O candidato ao Senado ANTÍDIO LUNELLI (MDB, nº 155) afirmou ao Jornal Razão que votaria pelo impeachment de qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal caso chegue a Brasília. A resposta veio sem rodeios quando o JR levou a ele o caso Vorcaro e perguntou se teria coragem de tomar essa decisão em plenário. “Mas é comigo mesmo, é na hora. Não tenho medo nenhum, absolutamente, não tenho rabo preso com nenhum ministro, com ninguém”, disse.
O empresário, dono do maior patrimônio declarado entre os candidatos catarinenses — R$ 613.221.298 informados à Justiça Eleitoral —, foi além da resposta pontual e classificou o momento institucional do país. “Hoje nós estamos vivendo uma ditadura da toga”, afirmou. Para ele, Judiciário, Legislativo e Executivo são igualmente importantes, mas precisam operar com autonomia real. “Nós não podemos hoje ser comandados pelo Judiciário”, completou.
O caso que motivou a pergunta é recente. O ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que aponta mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes na tentativa de frear a apuração contra ele. O material passou a circular na semana em que o candidato esteve nos estúdios do Jornal Razão.

Mandato fixo e veto a escritório de familiar
Junto com a disposição de votar o afastamento de ministros, Lunelli apresentou uma proposta de reorganização da Corte. Na avaliação dele, não é possível manter no cargo alguém nomeado com pouco mais de quarenta anos e que permanecerá lá até os setenta e cinco, sem qualquer renovação no meio do caminho.
A sugestão é de mandato fixo. “Eu defendo que o ministro do Supremo Tribunal Federal ou que tenha um mandato igual de um senador, de oito anos, ou no máximo dez anos”, disse. O desenho que propõe prevê entrada aos sessenta e cinco e saída aos setenta e cinco, o que na prática reduziria o tempo de permanência de cada indicado.
A segunda parte da proposta trata de conflito de interesses. O candidato defende vedar a participação de ministros, e de filhos, irmãos ou cônjuges, em sociedades e escritórios de advocacia. “Não pode existir, porque isso existe conflito de interesses aí dentro”, afirmou, associando a permissão atual aos episódios que vieram a público. “Isto é uma vergonha.”
“A professora está na cadeia, o bandido está fora”
O candidato também defendeu endurecimento penal. Citou o que chama de excesso de prisões questionáveis e a permanência de condenados em liberdade, resumindo o argumento com a frase que repetiu na entrevista: “A professora está na cadeia, o bandido está fora.” Defende penas mais duras e o fim das saidinhas temporárias.
Outro alvo foram os documentos oficiais classificados por longos prazos. “O presidente não tem coisa lá que colocou em sigilo de cem anos? O que que é isso? Isso jamais pode existir num país democrático”, disse. A avaliação sobre a “ditadura da toga” e o diagnóstico institucional são opinião do candidato, não constatação apurada pela reportagem.
Para viabilizar a agenda, ele condiciona tudo à formação de maioria no Senado. “Por isso que nós precisamos fazer a maioria no Senado Federal”, afirmou, dizendo que o objetivo do grupo é eleger ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111) presidente da Casa. “Tenho certeza, não ficará nenhum processo por debaixo da mesa.”
Quem faz a cobrança: R$ 613 milhões e um helicóptero de R$ 32 milhões
A promessa de enfrentar o Supremo parte do político com o maior patrimônio declarado de Santa Catarina. Na declaração entregue à Justiça Eleitoral para esta eleição, Lunelli informou R$ 613.221.298 em bens. Entre eles está um helicóptero avaliado em cerca de R$ 32 milhões.
A curva do patrimônio pode ser acompanhada nos registros de cada disputa. Em 2016, quando concorreu à prefeitura de Jaraguá do Sul, declarou R$ 280,4 milhões. Em 2020, na reeleição, R$ 351 milhões. Em 2022, ao disputar a Assembleia Legislativa, R$ 390 milhões. Agora, na campanha ao Senado, R$ 613,2 milhões — uma variação nominal de 119% em dez anos.
A origem do dinheiro é a confecção que ele montou na garagem de casa, em Jaraguá do Sul, em 1981. O negócio virou a Lunender e depois o Grupo Lunelli, que reúne marcas como Lez a Lez e Hangar 33, mantém unidades no Brasil e no Paraguai e emprega mais de 5,2 mil pessoas. O empresário também atua no agronegócio, com criação de bovinos e suínos e participação no setor frigorífico.
Quem é o candidato
Natural de Corupá, no Norte catarinense, e filho de agricultores, Antídio Lunelli tem 63 anos. Foi eleito prefeito de Jaraguá do Sul em 2016 e reeleito em 2020 com 70,66% dos votos. Deixou o cargo antes do fim do segundo mandato para disputar a Assembleia Legislativa, onde se elegeu deputado estadual com 74,5 mil votos.
É a primeira vez que disputa o Senado. Concorre pelo MDB em dupla com ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111), na chapa da coligação Santa Catarina Acima de Tudo, que tem JOÃO RODRIGUES (PSD, nº 55) ao governo e o deputado federal Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice. Santa Catarina tem 13 candidatos disputando duas vagas ao Senado, em votação de turno único no dia 4 de outubro.
A entrevista completa integra a série de sabatinas da campanha Vote com Razão, que ouve nos estúdios do Jornal Razão os candidatos aos cargos majoritários em Santa Catarina.























