Logo Jornal Razão
Publicidade
Eleições 2026

“Vai ter Bolsonaro na Presidência, sim”, diz Flávio na Paulista com o pai preso e inelegível até 2030

Candidato do PL encerrou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista com pedido de voto no primeiro turno, ao lado de Tarcísio de Freitas e Silas Malafaia, enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe e segue inelegível até 2030.

“Vai ter Bolsonaro na Presidência, sim”, diz Flávio na Paulista com o pai preso e inelegível até 2030
Foto: Reprodução
Publicidade

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encerrou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (7), com a promessa de que “vai ter Bolsonaro na Presidência, sim”. A frase foi dita do alto do trio elétrico com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde novembro de 2025 para cumprir pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, e inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

A concentração estava marcada para as 15h e a avenida já recebia milhares de apoiadores no início da tarde. O comício começou por volta das 15h e terminou perto das 16h45, sob previsão de temperatura de até 14°C na capital paulista, fator que os próprios organizadores viam como risco para o comparecimento. Os motes da convocação foram “Fora, Lula, Fora, Moraes” e “É agora ou nunca”, enquanto o PL espalhou nas redes a palavra de ordem “Vamos juntos resgatar o Brasil”.

Publicidade

O ato começou com oração. A bispa Sônia Hernandes, da igreja Renascer em Cristo, puxou o Pai Nosso antes do primeiro discurso, e os pedidos de oração se repetiram nas falas seguintes. Ao longo da tarde discursaram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o candidato a vice Alfredo Gaspar (PL-AL), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o pastor Silas Malafaia e os candidatos ao Senado por São Paulo Guilherme Derrite e André do Prado.

Último a falar, Flávio converteu o feriado em pedido direto de voto. O senador afirmou que quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes e prometeu acabar com o que chamou de consórcio entre o presidente e o ministro do Supremo. Puxou o coro de “Fora Lula, fora Moraes” e disse querer vencer já no primeiro turno, em 4 de outubro, para dar o que classificou como grito de liberdade ao país. Também prometeu declarar guerra ao PCC e ao Comando Vermelho caso eleito.

Vamos acabar com o consórcio de Lula e Moraes

Publicidade
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência

A campanha explorou de forma aberta a herança do pai. Flávio relembrou a facada sofrida por Jair Bolsonaro em setembro de 2018, contou que faz campanha de colete à prova de balas e disse que coloca o peito na frente do povo brasileiro porque é o povo que defende a democracia. Antes dos discursos, o candidato dançou em cima do trio elétrico ao som de uma paródia durante a concentração.

O governador de São Paulo deu ao ato seu momento de maior carga institucional. Tarcísio de Freitas afirmou que os manifestantes estavam ali para reagir ao poder absoluto, disse que as revelações sobre Moraes precisam ser esclarecidas e cobrou que o próprio tribunal se reúna para apurar, porque ninguém está acima da lei. Em outro trecho, declarou: “Em 2018, Deus levantou Jair Messias Bolsonaro. E agora, Deus levanta Flávio Bolsonaro”.

O pano de fundo do comício é a crise aberta no Supremo. A manifestação ocorreu em plena repercussão das mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, nas quais Vorcaro questionou o avanço das investigações da Polícia Federal e perguntou se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. Documentos analisados pela PF apontam ainda encontros pessoais entre os dois e a participação de Moraes na negociação de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

O pastor Silas Malafaia foi o mais duro do palanque. Ele acusou Moraes de transformar a liberdade de expressão em crime de opinião, disse que o ministro conduz um inquérito ilegal e imoral contra André Mendonça e apelou aos demais integrantes da Corte pelo afastamento e pelo impeachment. A deputada Bia Kicis, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, pediu que o público eleja senadores de direita justamente para viabilizar o impeachment de ministros do Supremo, com foco em Moraes.

Publicidade

Os candidatos paulistas transformaram o trio em plataforma de segurança e economia. Guilherme Derrite (PP) afirmou que pretende declarar a independência do Brasil a partir de janeiro de 2027 e disse que o país vive uma guerra contra o crime organizado. A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, criticou a política fiscal do governo federal, disse que o brasileiro não suporta mais a carga de impostos e fez apelo específico ao eleitorado feminino. Valdemar Costa Neto defendeu a anistia a Jair Bolsonaro e afirmou que a eleição de Flávio devolveria o ex-presidente ao grupo político no dia seguinte. Ricardo Nunes resumiu o tom ao dizer que é o povo brasileiro quem vai resgatar o país.

Santa Catarina no roteiro do 7 de Setembro

O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, discursou em cima do trio elétrico no ato de Florianópolis, que saiu da Avenida Beira-Mar Norte rumo à Catedral Metropolitana, e afirmou que “faltam 3 semanas e meia para que o Brasil se liberte”, dizendo que o resultado das urnas vai mostrar em Brasília o peso do estado. Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, alertou os apoiadores de que uma vitória de Lula redefiniria a composição do Supremo nos próximos anos. Jorginho havia confirmado que participaria do ato da Capital antes de seguir para a manifestação da Paulista. A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) aparece entre os parlamentares ligados à articulação do ato de São Paulo.

A conta do público vira o placar político do feriado

O número final de participantes ainda não havia sido divulgado pelos institutos que fazem a contagem por imagem aérea até o fechamento desta reportagem, e ele será o principal termômetro político do dia. O PL trabalhava com meta de 100 mil pessoas, mais que o dobro das 48,8 mil calculadas pelo Poder360 no 7 de Setembro de 2025. Naquele ano, o Monitor do Debate Político da USP estimou 42,2 mil pessoas na Paulista. No mesmo feriado, do outro lado do país, o governo federal fez sua própria conta: a Secom afirmou que 70 mil pessoas acompanharam o desfile na Esplanada dos Ministérios, número 56% maior que as 45 mil informadas pelo próprio Planalto em 2025, sem que o governo divulgasse a metodologia usada e sem que as imagens dos dois desfiles mostrem diferença de ocupação na mesma proporção.

A rua chegou em um momento apertado da disputa. Pesquisa PoderData/Aya divulgada na quinta-feira (3) mostra Flávio Bolsonaro com 45% em um eventual segundo turno contra 44% de Lula, a primeira vez desde maio em que o senador aparece numericamente à frente do petista nesse cenário. No primeiro turno, Lula tem 37% e Flávio, 34%, com 3.000 eleitores ouvidos entre 30 de agosto e 2 de setembro. Levantamento do Datafolha do mesmo dia aponta Lula com 38% e Flávio com 33% no primeiro turno.

Nem tudo foi harmonia no feriado. Helicópteros lançaram santinhos de campanha de Lula sobre a Avenida Paulista durante o ato. O calendário agora aperta: faltam menos de quatro semanas para 4 de outubro, e a leitura dos números de público desta segunda deve definir se a campanha do PL entra na reta final com o discurso de força que buscava na Paulista.

Especial Eleições 2026 em SCCandidatos com dados do TSE, sabatinas, pesquisas e calendário — cobertura completa
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

As manchetes do dia chegam antes de você abrir o site.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham