O deputado estadual Camilo Martins (PL) entrou nesta quarta-feira (29) na articulação política para destravar a liberação dos molhes da Boca da Barra do Rio Tijucas. Em reunião na sede do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), em Florianópolis, o parlamentar e o prefeito Maickon Sgrott (PL) trataram diretamente com o presidente do órgão, Josevan Carmo da Cruz Junior, do andamento do licenciamento da obra mais aguardada da história recente de Tijucas.

O próximo passo do IMA
Conforme o presidente do IMA, o próximo passo é uma avaliação técnica de bota-fora, etapa que normalmente leva cerca de uma semana e que será conduzida em ritmo acelerado para destravar o processo. Logo em seguida, Josevan Carmo da Cruz Junior vai se reunir com o governador Jorginho Mello (PL) para tratar do caso na próxima semana.
A LAI, ou Licença Ambiental de Instalação, é a última autorização exigida antes do início efetivo das obras. O documento foi protocolado no IMA em 13 de março de 2026 e está em análise técnica desde então.
A pressão do prefeito
Durante a reunião, Maickon Sgrott reforçou a importância da obra para o desenvolvimento de Tijucas e disse que muitos moradores já não acreditam mais que o projeto vai sair do papel. O prefeito comparou a situação com cidades vizinhas que, segundo ele, já realizaram intervenções semelhantes em suas faixas litorâneas, citando Itapema e Balneário Camboriú.
Em Tijucas, virou quase uma lenda urbana.
Maickon Sgrott, prefeito de Tijucas
Maickon Sgrott também destacou que os molhes representam segurança para os pescadores que trabalham na desembocadura do rio e proteção contra as enchentes que historicamente atingem o município.
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Camilo Martins entra como cobrador
O deputado Camilo Martins, eleito com mais de 45 mil votos e ex-prefeito de Palhoça por dois mandatos, destacou que Tijucas merece uma obra desse porte e se colocou à disposição da cidade para cobrar o adiantamento da avaliação técnica. Camilo Martins se filiou ao PL em março, mesmo partido do governador Jorginho Mello e do prefeito Maickon Sgrott, em movimento alinhado à base estadual de apoio à gestão municipal.
Uma obra que atravessa gerações
A última dragagem na Boca da Barra do Rio Tijucas foi realizada há mais de 22 anos, na gestão do então prefeito Uilson Sgrott, pai do atual prefeito. O projeto atual, elaborado pela empresa Hidrotopo Consultoria, prevê investimento estimado em mais de R$ 55 milhões, com a construção dos molhes Norte e Sul, que somam 823 metros, e o desassoreamento do canal de navegação.
Conforme o relatório técnico da Hidrotopo, o assoreamento na foz do Rio Tijucas é da ordem de 60 mil metros cúbicos por ano, o que historicamente compromete a navegação de pescadores e embarcações de passeio e contribui para o agravamento das enchentes no município.
O dinheiro da obra
A operação financeira que vai bancar parte da obra também já está aprovada. Em 23 de abril, a Câmara de Vereadores de Tijucas autorizou, por 11 votos a 1, a contratação de empréstimo de R$ 83 milhões com a Caixa Econômica Federal, dentro do programa FINISA. O recurso integra o pacote de obras estruturantes do município, que inclui os molhes, a nova ponte de ligação entre o Centro e o bairro Sul do Rio e o ginásio poliesportivo.
Status e próximos passos
Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura aguardava a conclusão da avaliação técnica de bota-fora pelo IMA, prevista para a próxima semana, e a reunião do presidente do órgão com o governador Jorginho Mello. Com a articulação política em Florianópolis, a expectativa da gestão municipal é destravar o processo de licenciamento e iniciar a obra ainda em 2026.