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em Saúde

Jovem de SC fará tratamento com polilaminina após mergulhar no mar e ficar tetraplégico

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 04/03/2026 09h18
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Procedimento em Santa Catarina ocorre dentro de protocolo autorizado em caráter experimental

O que começou como um domingo comum de verão no litoral sul de Santa Catarina terminou em um acidente que mudou completamente a vida de um jovem e mobilizou uma corrente de esperança em torno de um tratamento experimental que vem chamando atenção da medicina brasileira.

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Alison Carvalho Saldivia, morador de Balneário Gaivota, tinha apenas 19 anos quando sofreu um grave acidente durante um mergulho no mar. O impacto provocou uma lesão severa na medula e transformou, em poucos segundos, uma rotina comum em uma batalha diária pela recuperação.

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Ele foi socorrido por equipes do SAMU e levado às pressas para o Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, unidade administrada pelo IMAS. Ao chegar ao hospital, Alison já não sentia as pernas. O quadro indicava um trauma grave na coluna.

Nas horas seguintes, o jovem passou por uma cirurgia delicada. Após o procedimento, permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva, enquanto médicos avaliavam a extensão dos danos causados pelo acidente.

As informações repassadas à família foram duras. Segundo avaliação médica, a lesão comprometeu severamente os movimentos do corpo. Os médicos indicaram que Alison não voltaria a andar e que os movimentos das mãos também haviam sido afetados, podendo retornar apenas parcialmente com o tempo e com intensa reabilitação.

A partir daquele momento, a vida da família precisou ser completamente reorganizada.

O retorno para casa passou a exigir uma série de adaptações estruturais e cuidados permanentes. A mãe do jovem tomou uma decisão difícil: deixar o trabalho para se dedicar integralmente ao cuidado do filho. Ela também precisará se mudar para a casa dos próprios pais para conseguir dar conta da nova realidade.

Entre as necessidades imediatas estão cadeira de rodas, cadeira de banho, colchão hospitalar, colar cervical e outros equipamentos fundamentais para garantir conforto, mobilidade e segurança no dia a dia.

Diante da situação, amigos e familiares organizaram uma campanha solidária para ajudar nos custos da nova rotina de cuidados e das adaptações necessárias na residência.

Em meio ao cenário de dificuldades, um novo capítulo começou a surgir na história de Alison.

O Hospital Dom Joaquim, em Santa Catarina, confirmou que o jovem será um dos pacientes a receber a aplicação da substância conhecida como polilaminina, um tratamento experimental que vem sendo estudado há décadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A substância foi desenvolvida a partir de pesquisas lideradas pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Os estudos começaram ainda na década de 1990, quando cientistas passaram a investigar o potencial da laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo humano e que desempenha papel importante na regeneração e na comunicação entre células.

A partir dessas pesquisas, foi desenvolvido um polímero sintético chamado polilaminina, capaz de reproduzir algumas propriedades dessa proteína. A hipótese estudada pelos pesquisadores é que a substância possa estimular processos de regeneração de tecidos nervosos danificados.

Quando aplicada diretamente na região da lesão da medula, a polilaminina pode ajudar a reorganizar conexões nervosas interrompidas pelo trauma, criando condições para que sinais voltem a circular entre o cérebro e o corpo.

Em alguns relatos preliminares divulgados nos últimos anos, pacientes com lesões medulares apresentaram sinais de melhora após o tratamento, incluindo recuperação parcial de movimentos e sensibilidade.

Apesar da repercussão positiva, especialistas ressaltam que a substância ainda está em fase experimental. Isso significa que os resultados ainda precisam passar por estudos clínicos mais amplos para comprovar de forma definitiva a segurança e a eficácia do tratamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso da polilaminina em caráter experimental dentro de protocolos específicos, permitindo que hospitais habilitados participem das aplicações supervisionadas.

O Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, passou a integrar esse protocolo. A primeira aplicação da substância na unidade ocorre com acompanhamento de profissionais ligados à UFRJ, que orientam a equipe médica local durante o procedimento.

Além de beneficiar o paciente, a aplicação também servirá para capacitar os profissionais da instituição catarinense no protocolo experimental, ampliando o conhecimento técnico sobre o procedimento.

Para Santa Catarina, a realização da aplicação representa um marco importante, já que coloca uma unidade hospitalar do estado no centro de uma das pesquisas médicas brasileiras mais acompanhadas dos últimos anos.

Para Alison e sua família, o momento mistura expectativa e cautela.

De um lado, existe a dura realidade de uma lesão medular que mudou completamente os planos de vida de um jovem de apenas 19 anos. De outro, surge a possibilidade de participar de um tratamento experimental que carrega consigo a esperança de milhares de pacientes que convivem com lesões semelhantes.

Enquanto a medicina segue investigando os limites e o potencial da polilaminina, a história de Alison se tornou símbolo de algo maior: a busca por novas respostas da ciência para um dos desafios mais complexos da neurologia.

Em Sombrio, no extremo sul de Santa Catarina, o procedimento não representa apenas um avanço científico. Para uma família que viu a vida mudar em segundos, ele também carrega a esperança de que o futuro ainda possa reservar novos caminhos.

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