A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) usou a tribuna da Comissão de Direitos Humanos do Senado, nesta terça-feira (15), para detonar os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, pelo silêncio do Congresso Nacional enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a possibilidade de abrir investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, no contexto do caso Banco Master.
Júlia interrompeu a agenda de campanha em Santa Catarina para ir a Brasília acompanhar o caso e foi a única deputada federal catarinense a se deslocar à capital. Pela manhã, esteve no STF. À tarde, participou da reunião da comissão presidida pela senadora Damares Alves, aberta para acompanhar os desdobramentos da sessão da Corte. Também estavam em Brasília os senadores catarinenses Esperidião Amin e Jorge Seif.
Logo no início da fala, a deputada agradeceu a Damares pela sessão, que, segundo ela, era a única em atividade em todo o Congresso naquele dia. “As pessoas estavam nos cobrando. Por que a Câmara e o Senado não iam funcionar diante de todos os acontecimentos que a nação está vendo?”, questionou.
Em seguida, mirou em Hugo Motta. “O presidente da Câmara está mais preocupado em fazer campanha para o Lula”, disparou. Para Júlia, o país vive um momento grave sem resposta do Parlamento. “Então quer dizer que o Brasil está pegando fogo e o Congresso Nacional está em silêncio? Que os microfones estão cortados? Que as comissões não podem funcionar?”
A deputada afirmou que todos os parlamentares deveriam cobrar Motta e Alcolumbre para que houvesse sessões ao longo da semana. “Esse é o recado que fica, senhor Alcolumbre e senhor Hugo Motta”, disse.
Sobre Moraes, Júlia cobrou que o Senado exija explicações do ministro a respeito da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “Eu quero ver o dia que essa casa aqui vai dizer assim: Alexandre de Moraes, você tem 48 horas para explicar a sua relação com o banqueiro Vorcaro. Isso que tem que ser feito”, afirmou.
Ela também levantou dúvidas sobre a igualdade na aplicação da Justiça. “Será que no Brasil a justiça é para alguns diferente do que para outros?”, perguntou. Na avaliação da deputada, a maioria da população já não confia no STF, e o quadro só vai piorar enquanto a Corte não enfrentar o caso.
Júlia criticou ainda o gesto de Gilmar Mendes durante a sessão, quando o ministro levantou o dedo para André Mendonça. “O Gilmar Mendes não tem o direito de levantar o dedo para ninguém nesse país”, declarou. Para ela, o dia deveria ser de julgamento de Moraes, mas quem acabou sendo colocado em xeque foi Mendonça.
A parlamentar também falou sobre a atuação de parte da Polícia Federal. Ela citou o relato de Vorcaro de que teria sido pressionado por policiais e disse que existe um grupo de servidores usando o Estado para perseguir o cidadão. “Não importa se esse grupo for de esquerda ou de direita. O Estado não pode servir para perseguir um cidadão”, afirmou, ressalvando que a crítica não se estende a toda a corporação.
O combate aos abusos de poder é uma das principais bandeiras do mandato. A primeira ação de Júlia como deputada federal foi assinar o pedido de criação da CPI do Abuso de Autoridade. Desde então, ela apresentou o PL 3.314/2024, que prevê impeachment automático de ministros do STF com apoio da maioria do Congresso; o PL 4.045/2023, que restringe a atuação de cônjuges, parentes, sócios e ex-sócios de ministros de Cortes Superiores em determinados casos; e o PL 1.723/2024, que cria o juiz de garantias em processos criminais originários no STF e no STJ.
“O Brasil precisa de instituições sérias e independentes, mas submetidas aos limites da Constituição. Não podemos normalizar abusos de autoridade, concentração de poder ou o uso do Estado para perseguição política. Precisamos que esses absurdos acabem e que Alexandre de Moraes seja punido exemplarmente”, afirmou a deputada.
No encerramento do discurso, Júlia disse ter convicção de que Flávio Bolsonaro vencerá a eleição e defendeu que cargos importantes sejam ocupados por pessoas com coragem para enfrentar pressão. “Uma coisa eu garanto ao Brasil: eu tenho personalidade e coragem suficiente para estar onde eu estou”, concluiu.























