O diretório nacional do PP depositou na terça-feira (1º) R$ 3.663.701 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundão, nas contas de Esperidião Amin e Angela Amin. Foram dois PIX no mesmo dia, registrados na prestação de contas parcial que os dois entregaram ao TSE: R$ 2.713.701,06 para o senador, que disputa a reeleição, e R$ 950 mil para a ex-prefeita de Florianópolis, que tenta voltar à Câmara dos Deputados.
Com o repasse, o casal soma R$ 3.790.851 em receitas declaradas. Desse total, R$ 3.668.851 (96,8%) é dinheiro público, o fundão mais uma fatia pequena do fundo partidário. O restante, R$ 122 mil, entrou só na campanha do senador, em doações de pessoas físicas e num repasse do diretório estadual do partido.
Até o arquivo anterior do TSE, o PP ainda não tinha repassado fundão a nenhum candidato catarinense, enquanto os demais partidos vinham pagando desde 21 de agosto. Na terça-feira o partido liberou tudo de uma vez: R$ 9.827.460 divididos entre 22 candidatos em Santa Catarina. Os dois Amin ficaram com 37,3% desse dinheiro.
Quanto veio pra cada um
Esperidião Amin, 78 anos, número 111, declarou R$ 2.835.701 em cinco lançamentos, e o fundão responde por 95,7% disso. Entre os 521 candidatos catarinenses que já prestaram contas ao TSE, é a quarta maior arrecadação de Santa Catarina, atrás do governador Jorginho Mello (PL), com R$ 5,79 milhões, de Carol de Toni (PL), com R$ 4,7 milhões, e de Valdir Cobalchini (MDB), candidato a deputado federal, com pouco mais de R$ 3 milhões. Entre os candidatos ao Senado, Amin é o segundo: Carol de Toni recebeu um segundo repasse de R$ 2,15 milhões do PL em 2 de setembro, chegou a R$ 4,3 milhões de fundão e assumiu a liderança.

O senador levou sozinho 27,6% de tudo o que o PP repassou em Santa Catarina. Os dezesseis candidatos do partido a deputado estadual ficaram, juntos, com R$ 4.058.759 — pouco mais do que os R$ 3.663.701 que sobraram para o casal.
Fora o fundão, a campanha do senador recebeu R$ 100 mil do diretório estadual do PP em 21 de agosto, dinheiro que, conforme a prestação de contas, saiu originalmente de Jorge Nemr. Depois vieram R$ 10 mil de Miguel Abuhab, por PIX, no dia 27, e duas doações de R$ 6 mil, de Ailton Laudelino Andrade e de Eduardo Pino Gomes Filipine, no dia 25, as duas estimáveis em dinheiro, ou seja, bens ou serviços cedidos, não dinheiro vivo. O limite de gastos registrado por Amin é de R$ 4.447.202 no primeiro turno.
Angela Amin, 72 anos, número 1133, declarou R$ 955.150, em só dois lançamentos: os R$ 950 mil do fundão e R$ 5.150 do fundo partidário, transferidos pelo diretório municipal do PP de Florianópolis em 25 de agosto. É 100% dinheiro público, sem um único doador privado até agora. O valor coloca a candidata em 34º lugar entre as maiores arrecadações do estado e empata no centavo com o de José Milton Scheffer: são os dois maiores repasses que o PP fez a candidatos catarinenses à Câmara. O limite de gastos dela é de R$ 3.176.573.

Os R$ 3,66 milhões que entraram na terça-feira equivalem a 1,44 vez o patrimônio que os dois declaram ao TSE, de R$ 2.542.801.
Nenhum dos dois declarou gasto até a última entrega, feita em 1º de setembro. O arquivo do tribunal traz, para cada um, uma única linha de despesa contratada de R$ 0,00, sem fornecedor e sem número de documento, e nenhum pagamento. Há uma pendência nas contas do senador: ele registrou R$ 12 mil em doações estimáveis de militância e panfletagem no dia 25 de agosto, mas não declarou a despesa estimável correspondente. Os relatórios são parciais, os valores sobem a cada nova entrega e a prestação definitiva só é julgada depois da eleição, marcada para 4 de outubro.
Veja o dinheiro de cada campanha, lançamento por lançamento
- Contas de Esperidião Amin: quanto entrou, de quem veio e quanto já foi gasto
- Contas de Angela Amin: os dois lançamentos que formam a campanha dela
- Todos os candidatos de Santa Catarina: ranking de arrecadação, fundão e gastos
O painel do especial Eleições 2026 do Jornal Razão é atualizado a cada arquivo novo do TSE, com doadores, fornecedores e o valor de dinheiro público em cada candidatura.
De onde sai o dinheiro
O fundão de 2026 tem R$ 4,9 bilhões, tirados do Orçamento da União e divididos pelo TSE entre 30 partidos. O PP ficou com R$ 417,1 milhões, a quinta maior cota do país, atrás de PL, PT, União Brasil e PSD. Quem decide quanto vai pra cada candidato é a executiva nacional de cada partido, que precisa definir e divulgar os critérios de distribuição antes de mexer no dinheiro. Pela regra, o recurso só chega ao candidato pela mão do partido, como aconteceu nos dois PIX do dia 1º.
Esperidião concorre a uma das duas vagas de Santa Catarina no Senado pela coligação Santa Catarina Acima de Tudo, formada por MDB, PSD e a federação União Progressista (União e PP), com Volnei Weber (MDB) e Eni Voltolini (PP) como suplentes na chapa. Angela disputa uma das 16 vagas do estado na Câmara pela mesma federação. Os dois estão com o registro “aguardando julgamento” no TSE e declararam exatamente o mesmo patrimônio, R$ 2.542.801 em 29 bens, entre imóveis em Florianópolis, Indaial e Rancho Queimado, veículos e ações.
Meio século de política
A dobradinha de 2026 repete a de 1990 e a de 2018, as duas vezes em que o casal concorreu junto pra Senado e Câmara, e nas duas os dois se elegeram. Em 2018, Amin foi o senador mais votado de SC, com 1.226.064 votos, à frente de Jorginho Mello, que teve 1.179.757, e Angela garantiu a cadeira de deputada com 86.189 votos. Em 2022 a dupla perdeu: ele tentou voltar ao governo do estado e ficou fora do segundo turno, ela não conseguiu a reeleição pra Câmara. Casados desde 1979, os dois nunca saíram da mesma linhagem partidária, que foi de Arena a PP passando por PDS, PPR e PPB.
A carreira de Esperidião começou em 1975, quando, aos 27 anos, foi nomeado prefeito de Florianópolis pelo governador Antônio Carlos Konder Reis, ainda na ditadura. Em 1978, foi o deputado federal mais votado de SC, com 72.380 votos. Em 1982, elegeu-se governador e tomou posse aos 35 anos, o mais jovem do país na época. Voltou à prefeitura da capital pelo voto em 1988, renunciou em 1990 pra disputar o Senado e venceu com 981.963 votos. Em 1994, concorreu à Presidência da República pelo PPR e ficou em sexto lugar, com 1.739.894 votos. Em 1998, retomou o governo do estado no primeiro turno, com 1.429.982 votos.
Depois vieram as derrotas: perdeu o governo pra Luiz Henrique da Silveira em 2002, no segundo turno, por 50,3% a 49,7%, e perdeu de novo pro mesmo adversário, também no segundo turno, em 2006. Em 2008, ficou sem a prefeitura de Florianópolis, derrotado por Dário Berger no segundo turno. Refez a carreira na Câmara, eleito deputado federal em 2010 e reeleito em 2014, e voltou ao Senado em 2018.
Angela pediu o primeiro voto pra ela mesma em 1988, treze anos depois de o marido assumir a prefeitura da capital, e foi a vereadora mais votada da história de Florianópolis até então, com 7.771 votos. Em 1990, foi a deputada federal mais votada de SC, com 129.011 votos, e relatou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Em 1994, disputou o governo do estado, teve 1.247.562 votos e não se elegeu, numa eleição vencida por Paulo Afonso Vieira. Em 1996, virou a primeira mulher eleita prefeita de Florianópolis; em 2000, foi reeleita no primeiro turno.
Em 2006, voltou à Câmara com a maior votação de SC, 174.511 votos. Em 2010, tentou o governo de novo: 857.698 votos e o segundo lugar, numa eleição que Raimundo Colombo venceu no primeiro turno. De lá pra cá, foram mais derrotas do que vitórias: perdeu a prefeitura de Florianópolis pra Gean Loureiro no segundo turno de 2016, por uma diferença de 0,5%, voltou a perder em 2020 e, entre uma e outra, elegeu-se deputada federal em 2018. Em 2022, ficou sem a reeleição. No total, foram três mandatos na Câmara e dois na prefeitura da capital.
Na base do TSE, que registra as disputas de cada candidato a partir de 2006, esta é a sétima eleição de cada um dos dois. O extrato completo das duas campanhas, lançamento por lançamento, está no especial Eleições 2026 do Jornal Razão, em jornalrazao.com/eleicoes-2026/contas, e é atualizado a cada arquivo novo do tribunal.
Os valores desta reportagem são do arquivo de prestação de contas do TSE gerado em 3 de setembro de 2026.























