O servidor público Carlos Frederico Carneiro Buchele, de 51 anos, lotado na Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi indiciado pela Polícia Legislativa Federal após enviar um e-mail com ofensas e ameaças à deputada federal Júlia Zanatta (PL).
O caso é investigado no âmbito da Câmara dos Deputados. O inquérito foi remetido à 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.
O e-mail foi encaminhado no dia 31 de julho de 2025 para o endereço funcional da parlamentar. A mensagem tinha como assunto “Julinha!” e, apesar do tom aparentemente informal, continha ataques diretos.
No texto enviado à deputada, o servidor escreveu:
“Vai te foder, desgraçada, criminosa, mentirosa, nojenta … larga desse crucifixo no pescoço, sua falsa cristã! Enfia o Bolsonaro no teu CU, enfia o Trump na tua BUCETA e enfia a tua Bíblia MITOLÓGICA em qualquer lugar que sobrar (talvez no CU do Malafaia). MAU CARÁTER DO CARALHO! Todo o apoio ao Alexandre de Moraes, aos ministros do STF, ao presidente Lula (o melhor desse país até hoje) e a próxima a ir pra cadeia será você, sua ratazana de esgoto. Ah, não … as ratazanas são mais evoluídas e não quero ofendê-las … Você não passa de uma bactéria patogênica, nociva, mas que vai se autodestruir logo, logo … FILHA DA PUTA!”
— Mensagem enviada pelo investigado
A Polícia Legislativa Federal apontou indícios dos crimes de ameaça, injúria e difamação. Também considerou como agravantes o fato de a mensagem ter sido enviada por meio eletrônico e a vítima ser funcionária pública no exercício do mandato.
No depoimento prestado à autoridade policial, Buchele confirmou ser o autor do e-mail e reconheceu o teor integral da mensagem. Ele afirmou que, à época dos fatos, enfrentava “quadro de ansiedade e depressão severa, acompanhado de ideação e tentativas de suicídio”, situação que, segundo declarou, o levou posteriormente a acompanhamento psiquiátrico com internação clínica por cerca de 45 dias.
Questionado sobre a motivação, disse que estava acompanhando conteúdos políticos nas redes sociais e que teria ouvido notícia desfavorável à deputada no momento em que enfrentava problemas psiquiátricos.
Ainda em depoimento, declarou que se arrependeu do envio, que jamais teria agido daquela forma “em condições normais de saúde” e que não teve intenção de ameaçar ou causar mal à parlamentar. Disse também que nunca teve contato pessoal com a deputada e que não pretende se aproximar.
O advogado do investigado solicitou a juntada de documentação médica, incluindo relatório psicológico e atestado, aos autos.
O procedimento foi formalizado pela Polícia Legislativa Federal e encaminhado ao Judiciário para análise. Caberá agora à Justiça Federal decidir sobre o recebimento da denúncia e os próximos passos do processo.