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Eleições 2026

Ismael dos Santos deixa o PSD, volta ao PL e diz que reforma tributária vai prejudicar Santa Catarina

Em entrevista ao Jornal Razão, o deputado federal Ismael dos Santos (PL, nº 2277) explicou a saída do PSD, defendeu o voto contra a reforma tributária e revelou que o Fórum Parlamentar Catarinense foi ao TCU contra a concessão de 583 km de rodovias federais com apenas 80 km de duplicação.

Ismael dos Santos deixa o PSD, volta ao PL e diz que reforma tributária vai prejudicar Santa Catarina
Foto: Reprodução
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O deputado federal Ismael dos Santos (PL, nº 2277) foi ao estúdio do Jornal Razão para explicar a saída do PSD, partido que ele ajudou a implantar em Santa Catarina em 2012 ao lado do ex-governador Raimundo Colombo, e para defender o voto contrário à reforma tributária. Segundo o parlamentar, o texto aprovado criou um “conselho político” em Brasília com poder de penalizar o Sul do país.

Na entrevista a Kaiann Barentin, o deputado também revelou que o Fórum Parlamentar Catarinense, que ele coordena, foi ao Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar barrar a concessão de 583 quilômetros de rodovias federais com apenas 80 quilômetros de duplicação prevista, e respondeu sobre o episódio em que gravou vídeo pedindo voto para uma chapa coligada ao PT.

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Ismael afirmou que o rompimento com o PSD veio de um afastamento gradual ao longo dos últimos três anos de mandato em Brasília. “Nós em 2012, junto com o ex-governador Raimundo Colombo, ajudamos a implementar o PSD em Santa Catarina, com uma convicção, com uma pauta, com princípios”, afirmou, antes de detalhar o que classificou como estopim da saída.

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A SAÍDA DO PSD E O RETORNO AO PL

O estopim, na versão do deputado, foi a posição da direção nacional da sigla. Segundo ele, o presidente nacional do PSD declarou na semana anterior à entrevista que não só não manteria neutralidade na disputa presidencial, como oficializou posição contrária a Flávio Bolsonaro, candidato apoiado por Ismael. “Isso acabou, aos poucos, nos deixando numa situação, eu diria, desconfortável no PSD”, disse.

O parlamentar agradeceu publicamente ao governador Jorginho Mello e a lideranças nacionais que, conforme relatou, abriram as portas do PL, entre elas os deputados Nikolas Ferreira e Marco Feliciano. Ismael faz questão de tratar o movimento como retorno: disputou a prefeitura de Blumenau em 2004 já pelo PL. “Mudamos de partido, mudamos de número, mudamos de aglomeração partidária, mas não mudamos as nossas convicções”, resumiu.

37 ANOS DE POLÍTICA E A PRIMEIRA DISPUTA MAJORITÁRIA

Questionado sobre a trajetória, o deputado contou que está há 37 anos na política, com a primeira eleição em 1988. Ele avaliou que as pautas mudaram de eixo desde então. “A polarização era PSDB e PT, e hoje o PSDB, com todo respeito, praticamente está em frangalhos em nível de Brasil”, disse.

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Sobre a candidatura a prefeito de Blumenau, relatou que era vereador com três mandatos e enfrentava as limitações de um partido pequeno, à época sem Fundo Partidário. Segundo ele, a campanha foi feita a pé, rua por rua, ao lado do candidato a vice. Entre seis candidatos, terminou em terceiro, num pleito vencido por João Paulo Kleinübing, que encerrou oito anos de gestões do PT na cidade.

ARCABOUÇO SIM, REFORMA TRIBUTÁRIA NÃO

Cobrado sobre o suposto alinhamento com votações do governo federal, Ismael separou os dois temas mais citados. Explicou que o arcabouço fiscal é o teto de gastos definido pelo Congresso e que votou a favor. Já a reforma tributária, votou contra. Ele classificou a proposta como “radical”, por unificar mais de 40 impostos sob um mesmo guarda-chuva.

A objeção central, na versão dele, está no desenho do órgão que administrará a partilha. “Criou-se um conselho político, olha só, não é um conselho técnico, um conselho político que vai determinar a pulverização desses impostos”, afirmou, sustentando que a centralização em Brasília acabará penalizando o Sul. O deputado disse que Santa Catarina envia cerca de R$ 100 bilhões em impostos por ano e recebe menos de 10% de volta, enquanto há estados do Nordeste que, segundo ele, enviam R$ 30 bilhões e recebem R$ 50 bilhões. “Isso é nefasto para a democracia e para a justiça econômica no país”, disse.

Ismael ressalvou que defende uma reforma tributária, mas não nos termos aprovados. Provocado sobre a avaliação de contadores de que o texto é impraticável, respondeu que é preciso “lapidar e muito” a reforma, sobretudo no terceiro setor, entre profissionais liberais e na rede hoteleira, segmentos que na avaliação dele foram prejudicados pelas alíquotas. A transição, lembrou, se estende por 17 anos.

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PAUTAS INEGOCIÁVEIS E DISCIPLINA PARTIDÁRIA

Perguntado sobre o que faria caso uma orientação do PL colidisse com o interesse técnico de Santa Catarina, o deputado condicionou o alinhamento: “Desde que não firam os meus princípios e os meus valores, eu estarei com o PL”. Ele listou como inegociáveis a liberdade de expressão, a posição contrária ao aborto e às drogas, a maioridade penal e o marco temporal, e afirmou ter votado contra projetos do governo Lula nessas frentes.

O parlamentar também detalhou assinaturas recentes: aderiu ao pedido de impeachment do presidente Lula, ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, à abertura da CPMI do INSS e à CPMI do Banco Master. Disse ter feito tudo “com muita tranquilidade e serenidade”, dentro das próprias convicções.

SIGILO DA FONTE E EMENDAS PARLAMENTARES

Da liberdade de expressão a conversa passou à liberdade de imprensa, com as manifestações do ministro Flávio Dino sobre a revelação de sigilo de fonte e o caso ocorrido no Maranhão. Ismael, que tem uma filha jornalista, disse ser “amplamente favorável que se preserve o mínimo da fonte” e completou: “Não há por que usurpar esse direito.” Emendou, porém, que a transparência de dados também é fundamental.

Sobre emendas parlamentares, o deputado marcou distinção. Afirmou ser contra as chamadas emendas secretas, “essa tem que detonar mesmo”, mas defendeu as emendas individuais, que estão no Portal da Transparência e são distribuídas em cota igual entre os 513 deputados. Rebateu a insinuação de que teria votado com o governo em troca de recursos: “Nada disso, nada disso. Nós temos a mesma cota.”

Disse ter contemplado 172 municípios em 2026 com recursos para educação, saúde, agricultura e turismo, e afirmou ter destinado mais de R$ 3 milhões a Tijucas ao longo do mandato, incluindo entre R$ 400 mil e R$ 600 mil na ponte e R$ 1 milhão para o hospital do município.

O VÍDEO DE SALTINHO: “PEDI DESCULPA POR UM EQUÍVOCO”

Confrontado sobre o episódio de Saltinho, tema que voltou a circular nos bastidores da campanha, o deputado apresentou sua versão. Segundo ele, gravou vídeos para mais de 600 candidatos nas eleições municipais, percorrendo os 295 municípios catarinenses. Em Saltinho, cidade de cerca de mil eleitores, gravou apoio a um candidato a vice-prefeito do próprio PSD, ligado a um vereador amigo. “Portanto, nenhuma infidelidade partidária”, afirmou.

O problema, na versão dele, foi que a chapa estava coligada ao PT na majoritária, e o pedido acabou beneficiando o candidato a prefeito petista. “Fui às redes sociais pedir desculpa, pedir perdão por um equívoco, por uma falha de gravar um vídeo para um candidato a vice-prefeito do meu partido”, disse.

EDUCAÇÃO: 10% DO PIB E ESCOLAS SEM BANHEIRO EM SC

Doutor em literatura e membro da Comissão de Educação da Câmara, Ismael lembrou os 12 anos como deputado estadual na comissão equivalente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, incluindo o embate de 2015 sobre identidade de gênero no plano estadual. Na Câmara, disse, apenas 32 deputados integram a Comissão de Educação, e só dois são catarinenses. Ele é um deles.

O deputado apontou duas conquistas no novo Plano Nacional de Educação, aprovado no fim do ano passado e válido para o período 2026-2036. A primeira, ideológica: segundo ele, o colegiado retirou do texto o que classificou como “cartilha ideológica”. “Havia algumas cascas de bananas, algumas arapucas e a gente estava atento”, afirmou. A segunda é estrutural: a previsão de elevar o investimento federal em educação dos atuais 5% do PIB para 10% até 2036.

Para sustentar a urgência do investimento, citou dado do Ministério Público de Santa Catarina: no estado que é a sexta economia do país, há 50 escolas sem banheiro, usando banheiro químico, e 60 sem água potável. “Inadmissível”, repetiu, projetando cenário pior no Norte e no Nordeste. “A escola tem que ser um lugar aconchegante, seguro, um lugar de vida”, completou. Sobre a proibição do celular em sala de aula, disse ter votado a favor.

FÓRUM PARLAMENTAR LEVA CONCESSÃO DE RODOVIAS AO TCU

Coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense desde fevereiro deste ano, colegiado que reúne os 16 deputados federais e os 3 senadores do estado, Ismael concentrou o trabalho na logística. Ele relatou que o grupo esteve na semana anterior no TCU, em reunião com o presidente da Corte, Antonio Anastasia, acompanhado do senador Esperidião Amin e de outros parlamentares.

O alvo é o projeto de concessão de rodovias federais. Segundo o deputado, a proposta discutida por ANTT, DNIT e Ministério dos Transportes prevê entregar 583 quilômetros à iniciativa privada, com 13 pórticos de pedágio, mas com apenas 80 quilômetros de duplicação. “Isso é inadmissível para os próximos 30 anos”, disse. O Fórum, afirmou, não foi convidado para o grupo de trabalho que levou dois anos elaborando a proposta: “aqui fica o meu desabafo, o meu desagravo”. O tema já havia sido debatido em audiência pública da ANTT que reuniu a bancada catarinense contra o projeto.

Entre as nove rodovias federais citadas, apontou a BR-470, que segundo ele levou 20 anos para ter 74 quilômetros executados e ainda não foi concluída, além da BR-280, da BR-282 e da BR-153. O argumento econômico: 60% da riqueza catarinense está no Oeste, e os grãos precisam ser escoados.

No caso da BR-101, o deputado comemorou o repasse do trecho até o contorno de Florianópolis e o Morro dos Cavalos para a Motiva, com R$ 4 bilhões em investimentos previstos. O gargalo, segundo ele, está no trecho Norte, de Biguaçu até a divisa com o Paraná, onde há uma centena de obras paradas, entre passarelas, marginais e viadutos. Ele afirmou que a concessionária Arteris desistiu do contrato e quer permanecer só até 2030, enquanto o Fórum propôs estender até 2048 para concluir as obras. Sem acordo, a disputa foi levada ao TCU.

O deputado citou os trechos de conurbação urbana entre Tijucas e São João Batista e a região de Balneário Piçarras, Penha e Barra Velha, onde a rodovia “virou uma avenida”. Elogiou também a iniciativa da Via Mar, do governo estadual, como alternativa para desafogar a BR-101.

FERROVIAS: “O MAIOR CEMITÉRIO DE VAGÕES DA AMÉRICA LATINA”

O terceiro eixo da atuação no Fórum é o modal ferroviário, também levado ao TCU. Ismael fez um paralelo histórico ao afirmar que no tempo de Dom Pedro II o Brasil tinha 10 mil quilômetros de ferrovias e era o segundo do mundo no setor, atrás apenas dos Estados Unidos, com 12 mil. “Agora nós temos 7 mil. Olha, querem reduzir para apenas 4 mil”, alertou.

Ele citou a paralisação do trecho entre Rio Grande do Sul e Paraná via Lages e descreveu a situação em Ponte Alta, ao lado de Correia Pinto: “Está o maior cemitério de vagões da América Latina. Uma tragédia.” Segundo o deputado, a proposta apresentada à ANTT privilegia apenas a região de Mafra, escoando produção para os portos de São Francisco do Sul e Itapoá, sem resolver a ligação com o Oeste. “Precisamos da ferrovia, chamada ferrovia do frango, urgentemente”, defendeu. A concessão do modal, lembrou, valerá pelos próximos 30 anos.

COMUNIDADES TERAPÊUTICAS: NÚMEROS E O EMBATE COM O PSOL

Perguntado se as críticas de setores da esquerda ao financiamento das comunidades terapêuticas têm base legal ou são perseguição ideológica, o deputado, que preside a Frente Parlamentar de Apoio às Comunidades Terapêuticas Acolhedoras, respondeu que são ideológicas. Ele afirmou que mais de 3 mil comunidades abrigam hoje cerca de 90 mil jovens no país, diante de um universo que estimou em 10 milhões de dependentes de drogas pesadas. “Onde estariam esses jovens? Em situação de rua”, disse.

Ismael rebateu as acusações de castigos físicos, portões trancados e proselitismo religioso com uma palavra: “Mentira!”. Citou pesquisa da Universidade Federal Fluminense feita, segundo ele, três meses atrás em 513 comunidades do programa federal. O levantamento não teria constatado violação de direitos humanos em nenhuma delas, todas de adesão voluntária, com 53% dos que concluíram o programa de até seis meses superando a dependência. Lembrou ainda o Programa Reviver, criado a partir da comissão que presidiu na Assembleia catarinense, com 800 vagas gratuitas mensais.

O deputado apontou como adversária a Frente Parlamentar Antimanicomial, coordenada pelo deputado Henrique Vieira (PSOL), que segundo ele promove audiências públicas contra a compra de vagas pelo poder público. Informou que as vagas patrocinadas passaram de 9.700, a R$ 1.200 cada, para 17 mil no período, com meta de 20 mil até o fim do ano. “É muito pouco para 10 milhões de dependentes químicos, mas é o que a gente está conseguindo fazer”, ponderou, citando dado da OMS de que cada dependente adoece cerca de 29 pessoas ao redor de si.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO ESTADUAL E A ROTINA DE MANDATO

Base do governo estadual, Ismael fez avaliação positiva da gestão de Jorginho Mello. Destacou o programa de universidade gratuita, que, ressalvou, foi lançado em governos anteriores e teve as vagas triplicadas, o programa Estrada Boa para o interior e os mutirões de saúde. Elogiou nominalmente o secretário estadual de Saúde, Diogo Demarchi, pelo socorro a mais de 100 hospitais filantrópicos que estavam “no vermelho”, e citou a estadualização da folha do Hospital São José, em Joinville.

Sobre a rotina, o deputado disse rodar 10 mil quilômetros por mês pelo estado e caminhar 7 quilômetros por dia dentro da Câmara, entre terça e quinta em Brasília. Afirmou atender de 10 a 30 prefeitos por semana, além de vereadores e representantes de universidades e hospitais: “Nosso gabinete não tem horário, não precisa marcar agenda. Não tem cor partidária.” Contou também que escreve um livro por ano há duas décadas e distribui gratuitamente: são 60 títulos, entre ficção, teologia, política e educação, sendo o mais recente o romance “Cronos”.

“O BRASIL É UM AVIÃO QUE TEM TUDO PARA DECOLAR”

Na reta final, o deputado disse esperar a vitória de seu candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e recorreu a uma imagem: “O Brasil é um avião que tem tudo para decolar com muita energia. Está faltando um piloto. Está faltando um gestor.” Sobre o atual presidente, disse que Lula, “com todos os seus méritos e deméritos”, esqueceu de fazer a gestão do país, talvez por causa do entorno.

No recado final aos eleitores, cobrou comparecimento às urnas, lembrando que 32 milhões de brasileiros não votaram na última eleição presidencial. Apresentou a política como uma locomotiva sobre dois trilhos: o pragmático, das entregas, e o ideológico, das ideias. Afirmou ter trazido mais de R$ 300 milhões em emendas impositivas para Santa Catarina em três anos, mas insistiu que o eleitor deve perguntar o que o candidato pensa. “Que não seja um deputado paraquedista”, disse, defendendo que o parlamentar divulgue o próprio telefone. Encerrou com um pedido: “Não me julgue pelas redes sociais. Me julgue pelas minhas obras.”

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