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Eleições 2026

Dono de patrimônio de R$ 613 mi, candidato a Senador por SC promete enfrentar “ditadura da toga”

Candidato ao Senado pelo MDB disse ao Jornal Razão que votaria pelo impeachment de qualquer ministro do Supremo e propõe mandato fixo de oito a dez anos para a Corte. Ele declarou R$ 613,2 milhões à Justiça Eleitoral, incluindo um helicóptero de R$ 32 milhões.

Dono de patrimônio de R$ 613 mi, candidato a Senador por SC promete enfrentar “ditadura da toga”
Foto: Reprodução
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O candidato ao Senado ANTÍDIO LUNELLI (MDB, nº 155) afirmou ao Jornal Razão que votaria pelo impeachment de qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal caso chegue a Brasília. A resposta veio sem rodeios quando o JR levou a ele o caso Vorcaro e perguntou se teria coragem de tomar essa decisão em plenário. “Mas é comigo mesmo, é na hora. Não tenho medo nenhum, absolutamente, não tenho rabo preso com nenhum ministro, com ninguém”, disse.

O empresário, dono do maior patrimônio declarado entre os candidatos catarinenses — R$ 613.221.298 informados à Justiça Eleitoral —, foi além da resposta pontual e classificou o momento institucional do país. “Hoje nós estamos vivendo uma ditadura da toga”, afirmou. Para ele, Judiciário, Legislativo e Executivo são igualmente importantes, mas precisam operar com autonomia real. “Nós não podemos hoje ser comandados pelo Judiciário”, completou.

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O caso que motivou a pergunta é recente. O ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que aponta mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes na tentativa de frear a apuração contra ele. O material passou a circular na semana em que o candidato esteve nos estúdios do Jornal Razão.

Capa do vídeo do YouTube

Mandato fixo e veto a escritório de familiar

Junto com a disposição de votar o afastamento de ministros, Lunelli apresentou uma proposta de reorganização da Corte. Na avaliação dele, não é possível manter no cargo alguém nomeado com pouco mais de quarenta anos e que permanecerá lá até os setenta e cinco, sem qualquer renovação no meio do caminho.

A sugestão é de mandato fixo. “Eu defendo que o ministro do Supremo Tribunal Federal ou que tenha um mandato igual de um senador, de oito anos, ou no máximo dez anos”, disse. O desenho que propõe prevê entrada aos sessenta e cinco e saída aos setenta e cinco, o que na prática reduziria o tempo de permanência de cada indicado.

A segunda parte da proposta trata de conflito de interesses. O candidato defende vedar a participação de ministros, e de filhos, irmãos ou cônjuges, em sociedades e escritórios de advocacia. “Não pode existir, porque isso existe conflito de interesses aí dentro”, afirmou, associando a permissão atual aos episódios que vieram a público. “Isto é uma vergonha.”

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“A professora está na cadeia, o bandido está fora”

O candidato também defendeu endurecimento penal. Citou o que chama de excesso de prisões questionáveis e a permanência de condenados em liberdade, resumindo o argumento com a frase que repetiu na entrevista: “A professora está na cadeia, o bandido está fora.” Defende penas mais duras e o fim das saidinhas temporárias.

Outro alvo foram os documentos oficiais classificados por longos prazos. “O presidente não tem coisa lá que colocou em sigilo de cem anos? O que que é isso? Isso jamais pode existir num país democrático”, disse. A avaliação sobre a “ditadura da toga” e o diagnóstico institucional são opinião do candidato, não constatação apurada pela reportagem.

Para viabilizar a agenda, ele condiciona tudo à formação de maioria no Senado. “Por isso que nós precisamos fazer a maioria no Senado Federal”, afirmou, dizendo que o objetivo do grupo é eleger ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111) presidente da Casa. “Tenho certeza, não ficará nenhum processo por debaixo da mesa.”

Quem faz a cobrança: R$ 613 milhões e um helicóptero de R$ 32 milhões

A promessa de enfrentar o Supremo parte do político com o maior patrimônio declarado de Santa Catarina. Na declaração entregue à Justiça Eleitoral para esta eleição, Lunelli informou R$ 613.221.298 em bens. Entre eles está um helicóptero avaliado em cerca de R$ 32 milhões.

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A curva do patrimônio pode ser acompanhada nos registros de cada disputa. Em 2016, quando concorreu à prefeitura de Jaraguá do Sul, declarou R$ 280,4 milhões. Em 2020, na reeleição, R$ 351 milhões. Em 2022, ao disputar a Assembleia Legislativa, R$ 390 milhões. Agora, na campanha ao Senado, R$ 613,2 milhões — uma variação nominal de 119% em dez anos.

A origem do dinheiro é a confecção que ele montou na garagem de casa, em Jaraguá do Sul, em 1981. O negócio virou a Lunender e depois o Grupo Lunelli, que reúne marcas como Lez a Lez e Hangar 33, mantém unidades no Brasil e no Paraguai e emprega mais de 5,2 mil pessoas. O empresário também atua no agronegócio, com criação de bovinos e suínos e participação no setor frigorífico.

Quem é o candidato

Natural de Corupá, no Norte catarinense, e filho de agricultores, Antídio Lunelli tem 63 anos. Foi eleito prefeito de Jaraguá do Sul em 2016 e reeleito em 2020 com 70,66% dos votos. Deixou o cargo antes do fim do segundo mandato para disputar a Assembleia Legislativa, onde se elegeu deputado estadual com 74,5 mil votos.

É a primeira vez que disputa o Senado. Concorre pelo MDB em dupla com ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111), na chapa da coligação Santa Catarina Acima de Tudo, que tem JOÃO RODRIGUES (PSD, nº 55) ao governo e o deputado federal Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice. Santa Catarina tem 13 candidatos disputando duas vagas ao Senado, em votação de turno único no dia 4 de outubro.

A entrevista completa integra a série de sabatinas da campanha Vote com Razão, que ouve nos estúdios do Jornal Razão os candidatos aos cargos majoritários em Santa Catarina.

Especial Eleições 2026 em SCCandidatos com dados do TSE, sabatinas, pesquisas e calendário — cobertura completa
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