Nenhum dos três nomes que o PL confirmou para a disputa de uma das vagas catarinenses ao Senado nasceu em Santa Catarina, e foi esse detalhe, e não o currículo dos escolhidos, que dominou a repercussão política do fim de semana. Candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) terá como primeiro suplente o ex-prefeito de São Lourenço do Oeste Rafael Caleffi (PL), nascido em Vitorino, no Paraná, e como segundo o pastor Balduíno Rodrigues Ferreira (PL), da Igreja do Evangelho Quadrangular, nascido em Vacaria, no Rio Grande do Sul. Carlos é natural de Resende, no Rio de Janeiro.
Os dois suplentes foram anunciados no sábado (1º), durante a convenção estadual do PL na Arena Opus, em São José, na Grande Florianópolis, o mesmo evento que oficializou Jorginho Mello (PL) como candidato à reeleição ao governo do Estado. Na outra vaga ao Senado, o partido lançou a deputada federal Caroline de Toni (PL), que terá como suplentes os empresários Juliano Ávila Custódio, de Balneário Camboriú, e Andrei Otávio Tomazzi, de Blumenau.
Quem são os suplentes
Rafael Caleffi governou São Lourenço do Oeste por dois mandatos, eleito em 2016 e reeleito em 2020 pelo MDB, sigla pela qual construiu toda a carreira até migrar para o PL no início deste ano. Vitorino, onde nasceu, fica na divisa entre Paraná e Santa Catarina, vizinha ao município que ele administrou. Balduíno Rodrigues Ferreira é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, com atuação em Joinville, e chega à chapa sem mandato eletivo anterior.
Até a convenção, Caleffi era pré-candidato a deputado estadual. Ao confirmar a mudança de rota, disse ter percorrido mais de 55 mil quilômetros e visitado mais de 100 municípios durante a pré-campanha, e defendeu que a indicação reforça a presença do Oeste na chapa majoritária.
Recebemos um convite, uma honraria, para integrar a chapa majoritária nas eleições deste ano como primeiro suplente do nosso candidato ao Senado, Carlos Bolsonaro. Muito obrigado por confiar na gente e por confiar no Grande Oeste catarinense.
O que a lei exige
A legislação eleitoral não trata de naturalidade. O artigo 14 da Constituição lista o domicílio eleitoral na circunscrição entre as condições de elegibilidade, e o artigo 9º da Lei 9.504/1997 determina que o candidato tenha domicílio eleitoral no Estado pelo prazo de seis meses e filiação partidária deferida no mesmo período. Onde a pessoa nasceu não interfere no registro da candidatura, tanto do titular quanto dos suplentes.
Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para São José em dezembro de 2025, depois de renunciar ao mandato de vereador na capital fluminense. A mudança foi questionada por um eleitor de Indaial, que apresentou representação ao Ministério Público Eleitoral alegando ausência de vínculo efetivo com o Estado. A 84ª Promotoria Eleitoral de São José instaurou Notícia de Fato em 1º de julho e arquivou o procedimento no dia 16, ao concluir que não havia indícios de irregularidade.
Depois do arquivamento, Carlos se definiu como “catarinense por adoção” e classificou a representação como tentativa “de quem tem medo da força da direita no estado e do nome Bolsonaro”. Na convenção, ele reforçou o vínculo familiar como principal credencial: “Eu sou Jair Bolsonaro. Corre nessas veias aqui o sangue de Jair Bolsonaro”, disse, ao lado de Jorginho Mello.
Entrevista de 2022 volta à tona
A escolha de Caleffi também abriu um segundo flanco. Depois do anúncio, voltou a circular uma entrevista concedida por ele ao Brecha Podcast em 2022, antes da aproximação com o bolsonarismo, em que o então filiado ao MDB chamou Jair Bolsonaro de “ogro de grosso”, criticou a postura do ex-presidente sobre a vacinação contra a Covid-19 e afirmou que a polarização “tem feito muito mal para a gente”. Na mesma conversa, avaliou que o governo perdeu a oportunidade de avançar nas reformas administrativa e tributária. Caleffi não comentou publicamente as declarações antigas até a publicação desta reportagem.
Como ficaram as chapas
A composição do PL foi possível porque o partido decidiu ir de chapa pura ao Senado, com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, deixando de fora o senador Esperidião Amin (PP), que tenta a reeleição. Amin acabou acomodado na chapa de João Rodrigues (PSD), ao lado do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), oficializada no mesmo sábado na Assembleia Legislativa. No campo à esquerda, Gelson Merisio (PSB) disputa o governo com Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) na corrida ao Senado.
Foi justamente dessa ala que veio o uso político mais imediato do assunto: o perfil de Décio Lima publicou uma peça de campanha com a frase “sem nenhum catarinense” sobre as fotos de Carlos Bolsonaro e dos dois suplentes. A coligação liderada por Jorginho Mello, que reúne PL, Novo, Podemos, Republicanos, Federação PSDB/Cidadania, Democracia Cristã, Agir e Avante, não respondeu publicamente à peça.
As chapas anunciadas nas convenções ainda passam pelo registro de candidatura na Justiça Eleitoral, etapa em que os nomes dos suplentes serão formalmente submetidos à análise. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.








































