Após três anos ajudando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votações no Congresso Nacional, o deputado federal Carlos Chiodini (MDB-SC) passou a defender publicamente que o MDB de Santa Catarina mantenha distância do PT nas eleições presidenciais de 2026.
A posição foi apresentada após a divulgação de um manifesto assinado por 16 diretórios estaduais do MDB que pedem autonomia para decidir alianças regionais e rejeitam a possibilidade de uma coligação nacional com Lula no próximo pleito. O documento foi entregue ao presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi.
Entre os signatários está justamente Chiodini, que preside o MDB em Santa Catarina e também ocupa a vice-presidência nacional da sigla. Ao comentar o movimento, ele afirmou que o partido catarinense deseja manter liberdade para definir seus próprios caminhos políticos.
“Cada estado tem as suas particularidades, os emedebistas de Santa Catarina pensam diferente e é para respeitar as preferências de quem está conosco na base que queremos independência e liberdade para decidir”, declarou o deputado.
Os dados de votações no Congresso, porém, mostram um histórico recente de alinhamento relevante com o governo federal. Segundo levantamento do Placar do Congresso, Carlos Chiodini votou com a orientação do governo Lula em 68,8% das votações analisadas, enquanto se posicionou contra o governo em 31,3% das vezes. No total considerado pelo levantamento, o parlamentar participou de 80 votações, sendo 55 alinhadas ao governo e 25 contrárias.
Outro deputado federal de Santa Catarina pelo MDB, Rafael Pezenti, também participou do ato e manifestou apoio à posição do partido contra uma eventual aliança com Lula em 2026. No entanto, os números de seu comportamento no plenário indicam um posicionamento diferente do colega de bancada.
De acordo com o mesmo monitoramento, Pezenti votou contra o governo em 94,8% das votações analisadas, enquanto acompanhou a orientação do governo Lula em apenas 5,2% dos casos. O levantamento registra 191 votações, sendo 181 contrárias ao governo e 10 alinhadas ao Palácio do Planalto.
“O MDB de Santa Catarina não pode apoiar Lula em 2026. Eu não apoiei o Lula, não apoio e não apoiarei”, declarou o parlamentar ao comentar o manifesto.
Já o deputado federal Valdir Cobalchini (MDB-SC) apresenta um comportamento mais dividido nas votações do Congresso. Segundo os dados do Placar do Congresso, Cobalchini votou com o governo Lula em 50,8% das votações analisadas e contra o governo em 48% dos casos.
No total, o parlamentar participou de 177 votações, sendo 90 alinhadas ao governo e 85 contrárias.
O manifesto apresentado ao comando nacional do MDB reúne diretórios estaduais de diferentes regiões do país, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Roraima, Acre, Sergipe, Tocantins, Minas Gerais, Amapá e Distrito Federal.
Com o documento, essas lideranças defendem que o MDB tenha liberdade para definir alianças nas eleições presidenciais de 2026, sem compromisso automático com o governo federal. O movimento também expõe divergências internas dentro do partido sobre qual caminho político a legenda deve seguir nos próximos anos.