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Eleições 2026

Deputado federal defende divisão do Brasil e diz que Santa Catarina é autossuficiente

Em entrevista ao Jornal Razão, em Tijucas, o deputado federal Fábio Schiochet (União Brasil) disse que a revisão do Pacto Federativo "não vai acontecer", defendeu a divisão do país entre os estados do Sul e confirmou apoio a João Rodrigues contra o governador Jorginho Mello.

Deputado federal defende divisão do Brasil e diz que Santa Catarina é autossuficiente
Foto: Reprodução
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Eleito aos 29 anos e hoje com 38, o deputado federal Fábio Schiochet (União Brasil) esteve no estúdio do Jornal Razão, em Tijucas, e fez o que chamou de confissão em pleno período pré-eleitoral: a revisão do Pacto Federativo, bandeira que ele mesmo levou a Brasília em 2018, “não vai acontecer”. Na conversa com o repórter Lorran, o parlamentar defendeu a divisão do país entre os estados do Sul, disse ser favorável à revogação do Estatuto do Desarmamento, criticou o modelo brasileiro de demarcação de terras indígenas, citando Canelinha e São João Batista, atacou o PSOL e a pauta de gênero defendida pela esquerda, confirmou apoio a João Rodrigues (PSD) contra o governador Jorginho Mello (PL) e afirmou que a candidatura oposicionista chegou a 26% em pesquisas internas para o governo do Estado.

DE 29 ANOS A DUAS LEGISLATURAS: QUEM É FÁBIO SCHIOCHET

Natural de Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, Schiochet contou que nunca havia disputado cargo eletivo antes de 2018, quando entrou na onda bolsonarista puxada por um movimento político local iniciado em 2016. Elegeu-se com 87.345 votos e 29 anos de idade, tornando-se, segundo ele, o deputado federal mais jovem da história de Santa Catarina. Em 2022, conquistou a reeleição.

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O parlamentar hoje tem 38 anos, preside o partido em Santa Catarina e é candidato à reeleição. “Eu sou jovem, tenho 38 anos, tenho muita lenha pra queimar nessa caldeira ainda”, afirmou. Ele diz não passar fins de semana em Brasília desde que assumiu: volta às quintas-feiras e roda o Estado até sábado, ficando em Jaraguá aos domingos e segundas.

ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA

Capa do vídeo do YouTube

“NÃO VAI ACONTECER”: A BANDEIRA QUE O PRÓPRIO DEPUTADO ENTERRA

O ponto mais duro da entrevista veio quando Schiochet tratou da própria promessa de campanha. Disse ter feito a primeira eleição prometendo defender a revisão do Pacto Federativo, inverter a pirâmide fiscal e deixar mais recursos no município e no Estado. Ao fim do segundo mandato, mudou de diagnóstico: “Eu vejo que isso não vai acontecer”. Segundo o deputado, Santa Catarina tem entre 2% e 3% da população nacional, “carrega o Brasil nas costas” e é sempre tratada “no canto da mesa por Brasília”.

Na avaliação dele, o discurso vai se repetir na campanha sem qualquer efeito prático. “A gente vai ter agora diversos candidatos de diversos partidos falando: eu vou pra Brasília pra defender Santa Catarina na revisão do Pacto Federativo. Não vai acontecer”, repetiu. A alternativa que apresentou é a separação do país: na versão do parlamentar, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina “davam conta das próprias contas”, enquanto hoje produzem para sustentar “estados que não são produtivos e que precisam da máquina inchada”.

Eu acredito que isso jamais vai acontecer, a não ser que teja uma guerra civil pra dividir o país.

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Pressionado pelo repórter sobre se defende de fato a divisão, Schiochet respondeu que a considera viável, já que “Santa Catarina é autossuficiente”, mas ressalvou que acredita ser impossível na prática. O entrevistador brincou com a repercussão, dizendo que o trecho viraria manchete fora de contexto no dia seguinte, e o deputado concordou que seria descontextualizado. Sobre o caminho institucional, ele defendeu que o deputado federal precisa pressionar por mais recursos porque “hoje boa parte do orçamento está no Congresso Nacional”, resposta que o repórter classificou, ao vivo, como “engabelada”.

ARMAS, ESTATUTO DO DESARMAMENTO E A “CAPITAL NACIONAL DO TIRO”

Relator na CCJ do projeto que declarou Jaraguá do Sul capital nacional do tiro, Schiochet rebateu a associação entre a cultura de tiro e violência. Segundo ele, a Schützenfest e os clubes de sociedade são herança dos ancestrais alemães e do tiro desportivo. “Não é que todo mundo lá anda com uma arma na cintura”, disse, sustentando que a cidade é “a mais pacífica do Brasil” pela cultura do povo e pelo respeito à polícia. Ao ser questionado sobre como conciliar campeonatos de tiro com baixa criminalidade, respondeu: “A arma que tá em cima da mesa não atira sozinha”.

O deputado afirmou ser “totalmente favorável à revogação do Estatuto do Desarmamento” e citou os Estados Unidos como referência. Para ele, a venda de armas poderia ocorrer até em supermercado, desde que o comprador não tivesse antecedentes criminais nem medida protetiva. Em outro trecho, disse que o Estatuto serviu “para armar o bandido, para armar a facção criminosa”.

Seu argumento central é o referendo de 2005, quando a população votou contra a proibição do comércio de armas de fogo no país. Na versão do parlamentar, o governo agiu por decreto contra a vontade das urnas: “O Lula foi lá e fez o decreto do Estatuto do Desarmamento, desarmando todo mundo. Ninguém chamou ele de antidemocrático”. Para ele, o Brasil tem “uma democracia bonita no livro”.

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“TRÊS HORAS DA MANHÔ: O ARGUMENTO DA DEFESA DOMÉSTICA

Schiochet transformou o tema em relato pessoal. Contou ter arma registrada em casa, onde vivem a mulher, que, segundo ele, pesa cerca de 45 quilos, e dois filhos, de 9 e 3 anos. “Se o vagabundo entrar lá às três horas da manhã, tem dois jeitos dele sair: ou preso ou morto”, afirmou, dizendo ser manco de uma perna e não saber brigar.

O deputado usou o mesmo exemplo para criticar adversários da esquerda, sustentando que, diante de uma invasão domiciliar, “essa turma do PSOL, essa turma do PT” também gostaria de ter algo para se proteger e torceria por um policial militar bom de tiro, caso houvesse refém. Ele frisou que não desejava a situação a ninguém, apresentando-a como hipótese. Disse ainda ter mãe, irmã, uma filha e outra a caminho, e que gostaria que todas as mulheres da redação pudessem estar armadas.

TERRAS INDÍGENAS: “MASSA DE MANOBRA”, DIZ O DEPUTADO

Ao tratar de demarcação, Schiochet puxou o assunto para a região do Vale do Rio Tijucas. Citou o território indígena em Canelinha e São João Batista e afirmou que ali “não se pode avançar”. Também mencionou uma área do Meio-Oeste catarinense em discussão no STF, onde, segundo ele, municípios inteiros “vão acabar” se a demarcação for retomada.

Sua proposta é copiar o que descreveu como modelo americano, em que povos indígenas exploram cassinos e petróleo. “O jeito que a gente lida com o nosso povo indígena parece assim: fica no teu cantinho aqui, eu vou te proteger pra você não evoluir”, disse. Ele defendeu que territórios indígenas com solo produtivo ou potencial de mineração sejam explorados com repasse de percentual às comunidades, e que os indígenas possam arrendar ou alugar suas terras, hoje impedidos, na avaliação dele, por legislação burocrática e pela atuação do Ibama.

O parlamentar afirmou ainda, como versão sua, que “a grande maioria dos índios é utilizada como massa de manobra” e que a pauta funciona como “escudo de proteção”. Fez questão de dizer que não estava discriminando ninguém e que não se tratava de juízo de valor, resumindo que “eu não tô aqui dizendo que o índio não presta, bem pelo contrário”, mas cobrou que se pare de “usar algumas minorias” para ganhar voto. Criticou também parlamentares que entram no plenário com cocar. O repórter ponderou na conversa que a legislação sobre terra indígena existe também como proteção contra pessoas com interesses escusos, e que ninguém pode simplesmente entrar e fazer o que quer.

O EPISÓDIO DA CACICA E A RESPOSTA DE JORGINHO MELLO

O caso do governador Jorginho Mello, que reagiu com xingamentos ao ser confrontado por uma liderança indígena, foi apresentado pelo repórter a partir da fala do pré-candidato Gelson Merisio (PSB), que disse não acreditar que 72% dos catarinenses apoiem aquele comportamento e atribuiu a repercussão a robôs. O Jornal Razão registrou que a reação predominante do público ao vídeo publicado pelo portal foi de apoio ao governador.

Schiochet não endossou integralmente a atitude do governador. Disse que “tudo tem limite” e relatou episódio de anos atrás, na barragem de José Boiteux, quando seu fotógrafo foi confrontado ao tentar registrar a imagem de uma criança. “Quem fala o que quer, escuta o que não quer”, resumiu, admitindo que um governador “tem que ter um saco ainda maior”. Ao ser cobrado sobre se o catarinense concorda, ponderou: “É ruim o momento de você xingar uma mulher, é péssimo. Se fosse um homem, aí eu acredito que o catarinense até concorda”. Ele disse não ter acompanhado a repercussão e insistiu que falava como cidadão, não em defesa do governador.

O repórter acrescentou ao contexto que o cacique anterior teria sido preso por tráfico e que a nova liderança teria reaberto acordos firmados com a gestão estadual, o que antecedeu o episódio.

PSOL, PAUTA DE COSTUMES E A CRÍTICA A ERIKA HILTON

A conversa também escorregou para a pauta de costumes, terreno em que o deputado foi o mais duro da entrevista. Schiochet dirigiu críticas severas ao PSOL e ao que classificou como agenda progressista no Congresso, sustentando uma leitura estritamente biológica sobre gênero e afirmando que esse é o ponto em que não há acordo possível com a esquerda. Na avaliação dele, parte do debate parlamentar deixou de tratar de problemas concretos do país para girar em torno de disputas identitárias.

Nesse trecho, o parlamentar citou nominalmente a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e criticou sua atuação na Câmara. As avaliações foram apresentadas como opinião pessoal do entrevistado, sem que houvesse, na conversa, contraditório da parlamentar citada.

ELEIÇÃO 2026: POR QUE ELE APOIA JOÃO RODRIGUES E NÃO JORGINHO

Schiochet explicou o rompimento com o governador pela lógica da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Segundo ele, o partido passou a ter um senador na federação e a regra sempre foi clara: “Onde não há espaço para o senador, não haveria espaço para o partido”. Jorginho Mello, afirmou, fez sua escolha ao optar pela deputada federal Caroline de Toni e pelo vereador Carlos Bolsonaro para o Senado, restando ao grupo “procurar outro caminho da direita”.

O escolhido foi o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD), apoiado por um arco que reúne PSD, MDB, PP e União Brasil. O deputado apresentou a curva das pesquisas internas: começaram com 8%, passaram a 16%, depois 20% e agora 26%. A meta declarada é levar a disputa ao segundo turno. “Santa Catarina ganha o poder de escolher”, disse, admitindo que o governador leva vantagem por quatro anos de exposição, obras e viagens ao interior, enquanto a campanha adversária começou no início do ano. Ele estima que o eleitor só entrará no clima da eleição por volta de 15 ou 16 de agosto.

Sobre Gelson Merisio, Schiochet foi direto: apesar de reconhecer sua passagem pela presidência da Assembleia Legislativa, classificou-o como “o candidato arranjado pela esquerda, para ser uma esquerda travestida de centro”. Segundo ele, se a esquerda lançasse Décio Lima ou Afrânio Boppré, ficaria evidente o caráter “radical” da chapa. O repórter contrapôs elogiando pessoalmente Afrânio Boppré (PSOL), com quem conversou no mesmo estúdio: disse discordar de tudo o que ouviu, mas considerá-lo sincero e “apaixonado” pelo mundo que idealiza. Schiochet respondeu que se trata de utopia e chamou de “absurdo” o que a legenda defende no Congresso.

A ONDA DE 2018, A QUEDA DE VOTOS E O TESTE DE 2026

O deputado reconheceu ter sido “fruto de uma onda”. Em 2018, o grupo bolsonarista elegeu em Santa Catarina quatro deputados federais, seis estaduais, um governador e uma vice-governadora. Depois, a maioria migrou do PSL, legenda que deu origem ao União Brasil, para o PL, acompanhando Jair Bolsonaro. Schiochet ficou no partido de origem e, dos cinco que não seguiram, foi o único reeleito, mas com queda de 87 mil para 52 mil votos.

Questionado se teme continuar caindo, respondeu que o trabalho ganhou capilaridade no Estado e disse querer justamente medir quantos votos são efetivamente seus. Na leitura dele, 2026 será um teste de peso individual: “Está o Flávio aí, não é o Jair”. Ainda assim, considera Flávio Bolsonaro competitivo e avalia que o PL será mais forte em Santa Catarina do que em outros estados, por conta das candidaturas de Carlos Bolsonaro ao Senado e de Jair Renan Bolsonaro à Câmara. Sobre partidos, foi cético: “No final, partido é tudo a mesma coisa”, tirando os polos de esquerda, e disse que, se pudesse concorrer só com o CPF, seria mais fácil.

VOTOS, EMENDAS E A CONTA DA CORRUPÇÃO

Schiochet afirmou votar “com a consciência” na maioria das vezes e disse já ter perdido cargo, espaço e indicações por contrariar orientação partidária. Apresentou um número: 81% dos seus votos foram como oposição ao governo federal. “Não é porque o presidente é do PT que tudo eu vou ser oposição. Uma pauta que eu acho importante para o Brasil, eu voto”, ressalvou. O repórter observou que, nas votações mais alinhadas ao governo, aparecem nomes como Jorge Goetten, Ana Paula Lima e Pedro Uczai, e que o próprio Fábio Schiochet aparece “de vez em quando”.

Sobre a promessa de Lula de enfrentar o Congresso e acabar com as emendas parlamentares, o deputado reagiu com aritmética: um presidente representa “50% mais um”, enquanto 513 deputados representam 100% do país. “Eu não sou aquele cara que demoniza a emenda”, disse, afirmando que seus recursos vão para pavimentação, saúde, educação e segurança pública, com rastreio no portal da transparência. Criticou, porém, o caso de um deputado do Rio de Janeiro que teria destinado R$ 5 milhões a uma ONG sem projeto anterior: “Isso é corrupção”. E apontou uma distorção: parlamentares federais não podem repassar diretamente a Apaes, AMA e Rede Feminina de Combate ao Câncer, precisando passar pela prefeitura via convênio.

Ele também defendeu a deputada Júlia Zanatta em episódio de emenda ligada a clube de tiro, e o repórter corrigiu que o recurso foi para a prefeitura, que contratou o clube. Sobre a Operação Pão e Circo, que investigou contratos de shows em Santa Catarina há cerca de três anos, Schiochet preferiu elogiar as instituições: “Aqui a coisa funciona”, disse, citando Ministério Público, Gaeco, Polícia Civil, Polícia Militar e Tribunal de Justiça, e afirmando acreditar que a corrupção é maior em outros estados. Não é contra festa de cidade, tanto que contou ter visto o cantor Daniel pela primeira vez nos 150 anos de Jaraguá do Sul, com bolo doado pela associação de panificadoras, mas rejeita cachês de R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões.

TIJUCAS E SÃO JOÃO BATISTA NO RADAR DO MANDATO

Ao fechar a entrevista, o deputado avaliou a representação do partido no Vale do Rio Tijucas. Elogiou o prefeito de Tijucas, Maickon, dizendo que “Tijucas se modernizou” e que a União Brasil integra a gestão com secretários indicados e um vereador na Câmara. Afirmou ter destinado R$ 4 milhões ao município, exemplo que usou para justificar a defesa das emendas. Citou nominalmente o vereador Maurício Poli e o secretário Cláudio, da Saúde, descritos por ele como “chatos pra cobrar emenda”.

Em São João Batista, elogiou o prefeito Juliano, a quem chamou de amigo e “prefeito à frente do tempo”, e disse que emendas ajudaram o município. Citou a obra do Beira-Rio, promessa de campanha que, segundo ele, deve sair do papel com apoio do mandato. Projetou “um crescimento muito forte aqui para a região nos próximos dois anos” e disse ter certeza de que a população apoia os dois prefeitos, apesar da oposição derrotada nas urnas.

O parlamentar mencionou ainda ter projeto de lei que proíbe filhos, maridos e esposas de ministros do STF de advogar, e encerrou agradecendo o espaço, com a expectativa de voltar ao estúdio depois de 4 de outubro.

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