O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), usou as redes sociais para rebater um vereador do PT que associou a Prefeitura a uma entidade cujo fundador foi preso em operação contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital.
Conforme o prefeito, o parlamentar petista publicou que a Prefeitura de Florianópolis teria contratado uma entidade ligada a um empresário preso por conexão com o PCC para atuar na educação do município. Topázio classificou a postagem como mentira.
“Essa entidade não atua na educação de Florianópolis, não foi contratada, não recebeu um centavo do nosso governo”, afirmou o prefeito em vídeo publicado nas redes sociais.
O cancelamento antes da denúncia
Topázio admitiu que a Prefeitura chegou a iniciar um processo de contratação com a entidade, mas garantiu que o procedimento foi desfeito assim que surgiram as primeiras denúncias contra o fundador.
O prefeito, no entanto, foi além da defesa e partiu para o contra-ataque direto ao governo federal. Segundo Topázio, a mesma entidade mantém contrato ativo com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e segue recebendo repasses federais.
“Sabe por que iniciamos um processo de contratação? Porque ele já tem um contrato com o governo federal, do seu partido, vereador, e continua recebendo. Fique tranquilo que com a Prefeitura eles não têm nada. Já com o governo do seu partido, é importante o senhor denunciar”, disse Topázio.
O desafio ao PT
Na parte mais dura do vídeo, o prefeito desafiou o vereador petista a manter a mesma postura em relação ao governo federal.
“E agora, vai pedir a investigação do ministro que contratou? Vai chamar o Lula de aliado do PCC?”
A fala faz referência à narrativa frequentemente utilizada por setores da oposição para associar governos ao crime organizado por meio de contratos com entidades investigadas.
A Operação Contaminatio
O empresário Adair Antônio de Freitas Meira, de 63 anos, foi preso no dia 27 de abril em Goiás durante a Operação Contaminatio, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. Ele é fundador do Sistema Sagres de Comunicação, da Fundação Pró-Cerrado e da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi).
A investigação aponta que Meira é suspeito de movimentar cerca de R$ 34 milhões por meio de entidades em seu nome e de uma fintech ligada a um integrante do PCC. A Renapsi opera em diversas cidades do país, incluindo Florianópolis e Joinville, em Santa Catarina.
A Fundação Sagres, também ligada a Meira, recebeu pelo menos R$ 41 milhões em repasses da Secretaria de Educação do Estado de Goiás entre 2021 e o início de 2026, segundo dados do Portal da Transparência goiano. Em Goiás, a Renapsi também venceu chamamento público para gerir o programa Aprendiz do Futuro, voltado à inserção de jovens no mercado de trabalho.
O outro lado
A Renapsi informou que não foi alvo da Operação Contaminatio e declarou que Adair Meira não ocupa cargos na instituição atualmente. A defesa do empresário contestou as acusações e afirmou que ele não possui vínculos com organizações criminosas, garantindo colaboração com as autoridades.
Até o momento, não há manifestação oficial do vereador do PT citado por Topázio nem do governo federal sobre o contrato mencionado pelo prefeito. O caso segue em investigação pela Polícia Civil de São Paulo.