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Merenda escolar virou R$ 3,6 milhões em propina em Blumenau na gestão Mário Hildebrandt, diz MPSC

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 07/05/2026 09h18
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Operação Arbóreo do GAECO aponta repasse sistemático de 3% sobre cada empenho à empresa fornecedora; valores eram coletados em viagens bate e volta a Araucária, no Paraná.

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou na manhã desta quinta-feira (7) a Operação Arbóreo, que apura um esquema de propina estimado em R$ 3,6 milhões dentro do contrato da merenda escolar de Blumenau durante a gestão do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL).

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Conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais de Blumenau, Indaial e Araucária, no Paraná. As apurações são conduzidas pela 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau e os mandados foram autorizados pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Segundo o GAECO, o esquema funcionou de junho de 2022 a dezembro de 2024.

O esquema dos 3%

De acordo com o MPSC, a investigação revelou um acerto estável entre agentes públicos do primeiro e segundo escalão da Prefeitura de Blumenau e representantes de uma grande empresa do setor alimentício. O repasse de vantagens indevidas era sistemático e os investigados aplicavam invariavelmente o percentual de 3% sobre cada empenho pago pela administração municipal à empresa contratada.

Em 30 meses, segundo a estimativa da força-tarefa, o montante da propina ultrapassou R$ 3,6 milhões. O contrato investigado, decorrente do processo licitatório, foi celebrado em abril de 2022 e tinha vigência prevista até abril de 2025.

Bate e volta no Paraná

Conforme o GAECO, o método utilizado pelos investigados para receber os valores incluía o monitoramento em tempo real dos pagamentos públicos. Assim que as faturas eram liquidadas pela Prefeitura, um dos operadores do esquema realizava viagens bate e volta à sede da empresa em Araucária, no Paraná, para coletar os valores ilícitos em espécie.

Depois de recolherem os valores recebidos, os responsáveis pela coleta promoviam encontros para a redistribuição interna do dinheiro, que ocorriam em locais como a residência de investigados, o estacionamento da Prefeitura e supermercados, sempre buscando discrição.

Trecho da nota do MPSC sobre a Operação Arbóreo

Contrato rescindido

A Prefeitura de Blumenau rescindiu o contrato em janeiro de 2025, três meses antes do término natural da vigência. O nome da operação, conforme o GAECO, faz referência a um ingrediente principal de um prato, em alusão ao nome da empresa investigada por, em tese, efetuar o pagamento de vantagens ilícitas a agentes públicos.

O procedimento tramita sob sigilo. Conforme o MPSC, novas informações poderão ser divulgadas assim que houver a publicidade dos autos.

Casos em cadeia

A Operação Arbóreo é mais um desdobramento da série de investigações do GAECO que mira a Prefeitura de Blumenau no período da gestão Mário Hildebrandt. Na mesma manhã, o MPSC deflagrou a Operação Sentinela, que apura fraudes em contratos de vigilância armada para escolas firmados após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor.

Outras frentes investigativas já apontam que o esquema de corrupção em Blumenau movimentou R$ 570 milhões ao longo da administração anterior. Em outra linha de apuração, o GAECO descreveu como servidores da Prefeitura aceitavam propina para liberar obras no município.

Em novembro de 2025, após a Operação Carga Oca, o ex-prefeito Mário Hildebrandt se pronunciou sobre as investigações que envolvem sua administração.

Os crimes apurados

Conforme o MPSC, as condutas investigadas correspondem aos crimes de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e organização criminosa. Na deflagração da Operação Arbóreo, o GAECO contou com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, responsável pela preservação da cadeia de custódia das evidências arrecadadas.

Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para perícia especializada, com extração de dados que serão analisados pelo GAECO para dar prosseguimento às investigações, delimitação de condutas e identificação de eventuais envolvidos.

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