A campanha de Carol de Toni (PL) ao Senado por Santa Catarina declarou ao TSE R$ 4.700.000 em receitas. O limite de gastos fixado para o cargo no estado é de R$ 4.447.201,54, ou seja, entrou em caixa R$ 252.798 a mais do que o teto. É a maior arrecadação entre os candidatos ao Senado catarinense e a segunda maior de toda a eleição no estado, atrás apenas do governador Jorginho Mello (PL), com R$ 5,79 milhões.
Procurada pelo Jornal Razão, a assessoria da candidata explicou que esse valor a mais está reservado para serviços de advocacia e contabilidade, despesas que ficam fora do limite e por isso não entram na conta do teto. Pela justificativa, a prestação de contas fecha sem irregularidade.
A lei dá respaldo a essa leitura. O artigo 26, parágrafo 4º, da Lei das Eleições estabelece que despesas com consultoria, assessoria e honorários decorrentes de serviços advocatícios e de contabilidade prestados no curso da campanha são gastos eleitorais, mas ficam excluídas do limite de gastos — e podem ser pagas com recursos do próprio fundo eleitoral. Na prática, uma campanha pode arrecadar acima do teto desde que o excedente vá para essas rubricas. O que a lei não permite é gastar acima do limite nas demais despesas: nesse caso o excedente vira sobra de campanha, e recurso do fundão que não for usado tem de voltar integralmente ao Tesouro Nacional na prestação de contas.
A conferência só será possível no fim. A disputa pelo Senado é decidida em turno único, então não há segundo turno que amplie o limite, e a Justiça Eleitoral só julga as contas, com a comprovação de cada gasto, depois da eleição.
Como o dinheiro entrou
Tudo em três lançamentos. A Direção Nacional do PL fez dois PIX idênticos de R$ 2.150.000 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundão: o primeiro em 24 de agosto, o segundo em 2 de setembro. Entre eles, em 27 de agosto, entraram R$ 400 mil de uma única pessoa física, Juliano Avila Custodio. Dinheiro público responde por 91,5% do orçamento da campanha.
Os R$ 400 mil são a maior doação individual de pessoa física declarada em Santa Catarina nesta eleição — 2,7 vezes a segunda maior, de R$ 150 mil, feita à campanha de Valdir Cobalchini (MDB).
No que já gastou
A campanha declarou R$ 1.308.001,50 em despesas contratadas e, diferente da maioria das catarinenses, que registram o contrato e não registram o pagamento, já liquidou R$ 1.293.001,50 — 98,9% do contratado. Sozinha, responde por 18,8% de todo o dinheiro efetivamente pago na eleição do estado até agora.
Desse total, R$ 110 mil já são serviços advocatícios, pagos ao escritório Bernardi & Wanderlinde Advogados por assessoria jurídica — a mesma rubrica que a campanha diz que vai absorver o excedente, e que a lei mantém fora do teto.
O maior contrato é de R$ 1 milhão com a Ventura Estúdio Ltda, de propaganda, publicidade e planejamento de campanha, assinado em 26 de agosto e registrado com nota fiscal, dos quais R$ 985 mil já foram pagos. A mesma empresa aparece na campanha de Jorginho Mello, com R$ 985 mil contratados: as duas maiores campanhas do PL em Santa Catarina são atendidas pela mesma agência, que soma quase R$ 2 milhões nos dois contratos.
Vêm depois R$ 198 mil pagos ao Facebook Serviços Online do Brasil, em cinco lançamentos de impulsionamento entre 25 e 31 de agosto. É a maior verba de impulsionamento declarada em Santa Catarina, à frente do próprio governador, e 12,8% de tudo o que os 105 candidatos que usam a rubrica declararam no estado.
Quem é a candidata
Caroline Rodrigues de Toni, 39 anos, natural de Chapecó, faz a primeira disputa majoritária da carreira. Foi suplente de vereadora na cidade em 2016, pelo PP, elegeu-se deputada federal em 2018 pelo PSL e foi reeleita em 2022 pelo PL, as duas vezes por quociente partidário. Concorre pela coligação Fé no Trabalho e Pé na Tábua, formada por Republicanos, Podemos, PL, DC, Novo, Agir, Avante e a federação PSDB/Cidadania, com Geraldo Wetzel Neto (Novo) e Andrey Tomazi (PL) como suplentes. A candidatura está deferida.
Ela declarou R$ 1.412.309,50 em bens, valor que mais que dobrou desde 2022, quando eram R$ 651.781. Em dez anos, o patrimônio declarado cresceu 725% — em 2016 eram R$ 171.182. A maior parte está em aplicações no Banco do Brasil e numa posição de R$ 403 mil na empresa Zancanaro Viva Park Ltda, entre cotas e adiantamento para aumento de capital. Em imóveis, declarou um apartamento de 183 m², uma casa de 400 m² e 26% de um lote, todos em Chapecó.
A prestação de contas é parcial: a base do TSE é atualizada diariamente até depois da eleição, e os valores mudam a cada nova entrega. A eleição é em 4 de outubro. O extrato completo da campanha, lançamento por lançamento, está no especial Eleições 2026 do Jornal Razão.
Os valores desta reportagem são do arquivo de prestação de contas do TSE gerado em 3 de setembro de 2026.























