A pergunta era sobre o nó que trava o Sul catarinense: o Morro dos Cavalos, o gargalo da BR-101 que empilha filas entre Palhoça e Paulo Lopes e que nenhum governo resolveu. A resposta da candidata da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), Laís Chaud, não passou por túnel, licitação ou orçamento. Passou pelo próprio povo.
A proposta no palanque
“Nós temos uma medida imediata também para o governo da Unidade Popular, um governo construído pelos trabalhadores, que é justamente a implementação da frente emergencial de trabalho”, disse ela no Debate VOXX Eleições 2026, realizado em Tubarão nesta segunda-feira (10).
Uma frente que nada mais é do que convocar os trabalhadores a resolverem os seus próprios problemas.
O modelo, segundo a candidata, valeria para saúde, educação e habitação, e também para as estradas. “Falando sobre a questão das estradas, é justamente através dessa frente emergencial de trabalho que nós vamos conseguir construir junto com os trabalhadores, garantindo um salário digno, com um contrato direto com o Estado”, afirmou. Ou seja, na proposta apresentada no palanque, quem executaria a obra seria uma frente de trabalhadores pagos e contratados diretamente pelo governo estadual, sem intermediário.
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O intermediário, aliás, é o alvo declarado da proposta. Chaud sustentou que tirar as empreiteiras do caminho é justamente o que resolveria o problema das rodovias catarinenses. “Não vamos passar pelas empresas, que hoje a gente sabe que roubam milhões e desviam”, declarou, sem apresentar no debate documento, processo ou empresa específica que sustentasse a acusação.
A frente emergencial de trabalho é bandeira antiga da UP e aparece em programas do partido em outras disputas, quase sempre associada a mutirões e à contratação de cooperativas para obras populares, principalmente de moradia. É a primeira vez, no entanto, que o instrumento aparece como resposta a uma pergunta sobre uma rodovia federal em Santa Catarina.
O gargalo em questão
O contexto da pergunta ajuda a medir o tamanho da proposta. O Morro dos Cavalos é um dos pontos mais críticos da BR-101 no estado, trecho de pista simples que corta a serra e funciona como funil obrigatório entre o Sul catarinense e a Grande Florianópolis. O túnel projetado para o local nunca saiu do papel, e a obra é cobrada por prefeitos, empresários e motoristas da região há mais de uma década.
Na mesma rodada, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) tratou o mesmo gargalo por outro caminho. Reconheceu que a obra é federal, mas cobrou o governo estadual pela omissão e propôs uma pista alternativa nos moldes das linhas Vermelha e Amarela do Rio de Janeiro. “Você não pode isolar uma região do Estado em razão de uma obra do governo federal que está aí, colapsada”, disse. Ele também prometeu retomar a ponte do Pontal, que classificou como alternativa desperdiçada.
Quem é a candidata
Laís Chaud é psicóloga, graduada e mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), presidente do diretório da UP em Florianópolis e coordenadora nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Também atua no Movimento de Mulheres Olga Benario. Disputa o governo pela primeira vez, encabeçando uma chapa 100% feminina, com Nathália Melo na vice e Ana Lúcia da Silveira e Marlene Soccas na corrida pelo Senado. “Sou a única mulher candidata a governo aqui no nosso estado”, afirmou na apresentação.
O debate é o primeiro das Eleições 2026 entre candidatos ao Governo de Santa Catarina oficialmente registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC), e foi organizado pelo Pool de Veículos de Comunicação do Sul de Santa Catarina, sob coordenação do VOXX Estúdio. O consórcio reúne Diário do Sul, extra.sc, HC Notícias, Hora Hiper, Rádio Hiper FM, Rádio Hiperativa FM, Rádio Verde Vale FM, Sul Agora e Tuba News, num conjunto de 12 veículos entre portais, rádios e jornais impressos, com transmissão simultânea. O programa foi dividido em cinco blocos, com perguntas entre os candidatos e questionamentos de jornalistas.
Mulheres e presídios nas duas falas
Nas duas vezes em que teve a palavra, a candidata da UP puxou o debate para os mesmos dois eixos. Abriu prestando solidariedade à família de uma jovem de 19 anos, estudante de uma universidade do Sul do estado, vítima de feminicídio, e prometeu que “no nosso governo nenhum agressor irá sair impune”. No bloco de segurança pública, chamou de propaganda o discurso do estado mais seguro do país. Afirmou ainda que a maioria dos presídios catarinenses é privatizada, o que faria empresários lucrarem “em cima dessa desgraça”.
A segurança pública, ela na verdade é mais uma fachada que o atual governador tem colocado, que é o Estado mais seguro.
Além de Rodrigues e Chaud, a organização confirmou a participação de Marcelo Brigadeiro (Missão) e Ralf Zimmer (PRD). Gelson Merísio (PSB) comunicou oficialmente que não participaria, e o governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, também foi convidado. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar os nomes na Justiça Eleitoral, e a campanha começa oficialmente no dia seguinte.











































