Uma discussão entre os vereadores Júlio Bucoski (PP) e Cláudio Eduardo, conhecido como Cláudio do Jornal (MDB), levou à suspensão da sessão na Câmara Municipal de Tijucas na noite desta segunda-feira (6). O bate-boca aconteceu logo após a votação de uma indicação que propõe o desconto de R$ 1 mil por cada falta sem justificativa dos parlamentares.
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A proposta foi apresentada pela mesa diretora, da qual Júlio Bucoski é vice-presidente. O projeto visa fortalecer a responsabilidade parlamentar e o respeito aos recursos públicos. A Câmara de Tijucas realiza apenas 6 sessões por mês, e o desconto seria aplicado sempre que um vereador faltasse sem apresentar justificativa médica ou documental.
Origem do projeto e votação
A indicação havia sido originalmente protocolada por Júlio como projeto de lei individual, o de número 14/2026, mas um parecer jurídico indicou que a matéria deveria partir da mesa diretora. O projeto original foi arquivado e a indicação foi reapresentada pela mesa.
A proposta foi aprovada com 8 votos favoráveis, 3 contrários e 1 abstenção, em votação única. O presidente Flavio Henrique (MDB) não votou, conforme o regimento.

Discurso contra e argumentos a favor
Antes da votação, o vereador Cláudio do Jornal pediu a palavra e discursou contra a proposta. O parlamentar argumentou que o trabalho do vereador vai além das sessões plenárias. “Quero que um de vocês me diga que vocês só trabalham como vereadores nessas duas horas que vem pra sessão. Nós trabalhamos 24 horas”, afirmou.
Cláudio disse que vereadores atendem a população em horários variados, inclusive à noite e nos finais de semana, e que reduzir a atuação parlamentar às sessões seria injusto com a instituição. O vereador também levantou preocupações sobre possíveis abusos na aplicação da regra. “Pode ser usado também pra perseguição de quem pensa diferente”, declarou.
Por outro lado, a proposta contou com ampla maioria no plenário. Dos 12 vereadores presentes, 8 votaram a favor, entendendo que a medida reforça o compromisso dos parlamentares com a presença nas sessões, que são o principal instrumento de trabalho legislativo e acontecem apenas 6 vezes ao mês.
Bate-boca e sessão suspensa
A situação escalou após o resultado da votação. Conforme apurou o Jornal Razão, o vereador Júlio Bucoski teria feito comentários sobre a fibromialgia de Cláudio, sugerindo que o colega utilizava a condição de saúde como justificativa para faltas.
Cláudio se revoltou e confrontou o colega no plenário. “Fala no microfone que o senhor falou dessa doença. Porque é muito fácil julgar quem não está na pele do outro. Agora tenha culhão e fala no microfone”, disse Cláudio, visivelmente alterado, enquanto se dirigia a Júlio.
Diante do tumulto, o presidente Flavio Henrique tentou restabelecer a ordem e pediu que os vereadores se manifestassem pelo microfone. Sem sucesso em acalmar os ânimos, optou por suspender a sessão.
Próximos passos
A indicação aprovada será encaminhada à mesa diretora, que tem autonomia para transformar o texto em projeto de lei e levá-lo à votação formal. A aprovação da indicação não tem força de lei, mas sinaliza o posicionamento da maioria dos vereadores a favor do desconto salarial por faltas injustificadas.


