Antes de discursar como presidenciável na convenção estadual do PL, neste sábado (1º), na Grande Florianópolis, Flávio Bolsonaro sacou o celular, abriu uma live no próprio Instagram e chamou os irmãos ao palco. “Vem cá, Renan, vem cá, Carlos, rapidinho”, pediu o senador, diante de um público estimado em 15 mil pessoas. A cena resumiu o que a convenção selou: Santa Catarina terá três filhos de Jair Bolsonaro nas urnas em outubro. Flávio disputa a Presidência da República, Carlos concorre ao Senado pelo estado e Renan entra na disputa por uma vaga de deputado federal.
Com a live aberta, Flávio transformou o início da fala numa denúncia sobre a situação do pai, que cumpre pena em Brasília.
“A família tá proibida de ver o próprio pai. Em nenhuma constituição da história do nosso Brasil, alguém que perdeu os direitos políticos ficou também censurado, incomunicável e sem poder ver a sua família”, declarou.
“Até Antônio Gramsci, no fascismo da Itália, podia receber visita no cárcere. O único momento da história do Brasil onde alguém que não podia votar nem ser votado também perdia a sua voz foi no AI-5, tão criticado pelos atuais e falsos defensores da democracia”, completou. O senador disse que o pai não veria a mensagem naquele momento, mas assistiria “em algum momento, em nome de Jesus”. Em seguida, puxou o público: “Quem tá com saudade do Bolsonaro aí, dá um grito.” A plateia respondeu em coro com gritos de “volta, Bolsonaro” e, em outro trecho, de “anistia já”.
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“Votem no Flávio”
Encerrada a live, Flávio classificou o momento do país como “um dos mais perigosos das nossas vidas”. “Porque a gente não vive mais numa democracia plena”, afirmou. E fez um apelo direto: “Eu quero dizer a todos, até aqueles que não gostam de Flávio: votem no Flávio, porque senão nem isso vocês vão poder fazer mais, com mais um governo dessa quadrilha que tomou conta do nosso país.”
O presidenciável mirou o presidente Lula em tom de confronto. “Esse projeto de ditador que é o Lula não vai se criar, porque a gente vai demitir ele em outubro desse ano. Eu, junto com vocês”, disse. Ele também acusou o governo de não garantir “a soberania do povo brasileiro”, citando famílias expulsas de casa por facções criminosas e pais de crianças autistas que enfrentam o governo na Justiça por remédios de alto custo. “Que soberania é essa?”, questionou.
“Não vou ter pena de vagabundo”
Na segurança pública, Flávio apresentou as promessas mais duras do discurso. “Bandido perigoso vai ser preso. Ladrão de celular vai pegar no mínimo oito anos de cadeia”, afirmou. “E preso no nosso governo vai ser obrigado a trabalhar pra sustentar sua estadia, pra indenizar as famílias que ele desgraçou. Não vou ter pena de vagabundo, de bandido. Pode me chamar de radical.”
O senador prometeu ainda reduzir a maioridade penal para 14 anos, “quando um marginal de catorze anos estuprar uma mulher ou uma criança, vai responder como adulto”, e retomar a política de armas do governo do pai: “Com o presidente Bolsonaro, quem tinha arma pra se defender era cumpridor da lei. Hoje, quem tem arma é bandido e o cidadão tá desarmado.”
“A maior redução de carga tributária”
Na economia, Flávio detalhou a rotina de uma família endividada, citou que “tudo que a gente compra paga em média trinta e dois por cento de imposto” e emendou uma lista de tributos sobre comida, água, transporte, trabalho, estudo e moradia. “Como é que vive nesse país, com esse atual governo?”, perguntou.
“Eu vou fazer a maior redução de carga tributária que essa história já viu, porque eu quero bater o seu recorde, Jorginho, e o recorde do presidente Jair Bolsonaro, que foi o único na história desse Brasil que eu vi reduzir imposto na minha vida”, prometeu.
Flávio prometeu reduzir impostos sobre a folha de pagamento e sobre o consumo, “porque o salário do trabalhador tem que ficar com o trabalhador, não é com o governo”, e garantiu que aposentados não pagarão a conta: “Não vou fazer economia em cima de aposentado, pelo contrário, a gente vai devolver o poder de compra.” Citou o Pronampe, criado na pandemia, como exemplo de política catarinense a ser levada ao país e defendeu facilitar a formalização de pequenos negócios: “Você conseguir abrir uma empresa pelo seu celular de forma rápida, no mesmo dia e pagando pouco imposto.”
O presidenciável provocou a plateia a citar “um ministro do atual governo que é bom” e, diante do silêncio, listou nomes da gestão do pai: Tarcísio de Freitas, Tereza Cristina, Paulo Guedes e Damares Alves, além de Jorge Seif e do senador Rogério Marinho, presente ao evento.
“Quatro Alexandres de Moraes”
O Supremo Tribunal Federal também entrou na mira. “Um único ministro do Supremo, em uma canetada, pode liberar as drogas, pode liberar o aborto, pode interferir numa grande obra aqui em Santa Catarina. Pode até condenar inocente”, afirmou. E alertou: “O próximo presidente da República indica quatro ministros do Supremo Tribunal Federal. Imaginem mais um governo como o que nós temos hoje indicando quatro Alexandres de Moraes.”
Na sequência, prometeu: “Nós vamos libertar o presidente Bolsonaro. Nós vamos libertar os perseguidos do 8 de janeiro. E esse Brasil vai voltar a ter esperança.” Em tom religioso, disse enfrentar “uma guerra espiritual gigantesca” e pediu orações. Ele ainda chamou ao palco uma apoiadora de cem anos: “Ela não precisaria mais votar. Mas olha aqui, Jorginho: tenho cem anos e voto no vinte e dois, porque pra mudar tem que votar.”
Na educação, prometeu um novo financiamento estudantil, em que o jovem “só vai começar a restituir quando tiver com emprego fixo, em parcelas longas, a juro baixíssimo”, e a expansão do ensino médio profissionalizante em parceria com empresas, inspirado no modelo catarinense: “O jovem já vai acabar o ensino médio com emprego garantido se ele quiser.”
“Carlos De Toni e Carol Bolsonaro”
Ao lado de Carlos e Carol De Toni, candidatos ao Senado pelo estado, Flávio repetiu o mote da votação casada e brincou com os nomes da dupla. “Quem vota no Carlos, obrigatoriamente tem que votar na Carol. Quem vota na Carol, obrigatoriamente tem que votar no Carlos. Vamos mudar o nome deles na colinha: Carlos De Toni e Carol Bolsonaro, pode ser? Pode ser Cacá Bolsonaro também”, disse.
E completou, apontando para os dois: “Quando vocês olharem pro Carlos e pra Carol, enxerguem Jair Bolsonaro. Se ele tivesse aqui no meu lugar, ele ia tá pedindo o voto pros dois. E como ele me passou esse manto, essa responsabilidade, eu quero, em nome dele, pedir: apoiem a Carol e o Carlos para o Senado Federal.”
Segundo Flávio, com os dois eleitos, o governador nem precisará ir a Brasília. “O Jorginho vai dar a missão. Os dois vão ter acesso pela porta da frente do presidente, pela porta dos fundos, de manhã, de noite, de madrugada, qualquer horário. Porque Santa Catarina vai ter um presidente que ama esse estado”, afirmou, prometendo ser “o presidente que mais vai investir em infraestrutura nesse país”.
O senador encerrou exaltando Jorginho Mello, “consequência do seu trabalho sério, da sua competência”, e a nova dupla do governador com Adriano, que definiu como “grande empreendedor, bem-sucedido, bombeiro voluntário”. A despedida veio com o bordão da família: “Bora mais uma vez com o Jorginho e bora mais uma vez com o Bolsonaro. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Vem com a gente resgatar o Brasil!”
Entenda o caso
A convenção deste sábado oficializou a chapa do PL para 2026 em Santa Catarina: Jorginho Mello candidato à reeleição ao governo, Carlos Bolsonaro e Carol De Toni na disputa pelas duas vagas do Senado e a nominata de deputados, que inclui Renan Bolsonaro como candidato a deputado federal. A coligação reúne PL, Novo, Podemos, Republicanos, Democracia Cristã, Agir e a federação PSDB/Cidadania.
As convenções partidárias vão até 5 de agosto, e o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ser feito até o dia 15. A eleição será em 4 de outubro.
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