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Campagnolo detona escolha de Bolsonaro ao Senado e não crava apoio a Carlos: “maneira carioca de ver SC”

Em entrevista à Jovem Pan News Litoral, a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) chamou Jorge Seif de "senador mais incompetente do Estado" e disse que Jair Bolsonaro "escolheu o filho errado" ao enviá-lo ao Senado por Santa Catarina. A fala, na primeira entrevista dela após a convenção do PL, foi lida como recado indireto a Carlos Bolsonaro, também carioca.

Campagnolo detona escolha de Bolsonaro ao Senado e não crava apoio a Carlos: 'maneira carioca de ver SC'
Foto: Reprodução
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“Evidentemente que não dá pra dizer o mesmo do Jorge Seif.” A ressalva veio logo depois de Ana Campagnolo (PL-SC) reafirmar lealdade a Jair Bolsonaro, e abriu o trecho mais duro de uma entrevista em que a deputada estadual mais votada da história de Santa Catarina chamou um senador do próprio partido de “o senador mais incompetente do Estado, talvez o mais incompetente do Brasil” e afirmou que o ex-presidente “escolheu o filho errado” ao mandá-lo para o Senado.

As declarações foram dadas ao programa Ligado na Cidade, da Jovem Pan News Litoral, na primeira entrevista da deputada depois da convenção estadual do PL que oficializou a chapa catarinense do partido para outubro. Campagnolo, homologada pela legenda como candidata à reeleição à Assembleia Legislativa, separou a fidelidade ao projeto bolsonarista da avaliação sobre quem representa o Estado em Brasília.

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A lealdade que nós temos na política com o presidente Bolsonaro é a lealdade que une valores. Enquanto ele defender e levantar as mesmas bandeiras e os mesmos valores que nós temos como cristãos, como conservadores, nós estaremos sempre com ele.

Ana Campagnolo, deputada estadual (PL-SC)

A exceção tem nome. “Eu acho o trabalho do Jorge Seif lamentável”, afirmou a deputada. “Nem quando ele vai xingar um desafeto dele, como foi o meu caso, ele sabe se posicionar. Tentou falar mal da deputada Ana e acabou falando mal de todos os professores, talvez porque não tenha respeitado os próprios dele.”

O jeito carioca

Foi nesse ponto que Campagnolo recorreu à origem do senador para explicar o que, na avaliação dela, falta ao parlamentar. “E ele que é carioca de nascimento, talvez tenha uma maneira carioca de ver o Estado catarinense. Deve ser isso que falta ao Jorge Seif”, declarou.

O registro do Senado confirma o dado: Jorge Seif Júnior nasceu no Rio de Janeiro em 1977, foi secretário nacional de Pesca e Aquicultura no governo Bolsonaro e se elegeu por Santa Catarina em 2022.

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A frase, porém, não parou em Seif. Dita logo depois da convenção que oficializou Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina, a crítica ao “jeito carioca de ver o Estado catarinense” foi lida por muita gente nas redes e no meio político como um recado indireto ao próprio Carlos, também nascido no Rio de Janeiro e alvo, desde o fim de 2025, da mesma acusação de “candidato de fora” feita publicamente por Campagnolo. A deputada não citou o nome dele nesse trecho, e o paralelo ficou por conta de quem ouviu.

Mandato até 2031

A deputada encerrou o assunto com uma frase que soou como alívio: “E que bom que Jorge Seif não é candidato à reeleição.” O senador, de fato, não está na disputa deste ano, mas não por escolha própria. O mandato de senador é de oito anos, e Seif foi eleito em 2022 para o período 2023-2031. A cadeira dele só volta às urnas em 2030.

As duas vagas catarinenses em jogo em outubro são as ocupadas por Esperidião Amin (PP) e Ivete da Silveira (MDB), eleitos em 2018, cujos mandatos terminam no ano que vem. Seif está licenciado do mandato, com o suplente Hermes Klann no exercício da cadeira.

O “pai” que errou

Isso não muda em nada o respeito e o carinho que nós temos pelo presidente Bolsonaro, que para muitos é como um pai na política. Mas às vezes o pai erra.

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Ana Campagnolo, deputada estadual (PL-SC)

“E o Jorge Seif foi o filho preferido do Bolsonaro para enviar aqui ao Senado, ele era chamado de 06. Eu acho que nosso pai, Bolsonaro, nesse caso, escolheu o filho errado, porque Jorge Seif é péssimo, é péssimo para o nosso Estado”, completou. Antes, ela já havia cravado: “Eu falo sem medo de dizer que ele é um péssimo senador, um péssimo exemplo, e que tomara que nunca mais tenhamos alguém que se compare a Jorge Seif ocupando uma vaga do Senado.”

Carol De Toni e o “time 22”

Da crítica, a deputada passou ao apoio, e o contraste de temperatura entre os dois nomes da chapa ao Senado ficou evidente. “Agora a gente vai trabalhar pela nossa deputada Carol De Toni, uma deputada catarinense que conhece esse Estado de Passos de Torres a São Francisco do Sul, lá de Santa Terezinha do Progresso até Itajaí, Florianópolis, que conhece todos os cantinhos de Santa Catarina. Tenho certeza que levaremos ao Senado agora um grande nome”, afirmou.

Sobre Carlos Bolsonaro, o tom mudou. Campagnolo apresentou o apoio como obrigação partidária, não como preferência. “O Carlos Bolsonaro é o candidato do partido, escolhido pelo partido. Estamos num período pré-eleitoral, a convenção foi ontem, temos todos obrigação de carregar o time 22. Então, assim como carrega o nome da deputada Carol De Toni, nesse caso por afeição, por amizade que tenho por ela, é também uma prerrogativa do partido que todos os outros nomes sejam da mesma forma carregados.”

A convenção

Realizada no sábado (1º), na Arena Opus, em São José, na Grande Florianópolis, a convenção do PL confirmou Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni como candidatos ao Senado por Santa Catarina e Jorginho Mello como candidato à reeleição ao governo do Estado, com Adriano Silva (Novo) na vaga de vice. O evento teve a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência, e lançou Jair Renan Bolsonaro (PL) à Câmara dos Deputados. A coligação reúne PL, Novo, Podemos, Republicanos, Federação PSDB-Cidadania e Democracia Cristã.

Nove meses de racha

A troca de farpas entre Campagnolo e o entorno dos Bolsonaro em Santa Catarina não é nova. Em outubro de 2025, ela foi a primeira liderança do PL catarinense a se posicionar publicamente contra a vinda de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado pelo Estado, defendendo senadores “100% catarinenses”. A resposta veio em tom áspero, com o filho do ex-presidente chamando a deputada de “mentirosa”.

Dias depois, foi a vez de Seif subir à tribuna do Senado e dizer que a parlamentar “não era nada até ontem, era professora”, a frase que ela retomou na entrevista e que gerou reação de professores e de deputados na Alesc. Em abril deste ano, Carlos publicou um texto no X acusando um “grupelho” de tentar aniquilar sua liderança no Estado. No mesmo mês, os dois se cumprimentaram no “Almoço de Ideias 2026”, em Governador Celso Ramos. Em maio, uma reunião convocada por Jorginho Mello terminou com pedido público de desculpas de Carlos a Campagnolo e selou formalmente a paz no partido.

Até a publicação desta reportagem, nem Jorge Seif nem Carlos Bolsonaro haviam se manifestado publicamente sobre as declarações. As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto, quando se encerra o prazo para os partidos definirem oficialmente suas chapas para as eleições de outubro.

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