A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) descambou para um bate-boca aberto entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Com a voz elevada, Mendonça virou-se para o decano e deu uma ordem: “Me respeite”.
O embate ocorreu no julgamento que discute a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes a partir do material recolhido pela Polícia Federal no caso do Banco Master.
A troca começou quando Mendonça defendia o procurador-geral da República, Paulo Gonet. “É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto, sim, é leviandade”, afirmou.
Interrompido seguidas vezes, o ministro passou a cobrar o direito de concluir. “Não, presidente, agora eu que estou com a palavra”, disse, antes de se dirigir diretamente ao colega: “Ministro Gilmar, peço a Vossa Excelência silêncio”.
O tom subiu de vez na sequência. Mendonça repetiu a exigência em voz alta e emendou uma frase que expõe o tamanho do desgaste: “Não, não é brincadeira. Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não”.
Sem conseguir retomar a fala, o ministro apelou ao presidente da Corte e chegou a ameaçar travar o julgamento. “Ministro Fachin, se Vossa Excelência, com todo respeito, não toma uma providência, eu vou pedir vista”, declarou.
Um pedido de vista suspende a análise do caso e pode adiar por tempo indeterminado a decisão sobre o futuro de Moraes, que é justamente o ponto central da sessão.
Foi nesse ponto que Flávio Dino entrou na discussão e cobrou de Fachin uma atitude. “O poder de polícia da sessão compete a Vossa Excelência”, afirmou o ministro.
Dino disse ainda que o rumo tomado pelo plenário prejudica a própria Corte. “Nós estamos em termos que degradam a imagem do tribunal”, declarou.
Ele foi além e avisou que não pretendia continuar assistindo à cena. “Vossa Excelência está assistindo a isso há horas”, disse a Fachin, acrescentando que o episódio pode dominar o Supremo por semanas ou meses.
“Se Vossa Excelência vai assistir a isto, eu não vou. Porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele”, afirmou Dino, antes de fazer novo apelo à presidência da sessão.
O episódio se soma a uma sequência de atritos no mesmo dia. Kassio Nunes Marques se declarou impedido, Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, Luiz Fux confrontou Gilmar Mendes sobre a atuação da Polícia Federal e Moraes rebateu Fachin ao cobrar a extinção do procedimento aberto contra ele.




















