Os candidatos de Santa Catarina já receberam mais de R$ 44,5 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado “fundão eleitoral”, para as eleições de 2026. O valor consta da prestação de contas parcial enviada à Justiça Eleitoral e compilada pelo Jornal Razão a partir dos dados abertos do TSE atualizados nesta sexta-feira (28).
O fundão é a principal fonte de dinheiro da campanha catarinense até agora. De todos os R$ 53,5 milhões declarados em receitas pelos candidatos do estado, 83% vieram do fundo público — dinheiro que sai do Orçamento da União, é dividido entre os partidos conforme o tamanho das bancadas e chega aos candidatos por repasse das direções partidárias. Criado em 2017, depois que o Supremo proibiu doações de empresas, o FEFC se tornou a espinha dorsal do financiamento eleitoral no país. Em comparação, as doações de pessoas físicas somam R$ 3 milhões em SC, e o dinheiro do próprio bolso dos candidatos, R$ 3,1 milhões.
O PL lidera os repasses no estado: R$ 22,5 milhões distribuídos a 36 candidatos, uma média de R$ 626 mil por campanha. O PT vem em segundo, com R$ 10,9 milhões para 21 candidatos. As estratégias, porém, variam: enquanto PL e PT concentram valores altos em menos nomes, o PSOL pulverizou seus R$ 5,1 milhões entre 41 candidatos, com média de R$ 125 mil. Completam a lista NOVO (R$ 2,6 milhões), PODE (R$ 1,7 milhão), PCdoB (R$ 1,4 milhão), MDB (R$ 142 mil) e PSTU (R$ 42 mil). Os demais partidos ainda não declararam repasse do fundão a candidatos catarinenses — o dinheiro segue nos diretórios nacionais.
Entre os candidatos, a maior cota individual é a do governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição: R$ 5,7 milhões. Na sequência aparecem a deputada federal Ana Paula Lima (PT), com R$ 2,3 milhões, o candidato ao Senado Décio Lima (PT), com R$ 2,2 milhões, e a também candidata ao Senado Carol de Toni (PL), com R$ 2,1 milhões.
O recorte de gênero mostra distância nas médias. As mulheres são 58 das 140 candidaturas que já receberam fundão em SC e ficaram com 34% do dinheiro — acima do mínimo de 30% exigido por lei para candidaturas femininas. A média por candidata, porém, é de R$ 260 mil, contra R$ 359 mil por candidato homem.
Os números ainda vão crescer. Até esta sexta, 329 dos 662 candidatos de Santa Catarina haviam declarado alguma movimentação financeira — os relatórios parciais são entregues ao longo de setembro, e a prestação definitiva só é julgada depois da eleição.
Todo o dinheiro da campanha catarinense pode ser consultado, candidato a candidato, no painel de contas do especial Eleições 2026 do Jornal Razão, em jornalrazao.com/eleicoes-2026/contas: o extrato de cada campanha traz cada doação recebida e cada gasto contratado, com fornecedor, valor e nota fiscal, além dos rankings de doadores e fornecedores. Os dados são oficiais do TSE e atualizados diariamente.






















