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Eleições 2026

Em 7 de Setembro sem povo: Lula e Janja acenam para o vazio na Esplanada a um mês da eleição

Desfile cívico-militar dos 204 anos da Independência voltou a registrar baixo movimento na Esplanada dos Ministérios, repetindo o esvaziamento que marca todos os 7 de Setembro do terceiro mandato petista e contrastando com as arquibancadas lotadas da gestão anterior.

Lula e Janja acenam do Rolls-Royce presidencial no desfile de 7 de Setembro, ao lado de imagem da Esplanada dos Ministerios com a via vazia durante o cortejo
Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva cruzaram a Esplanada dos Ministérios no Rolls-Royce presidencial conversível por volta das 9h desta segunda-feira, 7, acenando ao longo do trajeto do desfile cívico-militar dos 204 anos da Independência do Brasil. O cenário ao redor do carro, porém, não foi o de uma Esplanada tomada. O desfile voltou a ser marcado pelo baixo movimento de público, apesar da presença do presidente, da primeira-dama e de integrantes da cúpula dos Três Poderes, conforme registrou o Diário do Poder ainda na manhã do feriado.

O governo federal trabalhava com expectativa oficial de 30 mil pessoas, número repetido por Agência Brasil, Poder360 e pelo Jornal de Brasília na véspera. A estrutura foi montada para receber esse volume: arquibancadas abertas desde as 6h, cinco pontos de acesso com revista individual feita por policiais militares, tendas e pontos de hidratação nas áreas externas, ônibus e metrô gratuitos no Distrito Federal durante todo o dia. A Revista Oeste informou que a celebração custou R$ 5,74 milhões aos cofres públicos.

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Esvaziamento se repete desde 2023

O esvaziamento não é episódio isolado. Desde que Lula assumiu seu terceiro mandato, em janeiro de 2023, os desfiles oficiais da Independência têm registrado episódios de baixa presença popular. Em 2023, primeiro 7 de Setembro do atual governo, o desfile em Brasília já foi descrito como esvaziado. Em 2024, cerca de 20 mil pessoas compareceram à Esplanada, ante 25 mil no ano anterior, segundo estimativa do Poder360 feita a partir de fotos, vídeos e monitoramento no local, com o gramado praticamente vazio e o público concentrado nas arquibancadas cobertas. Em 2025, o evento foi considerado o mais fraco dos desfiles da data magna desde a posse do atual governo.

A comparação que a oposição repete é com o 7 de Setembro do ex-presidente Jair Bolsonaro. No Bicentenário da Independência, em 2022, o Poder360 estimou público entre 100 mil e 115 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios a partir de fotos panorâmicas em alta resolução tiradas do topo do prédio do Congresso e de mapas com a metragem da área. A Secom da Presidência chegou a estimar 1,2 milhão de pessoas nas comemorações realizadas em Brasília naquele ano, e os organizadores calculavam 280 mil pessoas circulando pela Esplanada ao longo do dia. Mesmo pela contagem mais conservadora, a de 2022 foi cerca de cinco vezes a de 2024.

O contraste está no registro da própria imprensa estatal. Em 2022, antes de subir à tribuna, Bolsonaro quebrou o protocolo e caminhou pela pista acenando para as arquibancadas, repletas de apoiadores, enquanto paraquedistas do Exército desciam sobre a Esplanada trazendo uma bandeira do Brasil. Nesta segunda-feira, a cena foi outra: cortejo em carro aberto, aceno de dentro do Rolls-Royce e trechos do espaço reservado ao público sem a ocupação prevista.

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Planalto mobilizou militância para encher a arquibancada

O Palácio do Planalto tentou evitar exatamente esse retrato. Reportagem da Folha de S.Paulo, reproduzida por veículos como o Brasil 247, mostrou que o governo organizou mobilização de movimentos sociais e apoiadores com o objetivo central de preencher as arquibancadas que registraram esvaziamento no ano passado. A articulação ficou sob comando da Secretaria-Geral da Presidência, chefiada por Guilherme Boulos, em parceria com a Secom e o Gabinete de Segurança Institucional. Servidores escalados para atuar na celebração foram orientados a vestir camisas do Brasil ou roupas nas cores da bandeira nacional.

Houve manifestação de apoio, mas concentrada. Na arquibancada mais próxima às autoridades, populares se manifestaram ao longo do desfile. Antes da chegada do presidente, manifestantes fizeram um coro pelo fim da escala 6×1. Com a chegada do líder petista, populares gritaram seu nome e o bordão “olê-olê-olá, Lulá, Lulá”. Em alguns momentos, o presidente acenou e até fez um coração com as mãos. Fora do raio da tribuna, o registro fotográfico e as transmissões mostraram o vazio que o governo tentou esconder.

Na tribuna de honra, o presidente foi cercado pela cúpula da República. A cerimônia reuniu os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, além de 29 ministros do governo. Também estiveram no palanque o vice-presidente Geraldo Alckmin e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O detalhe institucional pesa: no ano passado, nenhum ministro do STF compareceu às comemorações, que ocorreram durante o julgamento da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

O roteiro foi desenhado para não dar munição à Justiça Eleitoral. O evento foi dividido em três eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”, “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres” e “Copa do Mundo Feminina 2027 é no Brasil!”. A defesa da soberania é uma das principais bandeiras da campanha de Lula para 2026. A cerimônia ocorreu sob o intuito do Planalto de evitar complicações com a Justiça Eleitoral por conta do defeso eleitoral, e integrantes do governo evitaram usar cores como o vermelho para não dar argumentos à oposição sobre politização do ato. O presidente não discursou na Esplanada, tendo concentrado a mensagem no pronunciamento em rede nacional feito no sábado.

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Direita foi para a Paulista e para outras 15 cidades

Enquanto a Esplanada esvaziava, o campo adversário montava a sua própria vitrine. Em São Paulo, a concentração para a manifestação na Avenida Paulista começou às 15h, em evento organizado pelo diretório paulista do PL, com os slogans “Fora Lula” e “Fora Moraes”. Além do senador Flávio Bolsonaro, estavam previstos discursos de Michelle Bolsonaro, do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes, do deputado federal Guilherme Derrite, do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Atos da direita foram programados em pelo menos 15 cidades do país neste Dia da Independência, e a temperatura, que podia chegar a 14°C durante o ato paulistano, era apontada como fator capaz de dificultar o cumprimento da meta de público do PL.

A leitura política é direta. Em 2026, ano de eleição presidencial, o 7 de Setembro cai a menos de um mês do primeiro turno e volta a dividir a agenda política do país em duas frentes, com a votação marcada para 4 de outubro. Para a oposição, arquibancada vazia em pleno feriado da Pátria, com transporte público gratuito e quase R$ 6 milhões gastos, é termômetro de rua. Para o governo, a contenção institucional foi opção deliberada para não repetir o precedente de 2022, quando o uso eleitoral do desfile virou processo no Tribunal Superior Eleitoral.

Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Militar do Distrito Federal não havia divulgado contagem oficial de público, prática que se repete há anos na data. O número de 30 mil que circulou na véspera é expectativa das forças de segurança, não medição. As estimativas independentes, como as que o Poder360 fez em 2022 e 2024 a partir de imagens panorâmicas, costumam sair nos dias seguintes, e serão elas a fechar a conta de quantos brasileiros de fato foram ver o presidente passar.

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