecer às urnas em outubro. “Digam a elas que façam não por si, mas por seus filhos, pros seus netos.”
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O número citado bate com os dados oficiais: segundo o Tribunal Superior Eleitoral, cerca de 32,7 milhões de eleitores se abstiveram no primeiro turno de 2022 e 32,1 milhões no segundo, o equivalente a um em cada cinco aptos a votar. Carlos também lembrou que a diferença entre os candidatos à Presidência naquele ano ficou na casa dos 2 milhões de votos.
“Corre nessas veias o sangue de Jair Bolsonaro”
O discurso marcou a estreia de Carlos como candidato oficializado no estado. Em tom de enfrentamento, ele disse que tentarão “calar”, “denegrir” e “esculachar” sua candidatura. “Corre nessas veias o sangue de Jair Bolsonaro. Não vão conseguir”, afirmou.
Ele prometeu “lutar pelos presos políticos de 8 de janeiro”, defendeu a eleição do irmão Flávio Bolsonaro à Presidência da República e a reeleição de Jorginho Mello (PL) ao governo do estado, e classificou a disputa de 2026 como “a última chance que o Brasil tem de continuar com o que restou da sua democracia”.
Ao fim, disse estar impedido de falar com o pai. “Infelizmente eu não posso levar esse abraço, esse momento ao meu pai em Brasília, porque até eu fui impedido de falar com meu pai”, declarou.
Carlos também dedicou parte da fala a Carol De Toni, companheira de chapa ao Senado. “Sem a inteligência e o coração dessa mulher eu jamais teria entrado em Santa Catarina”, disse, chamando a deputada de “principal responsável” pela sua chegada ao estado.
Entenda o caso
A convenção deste sábado oficializou Carlos Bolsonaro e Carol De Toni como candidatos do PL às duas vagas de Santa Catarina no Senado, na chapa que apoia a reeleição de Jorginho Mello. A coligação reúne PL, Novo, Podemos, Republicanos, Democracia Cristã, Agir e a federação PSDB/Cidadania.
Carlos, de 43 anos, foi vereador do Rio de Janeiro por sete mandatos, renunciou ao cargo no fim de 2025 e transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina. Carol De Toni, de 39, é advogada, fez carreira no Oeste catarinense e foi a deputada federal mais votada do estado em 2022.
As convenções partidárias vão até 5 de agosto, e o registro das candidaturas no TSE deve ser feito até o dia 15. A eleição será em 4 de outubro, quando cada estado elege dois senadores.
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