A Justiça Eleitoral oficializou nesta quarta-feira (26) o novo canal de propaganda da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição: o site mercadodamentira.com.br. O ministro André Mendonça, relator do registro de candidatura do presidente no Tribunal Superior Eleitoral, despachou no mesmo dia do protocolo: “Anote-se o novo sítio eletrônico informado na petição”.
A petição havia sido protocolada às 16h08 pelos advogados Angelo Longo Ferraro, Gean Carlos Ferreira de Moura Aguiar, Miguel Filipi Pimentel Novaes e Evelyn Catarina do Carmo Santos, nos autos do registro de candidatura 0601426-81.2026.6.00.0000, que tem como requerentes o presidente e a Coligação Brasil Pronto Pra Mais. O pedido se apoia no artigo 57-B da Lei das Eleições e no artigo 28 da Resolução TSE 23.610/2019, que obrigam o candidato a comunicar à Justiça Eleitoral cada endereço da internet usado em propaganda.
A peça é curta e não descreve o conteúdo que vai ao ar. Limita-se a pedir “a atualização cadastral no sistema competente para que passe a constar o sítio eletrônico acima indicado, para todos os fins de direito e controle eleitoral”. Com o despacho de Mendonça, o Mercado da Mentira passa a constar como canal oficial do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, com tudo o que for publicado ali sob responsabilidade da campanha.
36 minutos depois das blusinhas
O horário do protocolo conta a história. Às 15h32 da mesma quarta-feira, veio a público o acordo que Lula fechou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para acabar com a chamada taxa das blusinhas, o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. A conversa aconteceu durante um almoço reservado, sem a presença da imprensa.
Trinta e seis minutos separam o anúncio do fim do imposto mais impopular do mandato e o registro do site que dá nome à artilharia digital da campanha. No mesmo dia, na madrugada, os autos do registro de candidatura já tinham recebido, às 5h15, a juntada de um documento classificado como notícia de inelegibilidade. O processo acumula 122 movimentações.
O imposto que virou símbolo negativo
A taxa das blusinhas nasceu em 2024 defendida pela própria equipe econômica do governo, com o argumento de dar isonomia tributária às empresas instaladas no Brasil. Teve apoio dos então presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e nenhum deputado do PT votou contra a proposta antes de o texto seguir para sanção presidencial.
A cobrança, porém, se tornou um dos principais símbolos negativos do governo entre as classes C e D. Em março, pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostrou que 62% dos entrevistados apontavam o imposto como o maior erro do presidente. Foi esse número que mudou o cálculo dentro do Palácio do Planalto: a ala política do governo, comandada pelo ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, com apoio da Casa Civil, passou a defender internamente o fim da cobrança.
A medida provisória que acaba com o tributo foi assinada por Lula em 12 de maio de 2026 e perde a validade em setembro. O prazo final para análise dos parlamentares termina em 8 de setembro. Pelo acordo fechado no almoço, a comissão especial que vai analisar o texto será instalada na terça-feira (1º), presidida pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com relatoria do Senado ainda em aberto. A intenção é que a Câmara vote a medida e, na sequência, o Senado.
Lula afirmou ter ficado “muito feliz” com a decisão dos presidentes das duas Casas. “Tanto o companheiro Alcolumbre decidiu colocar esses temas na pauta de votação, como o companheiro Hugo também”, disse.
Pacote eleitoral
No mesmo almoço, Lula, Motta e Alcolumbre definiram cinco temas prioritários para tramitar no Congresso antes das eleições de outubro: a PEC da segurança, o fim da escala 6 x 1, o RedData e a própria taxa das blusinhas. Os presidentes das duas Casas garantiram empenho, mas o compromisso concreto anunciado ficou restrito à medida provisória das blusinhas. Os demais itens seguem sem data de votação em plenário.
A lógica do pacote, segundo a estratégia desenhada no Planalto, é a mesma do novo Desenrola: liberar renda das famílias das classes C e D e baratear as compras do dia a dia. A cobrança do ICMS, imposto estadual que também incide sobre as compras internacionais, não é afetada pela medida e continua variando conforme o estado.
Com o despacho assinado, o Mercado da Mentira já pode operar como canal oficial da campanha. O Congresso volta na terça-feira com a comissão especial instalada e uma medida provisória com prazo de validade contado em dias.




















