A forte ventania que atingiu Brasília na tarde desta terça-feira (15) derrubou parte da tenda montada na área externa do Supremo Tribunal Federal (STF) para abrigar os jornalistas que cobriam a sessão sobre o ministro Alexandre de Moraes. Ninguém ficou ferido.
A estrutura caiu durante o intervalo do julgamento e atingiu a televisão que transmitia a sessão para os profissionais de imprensa. Houve gritos de susto entre quem estava embaixo da lona.
Vídeos gravados no local mostram o vento levantando a cobertura e seguranças do tribunal segurando as faixas de contenção para que não fossem arrastadas pelas rajadas. Cadeiras, mesas, tripés e equipamentos de filmagem estavam espalhados pela marquise no momento do desabamento.
Os jornalistas estavam do lado de fora por decisão da própria Corte. Na véspera, a Presidência do STF proibiu a entrada da imprensa no plenário durante a sessão extraordinária, alegando capacidade limitada do espaço e dizendo ter considerado sugestões dos ministros.
Pela regra, só os repórteres que fazem a cobertura diária do Supremo puderam acompanhar o julgamento do comitê de imprensa, no segundo andar do prédio principal. Os demais credenciados foram mandados para a marquise, onde o tribunal instalou telões, cadeiras e mesas sob as tendas.
Profissionais que estavam no local reclamaram nas redes sociais. “Quase ocorreu uma tragédia”, escreveu uma jornalista, que chamou a situação de desrespeito com quem estava no “cercadinho do Fachin”, em referência ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A restrição já tinha sido criticada antes da sessão pelo ministro Flávio Dino. Em nota divulgada na segunda-feira (14), a assessoria dele afirmou que o ministro não foi consultado e que teria votado pela presença dos jornalistas no plenário, já que centenas de pessoas, algumas convidadas, acompanhariam o julgamento de perto.
Quem entrou no plenário passou por detectores de metais e raio-X e teve de deixar o celular desligado e lacrado em uma sacola durante todo o julgamento. O rompimento do lacre pode levar à retirada da pessoa da sala.
A sessão começou às 10h e foi suspensa por volta das 13h, sendo retomada às 15h. Os ministros analisam o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e decidem se abrem ou não uma investigação contra o ministro.
A primeira parte do julgamento foi marcada por bate-boca. Moraes chamou a investigação de fraudulenta e classificou a condução do ministro André Mendonça como mafiosa. Gilmar Mendes também atacou Mendonça e disse ver viés político-eleitoral no caso, fala que Mendonça chamou de leviana.
Na retomada, a Corte passou a votar uma questão de ordem que propõe juntar os processos contra Moraes e sobre a conduta de Mendonça e adiar o julgamento para 23 de setembro. Fachin votou para dar continuidade à análise e manter os casos separados.
Até a última atualização desta matéria, o STF não havia se manifestado sobre a queda da tenda nem sobre mudanças na estrutura destinada à imprensa.























